<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Big Blog &#187; direito</title>
	<atom:link href="http://www.bigpoz.com/category/direito/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.bigpoz.com</link>
	<description>We talk about everything</description>
	<lastBuildDate>Mon, 06 Sep 2010 11:23:37 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.6</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>O Dna Vai Ao Tribunal: O Impacto Das Tipagens GenÃ©ticas</title>
		<link>http://www.bigpoz.com/2009/06/o-dna-vai-ao-tribunal-o-impacto-das-tipagens-gena%c2%a9ticas/4403</link>
		<comments>http://www.bigpoz.com/2009/06/o-dna-vai-ao-tribunal-o-impacto-das-tipagens-gena%c2%a9ticas/4403#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 20:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[Forensic]]></category>
		<category><![CDATA[Key Words]]></category>
		<category><![CDATA[Resumo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.bigpoz.com/2009/06/o-dna-vai-ao-tribunal-o-impacto-das-tipagens-gena%c2%a9ticas/4403</guid>
		<description><![CDATA[ ...  depende do poder de discriminaÃ§Ã£o das tÃ©cnicas e varia de acordo com caracterÃ­sticas de cada <b>grupo</b> populacional. <br />

<br />

4. ValidaÃ§Ã£o e reproducibilidade dos testes de dna<br />

<br />

Uma questÃ£o fundamental concernente ao uso  ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O DNA vai ao tribunal: o impacto das tipagens genÃ©ticas </p>
<p>The DNA goes to courtroom: The genotyping impact</p>
<p>	Eduardo Ribeiro Paradela</p>
<p>	DNA Forense â€“ peritos Associados e Analises Laboratoriais LTDA</p>
<p>dna@dnaforense.com</p>
<p>	AndrÃ© LuÃ­s dos Santos Figueiredo</p>
<p>	DNA Forense â€“ peritos Associados e Analises Laboratoriais LTDA</p>
<p>dna@dnaforense.com</p>
<p>Palavras-chave: DNA, genÃ©tica forense, genotipagem</p>
<p>Resumo: Os exames para a identificaÃ§Ã£o humana por DNA podem ser utilizados para economizar tempo e recursos ao sistema judiciÃ¡rio. Contudo, a falta de padrÃµes e procedimentos de seguranÃ§a na execuÃ§Ã£o desta modalidade de exames no Brasil afeta a confiabilidade de muitos serviÃ§os oferecidos em territÃ³rio nacional. </p>
<p>Key-words: DNA, forensic genetic, genotyping</p>
<p>Abstract: The human identification by DNA tests may be used in <span id="more-4403"></span> order to save resourses and time to the legal system. However, in Brazil there are not standards and safety procedures to garantee the sucess of the analysis in some of the local services. </p>
<p></p>
<p>	1. IntroduÃ§Ã£o</p>
<p>As anÃ¡lises de DNA (Ã¡cido desÃ³xirribonuclÃ©ico), em virtude da sua presumida confiabilidade, sÃ£o cada vez mais empregadas para fins judiciais, suplantando as tradicionais provas sorolÃ³gicas. Os exames para a identificaÃ§Ã£o humana por DNA podem ser utilizados para rapidamente estabelecer vÃ­nculo genÃ©tico, exonerar falsos suspeitos ou relacionar criminosos a cenas de crime e estas entre si, acarretando significativa economia de tempo e dinheiro Ã  justiÃ§a. Contudo, a forma de implantaÃ§Ã£o destes testes no Brasil nÃ£o foi devidamente acompanhada pelos orgÃ£os competentes a fim de garantir a confiabilidade de muitos dos serviÃ§os oferecidos em territÃ³rio nacional (Smarra et al. 2006a). A grande velocidade com que esta tecnologia foi imposta e a falta de informaÃ§Ã£o contribuem para a existencia de incertezas que eventualmente surgem, tornando imprescindÃ­vel em muitos casos a nomeaÃ§Ã£o de um perito competente para avaliar os procedimentos laboratoriais adotados e auxiliar na anÃ¡lise dos resultados no contexto do caso.</p>
