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	<title>Big Blog &#187; ciÃªncia</title>
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		<title>Ensino De QuÃ­mica Para Deficientes Visuais</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 03:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciÃªncia]]></category>
		<category><![CDATA[Ncias]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectivas]]></category>
		<category><![CDATA[Qualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[ ... a escrita de equaÃ§Ãµes quÃ­micas que representam reaÃ§Ãµes quÃ­micas; </p> <p>Â·Â Â Â Â Â Â Â Â  a explicaÃ§Ã£o da estrutura dos <b>grupos</b> funcionais.</p> <p>. <strong>Diagramas</strong></p> <p>Â </p> <p>Os diagramas sÃ£o uma ajuda inestimÃ¡vel para a  ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O estudo de quÃ­mica</strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>A quÃ­mica ajuda a compreender o mundo que nos rodeia, permitindo tomar consciÃªncia do que nÃ£o pode ser facilmente representado. Assim, a aquisiÃ§Ã£o e compreensÃ£o dos conhecimentos bÃ¡sicos inerentes a estas disciplinas Ã© de grande importÃ¢ncia e a sua omissÃ£o traduz uma lacuna na informaÃ§Ã£o e formaÃ§Ã£o do aluno deficiente visual. O seu ensino nÃ£o terÃ¡ como objetivo transformar os alunos em cientistas, mas fazer com que compreendam alguns fatos da vida diÃ¡ria.</p>
<p>O estudo da quÃ­mica e outras ciÃªncias abre-lhes perspectivas no campo da escolha de profissÃµes. NÃ£o hÃ¡ razÃ£o para que um deficiente visual nÃ£o seja capaz de trabalhar num laboratÃ³rio quÃ­mico .</p>
<p>Para tal, deve dominar as bases do conhecimento e mÃ©todo <span id="more-4395"></span> cientÃ­fico e hÃ¡ necessidade de equipamento especial, mÃ­nimo, bom espaÃ§o de laboratÃ³rio, paciÃªncia e autoconfianÃ§a. Na realidade da escola em que se trabalha nÃ£o existirÃ£o as condiÃ§Ãµes ideais no laboratÃ³rio, mas as dificuldades poderÃ£o ser diluÃ­das se todos estiverem empenhados.</p>
<p>As condiÃ§Ãµes particulares do aluno devem ser tomadas em consideraÃ§Ã£o e o professor deve saber que vai encontrar: </p>
<p>Â·Â Â experiÃªncias e conhecimentos antecipados incompletos (medo de trabalhar com lÃ­quidos, fogo, gÃ¡s, vidro, mÃ¡quinas, etc.); </p>
<p>Â·Â Â possibilidades de observaÃ§Ã£o diferentes: </p>
<p>Â·Â Â menos motivaÃ§Ã£o das observaÃ§Ãµes e desenvolvimento das tÃ©cnicas; </p>
<p>Â·Â Â dificuldades na apreciaÃ§Ã£o da quantidade e qualidade dos produtos. </p>
<p>Â </p>
<p><strong>AdaptaÃ§Ã£o de material</strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>Existem muitos trabalhos prÃ¡ticos que podem ser realizados por deficientes visuais no campo da quimica; outros hÃ¡ que Ã© completamente impossÃ­vel. </p>
<p>A maioria dos problemas criados, na tentativa de fazer trabalhos prÃ¡ticos e demonstraÃ§Ã£o de experiÃªncias a alunos deficientes visuais Ã© Ã³bvia. Regra geral, nÃ£o hÃ¡ ajuda especial, nem aparelhos especiais construÃ­dos. Em alternativa, podem fazer-se algumas modificaÃ§Ãµes simples, nos aparelhos normais de laboratÃ³rio nalguns aspectos bÃ¡sicos. </p>
<p>Uma grande parte das experiÃªncias pode ser feita com o mÃ­nimo de modificaÃ§Ãµes ou atÃ© sem nenhuma. Quando houver necessidade de algum equipamento adaptado para o uso do aluno deficiente visual, deverÃ¡ ser analisado com ele o tipo de adaptaÃ§Ã£o, a eficÃ¡cia da mesma, bem como com o resto da turma, para que todos se sintam empenhados no bom funcionamento da aula. como com o resto da turma, para que todos se sintam empenhados no bom funcionamento da aula.</p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p><strong>A grafia quÃ­mica braille </strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>A grafia quÃ­mica Braille permite, igualmente, a escrita da representaÃ§Ã£o de: </p>
<p>Â·Â Â Â Â Â Â Â Â  Ã¡tomos ou grupos de Ã¡tomos que constituem as molÃ©culas; </p>
<p>Â·Â Â Â Â Â Â Â Â  indicaÃ§Ã£o do tipo de ligaÃ§Ã£o entre Ã¡tomos ou grupos de Ã¡tomos; </p>
<p>Â·Â Â Â Â Â Â Â Â  a escrita de equaÃ§Ãµes quÃ­micas que representam reaÃ§Ãµes quÃ­micas; </p>
<p>Â·Â Â Â Â Â Â Â Â  a explicaÃ§Ã£o da estrutura dos grupos funcionais.</p>
<p>. <strong>Diagramas</strong></p>
<p>Â </p>
<p>Os diagramas sÃ£o uma ajuda inestimÃ¡vel para a compreensÃ£o da literatura cientÃ­fica. Estes sÃ£o cada vez mais usados em Braille e, com materiais acessÃ­veis, podemos obter e utilizar com o aluno deficiente visual representaÃ§Ãµes que permitam a compreensÃ£o de determinados conceitos.Ã‰ um grande auxÃ­lio e muitas vezes compensa a impossibilidade de usar o quadro, como ajuda comum visual. HÃ¡ que ter a certeza de que os diagramas estÃ£o bem representados, sem grandes quantidades de informaÃ§Ã£o.</p>
<p>Os alunos tÃªm de ser cuidadosamente introduzidos na tÃ©cnica de ler diagramas e Ã s vezes alguma ajuda na interpretaÃ§Ã£o dos mesmos Ã© necessÃ¡ria com cada diagrama novo.</p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p><strong>Trabalho em grupo</strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>Pequenos grupos de trabalho podem, contudo, ser de grande utilidade para situaÃ§Ãµes difÃ­ceis ou impossÃ­veis de &#8220;visualizar&#8221; a alunos deficientes visuais. Â </p>
<p>Normalmente, o trabalho experimental aos pares ou em grupos pequenos Ã© vantajoso quando as dificuldades dos diferentes participantes sÃ£o clarificadas desde o inÃ­cio e a tentativa de resoluÃ§Ã£o exige colaboraÃ§Ã£o mÃºtua, partilhando idÃ©ias e ajudas.</p>
<p>Trabalhando com um colega, o aluno cego pode recordar e confrontar dados, fazer cÃ¡lculos, tomar notas, enquanto o seu colega se encarrega de tarefas onde ele nÃ£o pode colaborar.</p>
<p>Ã‰ importante que, tal como os outros alunos, o aluno cego tenha, no inÃ­cio da aula, a informaÃ§Ã£o escrita dos objetivos do trabalho experimental, do material e substÃ¢ncias a utilizar, bem como a integraÃ§Ã£o dos conhecimentos teÃ³ricos no aspecto prÃ¡tico. InstruÃ§Ãµes claras, em Braille, devem estar preparadas para o aluno saber como proceder. As dificuldades, por ele encontradas na prÃ¡tica devem ser detectadas e resolvidas.</p>
<p>Â <strong><br /></strong></p>
<p><strong>ConclusÃ£o</strong></p>
<p>Â </p>
<p>A realidade escolar que o aluno deficiente visual enfrenta ainda nÃ£o estÃ¡ adequada para promover suaÂ  inclusÃ£o. O Brasil se comprometeu a oferecer educaÃ§Ã£o inclusiva pela LDB e pela declaraÃ§Ã£o de Salamanca, porÃ©m, essa proposta tem encontrado vÃ¡rios obstÃ¡culos, posto que a falta de professoresÂ  habilitados, a falta de conhecimento da comunidadeÂ  escolar quanto Ã s possibilidades que esta proposta oferece e a nÃ£o exigÃªncia de preparo profissional para o trabalho com esses alunos, retardam a oferta de </p>
<p>respostas educativas que atendam as necessidades educacionais especiais.</p>
<p>Para efetivar a educaÃ§Ã£o inclusiva nas escolas brasileiras Ã© necessÃ¡rio, alÃ©m de polÃ­ticas que garantam a implantaÃ§Ã£o da proposta,a reestruturaÃ§Ã£o das escolas para acomodar e auxiliar os alunos em sua vida escolar, bem como oferecer meios de para que os professores se atualizem e se adaptem Ã  nova forma de trabalho.</p>
<p>Por este trabalho percebe-se que a quÃ­mica nÃ£o Ã© um empecilho para o ensino Ã  deficientes visuais, porÃ©m devemos capacitar os professores para questÃµes possam oferecer um ensino de qualidade.</p>
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		<title>Drauzio Varella</title>
		<link>http://www.bigpoz.com/2009/05/drauzio-varella/4341</link>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 14:12:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciÃªncia]]></category>
		<category><![CDATA[Deos]]></category>
		<category><![CDATA[Drauzio Varella]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>

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		<description><![CDATA[ ...  PÃ©rsia - atualmente IrÃ£ - atÃ© os limites das montanhas do Pamir e do sul da RÃºssia.<br /><br /><br /><br />Esse <b>grupo</b> ampliou a agricultura de grÃ£os, criaÃ§Ã£o de animais, construÃ§Ã£o de casas, difundiu uma diversidade de objetos e ferramentas ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DRAUZIO VARELLA</p>