<p> Com a exceÃ§Ã£o dos gÃªmeos idÃªnticos, o patrimÃ´nio genÃ©tico de cada pessoa Ã© Ãºnico. Existem seqÃ¼Ãªncias hipervariÃ¡veis na molÃ©cula de DNA que, por serem altamente polimÃ³rficas, podem ser utilizadas para distinguir indivÃ­duos e estabelecer vÃ­nculo genÃ©tico. Outras ferramentas anteriormente empregadas para as investigaÃ§Ãµes forenses, com os sistemas ABO e HLA, nÃ£o apresentam poder de discriminaÃ§Ã£o comparÃ¡vel Ã  identificaÃ§Ã£o humana por DNA. </p>
<p>O caso Pitchfork, na Inglaterra, foi o primeiro em que se empregou a tipagem genÃ©tica para relacionar crimes em sÃ©rie e identificar o criminoso, alÃ©m de provar a inocÃªncia de suspeitos. Desde entÃ£o, as tÃ©cnicas de genotipagem passaram a ser disseminadas por todos os continentes. Entretanto, casos com New York State versus Castro, no qual o laboratÃ³rio responsÃ¡vel pelos exames falhou na execuÃ§Ã£o dos testes e apresentou interpretaÃ§Ãµes equivocadas para os resultados, provocaram a busca por padrÃµes de qualidade mais rÃ­gidos. Este caso serviu de base para associaÃ§Ãµes de advogados nos Estados Unidos da AmÃ©rica requisitarem a reabertura de diversos processos resolvidos com o auxÃ­lio da tipagem genÃ©tica naquele paÃ­s. </p>
<p>Em verdade, as anÃ¡lises de DNA para identificaÃ§Ã£o humana e determinaÃ§Ã£o de vÃ­nculo genÃ©tico estÃ£o provocando uma verdadeira revoluÃ§Ã£o nos tribunais brasileiros e vÃ¡rios laboratÃ³rios clÃ­nicos estÃ£o migrando para o campo dos exames genÃ©ticos, uma vez que estes serviÃ§os constituem uma lucrativa atividade. As tipagens atravÃ©s da anÃ¡lise de DNA sÃ£o um importante instrumento para a distribuiÃ§Ã£o de justiÃ§a, tornando os processos mais Ã¡geis. Entretanto, serÃ¡ que os testes laboratoriais e a interpretaÃ§Ã£o de seus resultados sÃ£o isentas de erro? De fato, para que se faÃ§a jus a credibilidade das genotipagens Ã© necessÃ¡rio que se execute vÃ¡rias etapas para obter um perfil do DNA e, em cada uma delas, Ã© preciso aplicar rigorosos procedimentos para a garantia da qualidade dos resultados. A nÃ£o utilizaÃ§Ã£o dos controles de qualidade efetivamente pode levar a interpretaÃ§Ã£o equivocada dos resultados (Figueiredo e Paradela, 2006). </p>
<p>Historicamente, nos paÃ­ses onde as tecnologias aqui discutidas foram primeiro aceitas como forma de obtenÃ§Ã£o de provas periciais, houve uma fase de muitas controvÃ©rsias antes da larga aceitaÃ§Ã£o que os testes de DNA hoje possuem. Este perÃ­odo foi marcado por debates que acabaram por estabelecer rigorosos padrÃµes para a execuÃ§Ã£o dos exames. No Brasil, nÃ£o hÃ¡ fiscalizaÃ§Ã£o adequada ou padronizaÃ§Ã£o dos exames. Este fato, somado ao desconhecimento que alguns magistrados tÃªm de que os testes nÃ£o sÃ£o infalÃ­veis, pode interferir nos julgamentos. </p>