<p>O mÃ©dico contratado da Rede Globo de TelevisÃ£o, Drauzio Varella, fala sobre um assunto polÃªmico, controverso e de muitas nuanÃ§as que cientistas tentam explicar, mas nÃ£o conseguiram a atingir seus objetivos. Em artigo publicado na Internet ele afirma o seguinte: Ã‰ramos todos negros â€“ â€œA vocÃª que se orgulha da cor da prÃ³pria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: nÃ£o seja ridÃ­culoâ€. QuerÃ­amos de antemÃ£o dizer ao Dr. em epÃ­grafe que ele nÃ£o Ã© dono da verdade e nÃ£o tÃªm o direito de soltar o verbo e cognominar todas as pessoas de ridÃ­culas. AliÃ¡s, citado mÃ©dico sente-se orgulhoso, portentoso por estar no Ã©cran da &#8211; Globo. Faz a seguinte conotaÃ§Ã£o em sua matÃ©ria: <span id="more-4341"></span> â€œAtÃ© ontemâ€ , Ã©ramos todos negros. VocÃª dirÃ¡: se gorilas e chimpanzÃ©s, nossos parentes mais chegados, tambÃ©m o sÃ£o, e se os primeiros hominÃ­deos nasceram justamente na Ãfrica negra hÃ¡ 5 milhÃµes de anos, qual a novidade? A novidade Ã© que nÃ£o me refiro aos antepassados remotos, do tempo das cavernas (em que medÃ­amos um metro de altura), mas a populaÃ§Ãµes europÃ©ias e asiÃ¡ticas com aparÃªncia fÃ­sica indistinguÃ­vel da atual. Trinta anos atrÃ¡s, quando as tÃ©cnicas de manipulaÃ§Ã£o do DNA ainda nÃ£o estavam disponÃ­veis, Luca Cavalli-Sforza, um dos grandes geneticistas do sÃ©culo 20, conduziu um estudo clÃ¡ssico com centenas de grupos Ã©tnicos espalhados pelo mundo. Com base nas evidÃªncias genÃ©ticas encontradas e nos arquivos paleontolÃ³gicos, Cavalli-Sforza concluiu que nossos avÃ³s decidiram emigrar da Ãfrica para a Europa hÃ¡ meros 100 mil anos.<br />Como os deslocamentos eram feitos com grande sacrifÃ­cio, sÃ³ conseguiram atingir as terras geladas localizadas no norte europeu cerca de 40 mil anos atrÃ¡s.</p>
<p>A adaptaÃ§Ã£o a um continente com invernos rigorosos teve seu preÃ§o. Como o faz desde os primÃ³rdios da vida na Terra sempre que as condiÃ§Ãµes ambientais mudam, a foice impiedosa da seleÃ§Ã£o natural ceifou os mais frÃ¡geis. Quem eram eles? Filhos e netos de negros africanos, nÃ´mades, caÃ§adores, pescadores e pastores que se alimentavam predominantemente de carne animal. Dessas fontes naturais absorviam a vitamina D, elemento essencial para construir ossos fortes, sistema imunolÃ³gico eficiente e prevenir enfermidades que vÃ£o do raquitismo Ã  osteoporose; do cÃ¢ncer, Ã s infecÃ§Ãµes, ao &#8211; diabetes e Ã s complicaÃ§Ãµes cardiovasculares. HÃ¡ 6.000 anos, quando a agricultura se disseminou pela Europa e fixou as famÃ­lias a terra, a dieta se tornou sobretudo vegetariana. De um lado, essa mudanÃ§a radical tornou-as menos dependentes da imprevisibilidade da caÃ§a e da pesca; de outro, ficou mais problemÃ¡tico o acesso Ã s fontes de vitamina D. Para suprir as necessidades de cÃ¡lcio do esqueleto e garantir a integridade das demais funÃ§Ãµes da vitamina D, a seleÃ§Ã£o natural conferiu vantagem evolutiva aos que desenvolveram um mecanismo alternativo para obter esse micronutriente: a sÃ­ntese na pele mediada pela absorÃ§Ã£o das radiaÃ§Ãµes ultravioletas da luz do sol. A dificuldade da pele negra de absorver raios ultravioletas e a necessidade de cobrir o corpo para enfrentar o frio deu origem Ã s forÃ§as seletivas que privilegiaram a sobrevivÃªncia das crianÃ§as com menor concentraÃ§Ã£o de melanina na pele. As previsÃµes de Cavalli-Sforza foram confirmadas por estudos cientÃ­ficos recentes.</p>
<p>Na Universidade Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan Pritchard realizaram exames de DNA em 52 grupos de habitantes da Ãsia, Ãfrica, Europa e AmÃ©ricas. Conseguiram dividi-los em cinco grupos Ã©tnicos cujos ancestrais estiveram isolados por desertos extensos, oceanos ou montanhas intransponÃ­veis: os africanos da regiÃ£o abaixo do Saara, os asiÃ¡ticos do leste, os europeus e asiÃ¡ticos que vivem a oeste do Himalaia, os habitantes de Nova GuinÃ© e MelanÃ©sia e os indÃ­genas das AmÃ©ricas. Quando os autores tentaram atribuir identidade genÃ©tica aos habitantes do sul da Ãndia, entretanto, verificaram que suas caracterÃ­sticas eram comuns a europeus e a asiÃ¡ticos, achado compatÃ­vel com a influÃªncia desses povos na regiÃ£o. ConcluÃ­ram, entÃ£o, que sÃ³ Ã© possÃ­vel identificar indivÃ­duos com grandes semelhanÃ§as genÃ©ticas quando descendem de populaÃ§Ãµes isoladas por barreiras geogrÃ¡ficas que impediram a miscigenaÃ§Ã£o. No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsÃ¡vel pelo aparecimento da pele branca europÃ©ia. Num estudo publicado na revista &#8220;Science&#8221;, o grupo de Keith Cheng seqÃ¼enciou esse gene em europeus, asiÃ¡ticos, africanos e indÃ­genas do continente americano. Tomando por base o nÃºmero e a periodicidade das mutaÃ§Ãµes ocorridas, os cÃ¡lculos iniciais sugeriram que as variantes responsÃ¡veis pelo clareamento da pele estabeleceram-se nas populaÃ§Ãµes europÃ©ias hÃ¡ apenas 18 mil anos. No entanto, como as margens de erro nessas estimativas sÃ£o apreciÃ¡veis, os pesquisadores tomaram a iniciativa de seqÃ¼enciar outros genes, localizados em Ã¡reas vizinhas do genoma. Esse refinamento tÃ©cnico permitiu concluir que a pele branca surgiu na Europa, num perÃ­odo que vai de 6.000 a 12 mil anos atrÃ¡s. A vocÃª, leitor, que se orgulha da cor da prÃ³pria pele (seja ela qual for), tenho apenas um conselho: nÃ£o seja ridÃ­culo.</p>
<p>Doutor Drauzio Varella &#8211; nÃ£o somos e nem seremos ridÃ­culos e nem temos direito de aceitar essa discriminaÃ§Ã£o feita por um estudioso e que se supÃµe tenha a Ã©tica devida para lidar com o ser humano. Em determinadas conotaÃ§Ãµes feita em sua matÃ©ria concordamos com o que foi dito, mas que a raÃ§a nÃ£o foi Ã  causadora da mistificaÃ§Ã£o e responsÃ¡vel pela formaÃ§Ã£o de outras raÃ§as. Sabemos que a raÃ§a negra foi uma das primeiras raÃ§as a povoar o orbe terrestre, mas nÃ£o teve a primazia de ser a Ãºnica. A histÃ³ria do homem comeÃ§a a cerca de 6 milhÃµes de anos, quando aconteceu uma bifurcaÃ§Ã£o entre antropÃ³ides (ancestral comum de macacos e o homem) e os hominÃ­deos. A mais importante mudanÃ§a adaptativa foi Ã  postura ereta. O ancestral aceito como mais antigo Ã© o Australopithecus anamensis, de cerca de 4,1 milhÃµes de anos. Ainda estÃ¡ por se descobrir se o Sahelanthropus tchadensis Ã© um hominÃ­deo ou um gorila fÃ³ssil. Sua idade Ã© de 6 a 7 milhÃµes de anos! O gÃªnero humano tem a sua histÃ³ria, mas varia de pesquisador a pesquisador, isto por sermos imperfeitos jamais poderemos chegar Ã s mesmas conclusÃµes e sempre existirÃ¡ um diferencial. Aproveitando um gancho que a Doutrina espÃ­rita nos oferece temos a dizer o seguinte: â€œEm cÃ¡lculos geolÃ³gicos, a Terra surgiu hÃ¡ 4,5 bilhÃµes de anosâ€. De acordo com AndrÃ© Luis, em EvoluÃ§Ã£o em Dois Mundos, hÃ¡ 1,5 bilhÃµes de anos apareceram Ã s primeiras cÃ©lulas e sÃ³ por volta de 200 mil anos nossa espÃ©cie teve inÃ­cio. Por fim, os registros mais antigos da civilizaÃ§Ã£o datam de apenas 6 mil anos A evoluÃ§Ã£o dos antropÃ³ides ao homem nÃ£o foi linear. Uma grande variedade de espÃ©cies foi surgindo e se extinguindo no decorrer de milhÃµes de anos.</p>
<p>Um exemplo sÃ£o os comedores de vegetais Robustus, com seus grandes molares e fortes mÃºsculos. HÃ¡ 2 milhÃµes de anos, eles conviveram na Ãfrica com o Homo habilis, primeiro do nosso prÃ³prio gÃªnero, o homo. A grande Ã¡rvore dos hominÃ­deos foi se ramificando, o galho que finalmente sobrou foi a nossa espÃ©cie, Homo sapiens, com menos de 200 mil anos. Na Europa, os Neanderthais estiveram lado a lado com os Homo Sapiens atÃ© serem extintos hÃ¡ 30 mil anos. Recentemente, a genÃ©tica literalmente mudou o rumo da histÃ³ria. Dois pesquisadores norte-americanos, Rebecca Cann, antropÃ³loga da Universidade de Berkeley, na CalifÃ³rnia, e Alan Wilson, bioquÃ­mico da mesma universidade, fizeram uma extraordinÃ¡ria descoberta, publicada num artigo da revista britÃ¢nica Nature. A partir da anÃ¡lise genÃ©tica da placenta de mulheres etnicamente diversas foi construÃ­da uma Ã¡rvore genealÃ³gica de seus ancestrais comuns. O resultado foi surpreendente. Toda a populaÃ§Ã£o da Terra, mais de 6 bilhÃµes de habitantes, descende de um pequeno grupo de negros africanos de140 mil anos &#8211; e este perÃ­odo de tempo nÃ£o Ã© suficiente para estabelecer qualquer alteraÃ§Ã£o biolÃ³gica ou de inteligÃªncia importantes na populaÃ§Ã£o humana atual.