<p>VÃ¡rias interpretaÃ§Ãµes podem ser obtidas a partir de uma anÃ¡lise de DNA. Em investigaÃ§Ãµes genÃ©ticas, a validade dos resultados depende do cÃ¡lculo das freqÃ¼Ãªncias populacionais dos marcadores. Para isto, as fontes destas freqÃ¼Ãªncias devem estar disponÃ­veis a qualquer pessoa ligada ao processo que necessite desta informaÃ§Ã£o. Vale ressaltar que pode haver variaÃ§Ãµes na composiÃ§Ã£o gÃªnica entre grupos populacionais, sendo este um fator adicional a ser considerado. A expressÃ£o estatÃ­stica dos resultados deve ainda basear-se na presenÃ§a ou nÃ£o de misturas de material biolÃ³gico, como Ã© freqÃ¼entemente encontrado em casos de abuso sexual. </p>
<p>Deste modo, torna-se necessÃ¡rio avaliar rotineiramente os procedimentos e conseqÃ¼entes interpretaÃ§Ãµes dos exames de DNA. Considerando-se ainda a pouca experiÃªncia dos laboratÃ³rios nacionais neste setor, pode-se gerar algum receio a cerca da vulnerabilidade dos testes genÃ©ticos. </p>
<p>2. Bases cientÃ­ficas para a tipagem genÃ©tica</p>
<p>2.1- A molÃ©cula de DNA</p>
<p>O processo de recombinaÃ§Ã£o gÃªnica proporciona um alto grau de variabilidade entre os organismos vivos que se utilizam deste mecanismo. Cada ser humano possui um perfil genÃ©tico exclusivo, com a exceÃ§Ã£o de gÃªmeos monozigÃ³ticos que compartilham do mesmo conjunto de genes.</p>
<p>O Ã¡cido desoxirribonucleico (DNA) pode ser encontrado no nÃºcleo de todas as cÃ©lulas, com a exceÃ§Ã£o das anucleadas hemÃ¡cias, e nas mitocÃ´ndrias. O DNA Ã© um polinucleotÃ­deo, isto Ã©, uma macromolÃ©cula formada pelo encadeamento de subunidades chamadas de nucleotÃ­deos. Por sua vez, cada nucleotÃ­deo resulta da combinaÃ§Ã£o de trÃªs componentes: um grupamento fosfato, um aÃ§Ãºcar (pentose) e uma base nitrogenada. No DNA, estas Ãºltimas sÃ£o de quatro tipos: adenina,  guanina,  citosina e timina. O DNA Ã© formado por duas cadeias de polinucleotÃ­deos enrolados de forma helicoidal e ligadas transversalmente atravÃ©s de ligaÃ§Ãµes quÃ­micas conhecidas como pontes de hidrogÃªnio. A adenina liga-se especificamente a timina, enquanto que a guanina forma par sempre com a citosina. </p>
<p>2.2- Bases cientÃ­ficas da hereditariedade</p>
<p>Cada espÃ©cie tem um nÃºmero caracterÃ­stico de cromossomos. Nos seres humanos, as cÃ©lulas somÃ¡ticas apresentam 46 cromossomos, ou 23 pares de cromossomos homÃ³logos (2n = 46). Cada gene ocupa um lugar definido no cromossomo, denominado locus gÃªnico. Quando os genes que compÃµem um par nÃ£o sÃ£o idÃªnticos entre si, o indivÃ­duo Ã© denominado heterozigoto para o carÃ¡ter determinado pelo par de genes. A presenÃ§a de genes idÃªnticos indica que o indivÃ­duo Ã© homozigoto para aquele carÃ¡ter. </p>
<p>Os gametas, que sÃ£o cÃ©lulas haplÃ³ides, ou seja, possuem apenas 23 cromossomos (n=23), sÃ£o gerados atravÃ©s de um processo de divisÃ£o celular conhecido como meiose. No momento da fecundaÃ§Ã£o, os 23 cromossomos presentes no espermatozÃ³ide unem-se a outros 23 do Ã³vulo. Desta forma, Ã© formado um ser contendo os 46 cromossomos caracterÃ­sticos da espÃ©cie, sendo 50% do DNA originado de cada um dos progenitores. Como as mitocÃ´ndrias dos espermatozÃ³ides nÃ£o sÃ£o passadas ao Ã³vulo, o DNA mitocondrial possui origem exclusivamente materna. O ser gerado irÃ¡ passar por milhares de divisÃµes celulares atravÃ©s do processo denominado mitose. Deste modo, um indivÃ­duo carrega, em cada uma de suas cÃ©lulas, as caracterÃ­sticas genÃ©ticas que foram herdadas de seus pais. Este mecanismo de heranÃ§a torna possÃ­vel a determinaÃ§Ã£o de vÃ­nculo genÃ©tico atravÃ©s das tÃ©cnicas de biologia molecular (Paradela e Figueiredo 2006).</p>