<br />A partir do grupo original, os Homo sapiens migraram pelos continentes dando origem Ã s diversas etnias. Por volta de 40 mil anos atrÃ¡s, eles percorreram grandes distÃ¢ncias.</p>
<p>Alguns deles caminharam para a China, originando os povos de cor amarela. Outros, segundo Emmanuel, povoaram continentes perdidos como AtlÃ¢ntida e LemÃºria (veja quadro na pÃ¡g. 27), e as AmÃ©ricas. Outra parte migrou para o Oriente MÃ©dio, dando origem aos povos de cor branca. As diferenÃ§as Ã©tnicas e biolÃ³gicas, geneticamente triviais, estÃ£o relacionadas Ã s condiÃ§Ãµes ambientais, os hÃ¡bitos alimentares e a separaÃ§Ã£o desses grupos por algumas dezenas de milhares de anos. Outros, segundo Emmanuel, povoaram continentes perdidos como AtlÃ¢ntida e LemÃºria (veja quadro na pÃ¡g. 27), e as AmÃ©ricas. Outra parte migrou para o Oriente MÃ©dio, dando origem aos povos de cor branca. As diferenÃ§as Ã©tnicas e biolÃ³gicas, geneticamente triviais, estÃ£o relacionadas Ã s condiÃ§Ãµes ambientais, os hÃ¡bitos alimentares e a separaÃ§Ã£o desses grupos por algumas dezenas de milhares de anos. Para a ciÃªncia atual, vÃ¡rios enigmas estÃ£o sem soluÃ§Ã£o. Um deles Ã© o rÃ¡pido surgimento das civilizaÃ§Ãµes hÃ¡ 6 mil anos. O Homo erectus viveu pelo mundo durante 2 milhÃµes de anos atÃ© sua extinÃ§Ã£o, dez vezes mais tempo que a nossa espÃ©cie. Eram caÃ§adores e consumiam muita carne vermelha. Eles cooperavam entre si, comunicava-se por gestos, conheciam os padrÃµes migratÃ³rios dos rebanhos. Desenvolveu machadinhas lascando pedras &#8211; o interessante Ã© que essas ferramentas foram utilizadas praticamente sem modificaÃ§Ãµes por um milhÃ£o de anos -, e nossa prÃ³pria espÃ©cie, Homo sapiens, fez poucas evoluÃ§Ãµes desde 200 mil atÃ© por volta de 10 mil anos. A ciÃªncia oficial nÃ£o tem explicaÃ§Ãµes, mas os textos mediÃºnicos e as regressÃµes de memÃ³ria revelam uma causa surpreendente: o salto evolutivo da humanidade foi realizado com a ajuda de espÃ­ritos expulsos de um planeta que passava por transformaÃ§Ãµes morais.</p>
<p>A tradiÃ§Ã£o dos primeiros povos e os registros espirituais, como revelou Emmanuel em A Caminho da Luz &#8211; obra cujo subtÃ­tulo Ã© exatamente A histÃ³ria da civilizaÃ§Ã£o Ã  luz do Espiritismo -, localizam esse orbe no sistema da estrela Capela ou Cabra, da constelaÃ§Ã£o de Cocheiro. &#8220;HÃ¡ muitos milÃªnios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminÃ¢ncia de um dos seus extraordinÃ¡rios ciclos evolutivos. As lutas finais de um longo aperfeiÃ§oamento estavam delineadas, como ora acontece convosco, relativamente Ã s transiÃ§Ãµes esperadas no sÃ©culo 20. Alguns milhÃµes de espÃ­ritos rebeldes lÃ¡ existiam, no caminho da evoluÃ§Ã£o geral, dificultando a consolidaÃ§Ã£o das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma aÃ§Ã£o de saneamento geral os alijaria daquela humanidade. Aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longÃ­nqua, aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coraÃ§Ã£o e impulsiona, simultaneamente, o progresso dos seus irmÃ£os inferiores&#8221;, esclareceu Emmanuel, no livro acima citado. Queremos reafirmar que sempre existirÃ£o idÃ©ias controversas entre cientistas e religiosos, mas a Doutrina EspÃ­rita tem explicaÃ§Ãµes plausÃ­veis, visto que tudo que aqui estÃ¡ escrito &#8211; foram repassados por espÃ­ritos superiores aos mÃ©diuns da Terra.  HÃ¡ mais de 10 mil anos, a maioria desses milhÃµes de espÃ­ritos reencarnou, progressivamente, no grupo humano de cor branca da regiÃ£o que posteriormente seria conhecida como PÃ©rsia &#8211; atualmente IrÃ£ &#8211; atÃ© os limites das montanhas do Pamir e do sul da RÃºssia.</p>
<p>Esse grupo ampliou a agricultura de grÃ£os, criaÃ§Ã£o de animais, construÃ§Ã£o de casas, difundiu uma diversidade de objetos e ferramentas, a escrita e os cultos religiosos. AlÃ©m de ciÃªncia, filosofia e religiÃ£o, os exilados de Capela trouxeram terrÃ­veis paixÃµes em sua bagagem. A maioria dos capelinos usou seu conhecimento para dominar os povos primitivos, estendendo por milÃªnios esses hÃ¡bitos derivados do egoÃ­smo e orgulho &#8211; causas originais da Ã­ndole rebelde e do exÃ­lio de Capela. Aos poucos eles se dividiram em tribos, respeitando os grupos sociais aos quais pertenciam em Capela. Naturalmente ocorreu uma explosÃ£o demogrÃ¡fica, e eles migraram pelos continentes encontrando outros humanos que lÃ¡ habitavam. As figuras bÃ­blicas de AdÃ£o e Eva simbolizam esses acontecimentos, pois quando expulsos do paraÃ­so, povoaram a Terra, momento em que seus descendentes encontraram outros povos. Os espÃ­ritos exilados deram origem a quatro principais grupos: as castas da Ãndia, a civilizaÃ§Ã£o do Egito antigo, os arianos dos povos indo-europeus e o povo de Israel, os hebreus. AlÃ©m disso, povoaram a SumÃ©ria (regiÃ£o sul da MesopotÃ¢mia), e alguns reencarnaram na China milenar, entre outras naÃ§Ãµes. Foram eles os responsÃ¡veis por dar um grande impulso no conhecimento para toda humanidade. PoderÃ­amos acrescentar ainda a esse rol os Ãrias percorrendo a Europa, O EspÃ­rito da Ãndia, A fantÃ¡stica CivilizaÃ§Ã£o do Nilo, e o futuro da humanidade. Aos poucos, os espÃ­ritos exilados de Capela e os nativos da Terra promoveram uma miscigenaÃ§Ã£o espiritual. Certamente, alguns sacerdotes brahmins renasceram pÃ¡rias. JÃ¡ nÃ£o faz sentido distinguir as pessoas pela cor, ocupaÃ§Ã£o ou condiÃ§Ã£o social. Todos pertencem Ã  humanidade universal. NÃ£o basta evoluÃ§Ã£o tecnolÃ³gica e de instruÃ§Ã£o, uma civilizaÃ§Ã£o sÃ³ estarÃ¡ completa pelo desenvolvimento moral.</p>
<p>Â </p>
<p>&#8220;VocÃªs acreditam ser mais adiantados pelas suas grandes descobertas, maravilhosas invenÃ§Ãµes, por morar e se vestir melhor do que os selvagens. Todavia, nÃ£o podem verdadeiramente se chamarem civilizados senÃ£o quando houver banido de sua sociedade os vÃ­cios que a desonram e quando viverem como irmÃ£os, praticando a caridade cristÃ£. AtÃ© entÃ£o, serÃ£o apenas povos esclarecidos, tendo percorrido somente a primeira fase da civilizaÃ§Ã£o&#8221;, explicaram os EspÃ­ritos, em O Livro dos EspÃ­ritos. (Alguns ou a maioria dos dados anunciados foram extraÃ­dos da Revista Universo EspÃ­rita (PublicaÃ§Ãµes LachÃ¢tre) Jesus encarnou na Terra para esclarecer essa verdade, superando os equÃ­vocos das primeiras civilizaÃ§Ãµes). O Espiritismo surgiu para retomar as idÃ©ias do mestre. A soluÃ§Ã£o parece simples. A chave do progresso individual estÃ¡ na mÃ¡xima &#8220;conhece a ti mesmo&#8221;; e os deveres sociais no preceito de amor ao prÃ³ximo ensinado por Jesus. Depois Kardec explicou que a prÃ¡tica dessa sabedoria se dÃ¡ pela caridade. Ã‰ apenas isso. Logo, nosso mundo passarÃ¡ por uma transformaÃ§Ã£o como aquela que ocorreu a 10 mil anos no orbe de Capela. &#8220;O coraÃ§Ã£o e o amor tÃªm de caminharem unidos Ã  ciÃªncia. Sim, meus filhos, o mundo estÃ¡ abalado. Dobrai-vos Ã  rajada que anuncia a tempestade, a fim de nÃ£o serdes derrubados. (&#8230;) A revoluÃ§Ã£o que se apresenta Ã© antes moral do que material&#8221;, esclareceu o EspÃ­rito FÃ©nelon, em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Infelizmente, aquele que insistir em seus defeitos vai continuar sua evoluÃ§Ã£o num outro local. SerÃ£o muitos os exilados da Terra! Sua tarefa serÃ¡ estabelecer a civilizaÃ§Ã£o num distante planeta primitivo, orbitando uma entre bilhÃµes de estrelas que vemos no cÃ©u.</p>