<p>2.3- RegiÃµes hipervariÃ¡veis da molÃ©cula de DNA</p>
<p>Os polimorfismos presentes nas regiÃµes hipervariÃ¡veis do DNA podem ser agrupados em dois tipos: polimorfismos de comprimento e polimorfismos de seqÃ¼Ãªncia. O primeiro tipo inclui as regiÃµes STR (â€œshort tandem repeatâ€) e VNTR (â€œvariable number of tandem repeatâ€), e Ã© caracterizado por seqÃ¼Ãªncias de nucleotÃ­deos que se repetem em mÃºltiplas cÃ³pias, variando o nÃºmero de repetiÃ§Ãµes entre os indivÃ­duos para cada locus. Os polimorfismos de seqÃ¼Ãªncia sÃ£o compostos de diferentes nucleotÃ­deos em uma determinada localizaÃ§Ã£o do genoma. Estas variaÃ§Ãµes em seqÃ¼Ãªncia podem ser manifestadas como regiÃµes de alelos alternativos ou substituiÃ§Ãµes, adiÃ§Ãµes ou deleÃ§Ãµes de bases, mas, em geral, originam-se de mutaÃ§Ãµes pontuais.</p>
<p>3. Vantagens e limitaÃ§Ãµes dos testes de dna</p>
<p>Os testes de DNA para fins judiciais apresentam diversas vantagens para a justiÃ§a sem que haja desvantagens quando os procedimentos sÃ£o corretamente realizados. Ã‰ comum a presenÃ§a de evidÃªncias biolÃ³gicas em cenas de crime e deve-se considerar que os testes tradicionais possuem limitado poder de discriminaÃ§Ã£o (inclusÃ£o ou exclusÃ£o). O Ã¡cido desÃ³xirribonuclÃ©ico Ã© mais estÃ¡vel e durÃ¡vel que outras molÃ©culas. AlÃ©m disto, os procedimentos utilizados para a tipagem genÃ©tica sÃ£o muito precisos, mesmo quando hÃ¡ poucas molÃ©culas de DNA disponÃ­veis. </p>
<p>De fato, os testes de DNA podem ser uma forma de economizar recursos para a justiÃ§a, uma vez que Ã© possÃ­vel exonerar suspeitos logo ao inÃ­cio do processo de investigaÃ§Ã£o. Adicionalmente, pode-se armazenar o perfil de DNA em bancos de dados informatizados e cruzar informaÃ§Ãµes, facilitando deste modo a identificaÃ§Ã£o de criminosos em sÃ©rie. Muitos crÃ­ticos afirmam que determinadas anÃ¡lises sÃ£o aceitas em tribunais sem que sejam seguidos os padrÃµes cientÃ­ficos necessÃ¡rios, fazendo pairar dÃºvidas em diversos casos (Paradela et al., 2006; Smarra et al, 2006a; Bonaccorso, 2001; Roeder, 1994). Como hÃ¡ custos inerentes aos testes de DNA, os gastos com a contrataÃ§Ã£o de expertos podem onerar as partes. Na literatura cientÃ­fica internacional, hÃ¡ casos em que resultados de â€œinclusÃ£oâ€ ou â€œexclusÃ£oâ€ foram alterados apÃ³s minuciosa revisÃ£o dos dados. VÃ¡rias destas anÃ¡lises passaram a ser entÃ£o classificadas como â€œinconclusivasâ€ ou â€œinconsistentesâ€ (U.S. Congress, 1990).</p>
<p> NÃ£o necessariamente a coincidÃªncia entre o perfil de um suspeito e o encontrado em uma amostra localizada em cena de crime significa que a identificaÃ§Ã£o Ã© positiva e o mesmo vale para a coincidÃªncia entre um suposto pai e o indivÃ­duo que requer o reconhecimento de sua paternidade. A interpretaÃ§Ã£o dos resultados depende do poder de discriminaÃ§Ã£o das tÃ©cnicas e varia de acordo com caracterÃ­sticas de cada grupo populacional. </p>
<p>4. ValidaÃ§Ã£o e reproducibilidade dos testes de dna</p>