<p>Dr. Drauzio Varella respeitamos seu estudo de pesquisa e seu ponto de vista, mas como todo bem estudioso tem que ouvir outras versÃµes e principalmente por inspiraÃ§Ãµes divinas que sobrepÃµem Ã s humanas. Resolvemos rebater o seu escrito, sÃ³ por uma frase mÃ¡ colocada &#8211; Ã‰ramos todos negros â€“ â€œA vocÃª que se orgulha da cor da prÃ³pria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: nÃ£o seja ridÃ­culoâ€. NÃ³s espÃ­ritas nunca discriminamos nenhuma raÃ§a, pois nos consideramos irmÃ£os de vida material e espiritual.</p>
<p>ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI-ALOMERCE E AOUVIR.</p>
<p></p>
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		<title>Juventude, Cultura, Vulnerabilidade E PolÃ­ticas PÃºblicas</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jan 2008 04:20:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciÃªncia]]></category>
		<category><![CDATA[Kehl]]></category>
		<category><![CDATA[Mundial Da Juventude]]></category>
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		<description><![CDATA[ ... segmento de seu amplo pÃºblico-alvo. No Brasil, as polÃ­ticas pÃºblicas voltadas para a juventude se concentram em determinados <b>grupos</b>, na maioria dos casos, os considerados em situaÃ§Ãµes de risco ou envolvidos em conflito comÂ  a lei, sem levar em  ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JUVENTUDE, CULTURA, VULNERABILIDADE E POLÃTICAS PÃšBLICAS</strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>Ivonete Sacramento</p>
<p>Magali Santos Ferreira*</p>
<p>Marta quadros Fernandes**</p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p><strong>INTRODUÃ‡ÃƒO</strong>Â </p>
<p>Ser jovem nos dias de hoje nÃ£o Ã© uma tarefa fÃ¡cil: a pobreza, o desemprego, a falta de perspectivas de um futuro melhor sÃ£o alguns desafios enfrentados pelo jovem neste sÃ©culo. Mas, diferente do que se reproduz no senso comum, os jovens nÃ£o sÃ£o sinÃ´nimo de problema. Ã‰ o que constatou o Relato Mundial da Juventude 2005.</p>
<p>As polÃ­ticas pÃºblicas adotadas no mundo e, especificamente, no Brasil necessitam mudar a visÃ£o de juventude, para que os jovens tenham oportunidade de participar ativamente da sociedade em que estÃ£o inseridos.</p>
<p>Procurando ampliar as discussÃµes acerca da juventude brasileira, neste artigo, tomaram-se por base alguns artigos da DrÂª Maria Rita Kehl, reunidos com o tÃ­tulo <span id="more-4391"></span> de <em>A juventude como sintoma da cultura</em> e outro, das autoras Mary G. Castro e Miriam Abramovay, cujo tÃ­tulo Ã© <em>Juventude no Brasil â€“ Vulnerabilidades negativas e positivas, desafiando enfoque de polÃ­ticas pÃºblicas</em>. A abordagem aqui realizada tambÃ©m foi enriquecida com alguns trechos de depoimentos expressos, em uma redaÃ§Ã£o escolar, por alguns adolescentes com idade entre 15 e 17 anos, estudantes da segunda sÃ©rie do Ensino MÃ©dio do ColÃ©gio Estadual Kleber Pacheco de Oliveira (2006). O recorte foi dado, portanto, aos aspectos da adolescÃªncia, cultura e vulnerabilidade. Cada um destes conceitos serÃ¡ relembrado no decorrer do texto</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>JUVENTUDE E CULTURA</strong></p>
<p>NÃ£o Ã© possÃ­vel refletir sobre o jovem isolando-o da sociedade em que estÃ¡ inserido. As relaÃ§Ãµes sociais existentes na sociedade imprimem as suas marcas culturais as quais definirÃ£oÂ  como o perfil do adolescente irÃ¡ se configurar resultando daÃ­ a base para a vida adulta.</p>
<p>VÃ¡rios autores alertam que existem diferentes juventudes, a depender da situaÃ§Ã£o, vivÃªncias, referÃªncias subjetivas e grupais e identidades sociais. Para Bourdieu (1984, <em>apud</em> Castro e Abramovay, 2005, p. 58) o conceito de juventude Ã© construÃ­do socialmente, nÃ£o se podendo falar do jovem como se ele fosse uma unidade social, um grupo constituÃ­do com interesses comuns.</p>