<p>Uma questÃ£o fundamental concernente ao uso do DNA como evidÃªncia estÃ¡ na validaÃ§Ã£o cientÃ­fica dos mÃ©todos de anÃ¡lise. Em outras palavras, Ã© preciso saber se os testes sÃ£o capazes de inequivocamente identificar inclusÃµes e exclusÃµes para cada marcador genÃ©tico utilizado. </p>
<p>Inicialmente, a credibilidade dos testes deve partir da natureza das amostras biolÃ³gicas utilizadas. Com freqÃ¼Ãªncia, as amostras sÃ£o encontradas em superfÃ­cies nÃ£o-estÃ©reis, como por exemplo: roupas, mÃ³veis e terra. Este material pode sofrer danos apÃ³s contato com a luz solar, fungos, bactÃ©rias e solventes. Existem procedimentos que podem minimizar a aÃ§Ã£o destes fatores de degradaÃ§Ã£o do DNA. Entretanto, muitos cuidados devem ser tomados para evitar a mÃ¡ interpretaÃ§Ã£o (Paradela et al., 2001). A amplificaÃ§Ã£o pela PCR (reaÃ§Ã£o em cadeia da polimerase) que Ã© largamente empregada nas tipagens genÃ©ticas pode produzir falhas e artefatos quando a qualidade do material biolÃ³gico estÃ¡ comprometida. Amostras parcialmente degradadas podem proporcionar, por exemplo, a amplificaÃ§Ã£o preferencial de alelos e o surgimento das bandas fantasmas (â€œstutter bandsâ€). No primeiro caso, tem-se a amplificaÃ§Ã£o de um alelo em detrimento do outro. Isto pode gerar a falsa impressÃ£o de se tratar de um indivÃ­duo homozigoto ao invÃ©s de heterozigoto para o locus em estudo. JÃ¡ as bandas fantasmas ocorrem em virtude de falhas no processo analÃ­tico que geram bandas com uma unidade de repetiÃ§Ã£o a menos que a do alelo original. Deste modo, pode-se equivocadamente interpretar o resultado como um falso heterozigoto ou identificar um alelo erroneamente. Atualmente, existem tecnologias, como os leitores por fluorescÃªncia, que sÃ£o capazes de dirimir dÃºvidas e evitar erros desta natureza. Contudo, estes equipamentos sÃ£o caros e poucos tÃ©cnicos no Brasil estÃ£o capacitados a operÃ¡-los. </p>
<p>Outro fator importante estÃ¡ na reproducibilidade dos testes. Em ciÃªncia, Ã© preciso que os resultados sejam passÃ­veis de reproduÃ§Ã£o para que sejam aceitos como verdade cientÃ­fica. No campo forense, nÃ£o Ã© incomum a necessidade de reproduÃ§Ã£o das tipagens. Isto pode encarecer o processo, mas nÃ£o deve ser descartado, principalmente quando o que estÃ¡ sob suspeita Ã© o teste em si. </p>
<p>Para as anÃ¡lises de DNA, diversos quesitos podem ser postulados para a interpretaÃ§Ã£o dos dados, incluindo-se neste ponto a escolha e o uso apropriado das tÃ©cnicas; as freqÃ¼Ãªncias populacionais empregadas para os cÃ¡lculos; o tipo de anÃ¡lise estatÃ­stica empregada; os controles de qualidade adotados; a documentaÃ§Ã£o dos procedimentos e a qualidade dos equipamentos e reagentes utilizados, bem como a capacitaÃ§Ã£o tÃ©cnica dos profissionais envolvidos (Smarra et al., 2006a, b). </p>
<p>5. interpretaÃ§Ã£o estatÃ­stica dos resultados</p>
<p>	O fato de que duas amostras possuem o mesmo perfil para um grupo de marcadores genÃ©ticos em especial nÃ£o significa obrigatoriamente que elas possuam a mesma origem. A interpretaÃ§Ã£o dos testes depende das freqÃ¼Ãªncias populacionais para cada marcador genÃ©tico utilizado. Quando a tipagem genÃ©tica de duas amostras Ã© igual, torna-se necessÃ¡rio expressar numericamente a significÃ¢ncia deste evento. O nÃºmero de marcadores empregados, a presenÃ§a de subestruturas na composiÃ§Ã£o da populaÃ§Ã£o e mistura de amostras podem interferir nos resultados. </p>
<p>6. ElaboraÃ§Ã£o do laudo ou relatÃ³rio pericial</p>
<p>Todas as etapas empreendidas para a tipagem do DNA, desde a coleta atÃ© a interpretaÃ§Ã£o do significado estatÃ­stico dos dados obtidos, serÃ£o consubstanciadas em uma peÃ§a pericial escrita que servirÃ¡ aos interesses de seus leitores. Em instÃ¢ncia final, o laudo poderÃ¡ ainda servir como elemento de convicÃ§Ã£o para juÃ­zes, promotores e advogados nas aÃ§Ãµes judiciais (Bonaccorsso, 2000).</p>
<p>SÃ£o recomendaÃ§Ãµes bÃ¡sicas de quesitos para a elaboraÃ§Ã£o do laudo pericial de anÃ¡lise de DNA: identificaÃ§Ã£o do nÃºmero do inquÃ©rito policial ou processo judicial; identificaÃ§Ã£o das partes envolvidas e amostras; informaÃ§Ã£o da etnia (raÃ§a) dos envolvidos, quando possÃ­vel e relevante; citaÃ§Ã£o da metodologia empregada na coleta e armazenamento de materiais e, se necessÃ¡rio, esclarecimento dos cuidados empreendidos para manutenÃ§Ã£o da cadeia de custÃ³dia destes materiais. Em adiÃ§Ã£o, o laudo deve conter informaÃ§Ãµes bibliogrÃ¡ficas a cerca das metodologias utilizadas para a extraÃ§Ã£o, quantificaÃ§Ã£o e amplificaÃ§Ã£o do DNA; forma de identificaÃ§Ã£o dos alelos obtidos nos testes e fundamentos empregados para os cÃ¡lculos estatÃ­sticos. As freqÃ¼Ãªncias estatÃ­sticas utilizadas como base para os cÃ¡lculos tambÃ©m devem ser mencionadas (Commission of the International Society for Forensic Haemogenetics, 1992; Sociedade Brasileira de Medicina Legal, 1999).</p>
<p>7. Credenciamento e fiscalizaÃ§Ã£o dos laboratÃ³rios</p>
<p>A tentativa inicial de normatizaÃ§Ã£o das tÃ©cnicas de tipagem humana no Brasil foi realizada por um grupo ligado ao MinistÃ©rio da SaÃºde chamado GTDNA, um Grupo TÃ©cnico Consultivo do qual participaram representantes de alguns laboratÃ³rios brasileiros que realizavam testes de tipagem humana para investigaÃ§Ã£o de paternidade Ã  Ã©poca. De acordo com as normas da ANVISA &#8211; Agencia Nacional de VigilÃ¢ncia SanitÃ¡ria, Ã³rgÃ£o pÃºblico competente para avaliar os procedimentos tÃ©cnicos em laboratÃ³rios analÃ­ticos, todas as etapas da cadeia de custÃ³dia das amostras biolÃ³gicas devem ser documentadas de modo apropriado, a fim de evitar contaminaÃ§Ãµes (ISO/IEC 17.025). Em adiÃ§Ã£o, Os procedimentos para estabelecer padrÃµes de qualidade, como a calibraÃ§Ã£o de equipamentos e a presenÃ§a de um segundo analista devem ser implementados para as anÃ¡lises realizadas no Brasil se equivalham em termos de seguranÃ§a e credibilidade Ã quelas realizadas em laboratÃ³rios de referÃªncia no exterior. AlÃ©m disto, os testes de identificaÃ§Ã£o por DNA, por fazerem uso de tÃ©cnicas de engenharia genÃ©tica, devem obedecer as normas estabelecidas na Lei de BiosseguranÃ§a NÂ° 8.974/95 (Paradela et al. 2006).</p>
<p>8. ConsideraÃ§Ãµes finais</p>
<p>As evidÃªncias cientÃ­ficas sÃ£o um importante componente de muitos processos nas Ã¡reas civil e penal. Usualmente, as informaÃ§Ãµes de carÃ¡ter tÃ©cnico nÃ£o sÃ£o completamente entendidas por uma parcela dos profissionais da lei. Em termos de impacto social, Ã© muito difÃ­cil estabelecer um paralelo com outras ferramentas cientÃ­ficas empregadas pela justiÃ§a, jÃ¡ que nenhuma se compara Ã  investigaÃ§Ã£o genÃ©tica no tocante ao seu alto poder de discriminaÃ§Ã£o. Entretanto, os advogados, juÃ­zes e a comunidade cientÃ­fica devem estar atentos ao fato de que os testes absolutamente nÃ£o sÃ£o infalÃ­veis, como ocorre com qualquer outra atividade humana. Deve-se implementar no Brasil, conforme jÃ¡ ocorre em outros paÃ­ses, rigorosos padrÃµes de qualidade para se garantir a credibilidade de tÃ£o importante ferramenta (Smarra et al. 2006b). </p>
<p>Na busca do aumento da confiabilidade dos testes genÃ©ticos Ã© possÃ­vel solicitar serviÃ§o de contra-perÃ­cia e assistÃªncia de perÃ­cia para qualquer uma das partes envolvidas, alÃ©m do trabalho a ser realizado pelo perito do juÃ­zo. Estes serviÃ§os sÃ£o rotineiramente oferecidos, tanto para acompanhamento da coleta, da anÃ¡lise propriamente dita e do laudo feito por outro laboratÃ³rio, quanto para contra-prova das mesmas amostras colhidas para o teste, bastando que a parte interessada contrate o perito assistente antes da coleta, para este fim determinado.</p>
<p>9. ReferÃªncias BibliogrÃ¡ficas</p>
<p>BONACCORSO, Norma. Aspectos jurÃ­dicos do exame de DNA. Anais do III simpÃ³sio latino-americano de identificaÃ§Ã£o humana. Curitiba, PR. 2001.</p>
<p>COMMISSION OF THE INTERNATIONAL SOCIETY FOR FORENSIC HAEMOGENETICS.  REPORT concerning recommendations of the DNA Commission of the International Society for Forensic Haemogenetics relating to the use of the DNA polymorphisms. [Editorial] Forensic Sci. Int., v.42, p.l25-30, 1992.</p>
<p>FIGUEIREDO, AndrÃ©; PARADELA, Eduardo. Pode a prova de DNA induzir um veredito?  [Internet]. DisponÃ­vel em http://www.amb.com.br, 2006.  </p>
<p>PARADELA, Eduardo; FIGUEIREDO, AndrÃ©. As anÃ¡lises forenses de DNA mitocondrial &#8211; Aspectos Gerais.  Revista NetLegis [Internet]. DisponÃ­vel em  http://www.netlegis.com.br, 2006. </p>
<p>PARADELA, Eduardo; FIGUEIREDO, AndrÃ©; SMARRA AndrÃ©. A identificaÃ§Ã£o humana por DNA: aplicaÃ§Ãµes e limites  In: Ã‚mbito JurÃ­dico, Rio Grande,  NÂº 30  [Internet]. DisponÃ­vel em http://www.ambito-juridico.com.br. 2006.</p>
<p>PARADELA Eduardo; GLIDEWELL, Debra; KONOTOP, Felipe; CARVALHO, Elizeu; CROUSE, Cecelia. Feseability of Conducting DNA Analysis at Crime Scene. Proceedings of 11th International Symposium on Human Identification, 2001.</p>
<p>ROEDER, Keith. DNA fingerprint: a review of the controversy. Statstical Sci. 9(2): 222-278, 1994.</p>
<p>SMARRA, AndrÃ©; FIGUEIREDO, AndrÃ©; PARADELA Eduardo. A Confiabilidade dos Testes de DNA. Revista Consultor JurÃ­dico, 2006a.</p>
<p>SMARRA, AndrÃ©; PARADELA Eduardo; FIGUEIREDO AndrÃ©. A GenÃ©tica Forense no Brasil.  Scientific American Brasil. 51:87, 2006. </p>
<p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA LEGAL. RecomendaÃ§Ãµes para laboratÃ³rios de teste de paternidade. 1a ed., 1999.</p>
<p>U.S. CONGRESS, OFFICE OF TECHNOLOGY ASSESSMENT. Genetic witness: forensic uses of dna tests. Washington, DC: U.S. Government Printing Office, 1990.</p>
<p></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.bigpoz.com/2009/06/o-dna-vai-ao-tribunal-o-impacto-das-tipagens-gena%c2%a9ticas/4403/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