<p>Castro e Abramovay (2005, p. 58) salientam que o conceito de juventude Ã©, em principio provisÃ³rio. Geralmente se refere ao corte de 15 a 24 ou de 15 a 19 anos (conceito demogrÃ¡fico com aportes de psicologia, da antropologia e da sociologia). Mas o que Â proporcionarÃ¡ uma maior compreensÃ£o da multiplicidade do real Ã© o aprofundamento da anÃ¡lise e a compreensÃ£o sobre significados, construÃ§Ãµes simbÃ³licas, relaÃ§Ãµes sociais estabelecidas pelos jovens, identidades elaboradas com base em gÃªnero, estrato socioeconÃ´mico, raÃ§a e etnicidade, entre outras referÃªncias.</p>
<p>O reconhecimento de que existem juventudes possibilita uma discussÃ£o sobre as representaÃ§Ãµes sociais a respeito dos jovens na contemporaneidade. Ã‰ preciso admitir que hÃ¡ diferentes formas de considerar os jovens, como hÃ¡ diferentes maneiras de eles se afirmarem como sujeitos, levando em conta, inclusive, diferentes organizaÃ§Ãµes sociais de referÃªncia, a exemplo da escola, a famÃ­lia, o Estado e a mÃ­dia.</p>
<p>Conforme Saito (s.d.), a adolescÃªncia Ã© um perÃ­odo extremamente relevante para a construÃ§Ã£o do sujeito individual e social, devendo ser, porÃ©m, considerada sua vulnerabilidade e risco. Segundo essa mesma autora, â€œa adolescÃªncia Ã© praticamente Ãºnica, singular para cada umâ€ o que a diferencia da puberdade, fenÃ´meno que ocorre com muita semelhanÃ§a em todos os indivÃ­duos. Geralmente essa singularidade nÃ£o Ã© levada em conta quando se depara, principalmente, com aqueles jovens considerados problemÃ¡ticos no seu grupo social. A depender da histÃ³ria de vida e dos hÃ¡bitos culturais adquiridos, cada jovem se vÃª como ser Ãºnico e irÃ¡ reagir de maneira diferenciada de outros da mesma idade frente aos desafios e acerca das cobranÃ§as dos adultos.</p>
<p>â€œQuando somos jovens estamos na fase que acabamos de ser crianÃ§as, ainda estamos acostumados com a confianÃ§a da famÃ­lia (&#8230;) passamos a enfrentar muita crÃ­tica pelos nossos atos, como por exemplo, o modo de falar (&#8230;),o comportamento, a falta de experiÃªncia.â€ Â (I., estudante da 2Âª sÃ©rie / Ens. MÃ©dio, do Col. Est. Kleber P. de Oliveira)</p>
<p>â€œÃ‰ uma fase tambÃ©m um pouco complicada porque a gente passa de um mundo da infÃ¢ncia, que Ã© uma fase sem responsabilidades, e passamos para a juventude, uma fase de muitas responsabilidades, e dessas responsabilidades vem os erros e acertos da vida. Mas eu acredito que Ã© nesses erros e acertos que nÃ³s aprendemos a viverâ€. (J.C. , idem).</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  A relaÃ§Ã£o dos jovens com a sociedade pÃ³s-moderna se dÃ¡ de modo um tanto conflituoso uma vez que prevalecem os estereÃ³tipos destes como incapazes, rebeldes e, muitas vezes, irresponsÃ¡veis. Mas, se de um lado, eles aparecem como seres problemÃ¡ticos que transitam entre a infÃ¢ncia e a vida adulta; por outro, transformaram-se numâ€objeto de desejoâ€ da indÃºstria cultural. Ã‰ um processo que se fortaleceu a partir da dÃ©cada de 1990, quando as empresas responsÃ¡veis pelas pesquisas de mercado saÃ­ram â€œÃ  caÃ§aâ€ das tendÃªncias de consumo. Fontenele, 2004, p. 63) afirma que essas empresas tentam fazer uma mediaÃ§Ã£o mais direta entre uma forma de expressÃ£o cultural â€“ especialmente da cultura jovem â€“ e uma prÃ¡tica de consumo. Em outras palavras, transformar cultura em mercadoria. Desse modo, os jovens passam a ser considerados os â€œnichosâ€ do mercado, pois inspiram tendÃªncias para as quaisÂ  eles mesmos serÃ£o os consumidores.</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â A anÃ¡lise de Rassial nos ajuda a compreender o lugar privilegiado do adolescente como consumidor, em <em>todas as classes sociais</em>. Caros ou baratos, vendidos em <em>shoppings</em> ou em camelÃ´s, os acessÃ³rios compÃµem a mascarada adolescente, funcionando como objetos transicionais que ajudam na difÃ­cil tarefa de reinscrever esse novo corpo, estranho atÃ© para o prÃ³prio sujeito, nesse lugar entre a infÃ¢ncia e a vida adulta que ele passa a habitar. (Kehl, s.d., p. 95)</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Essa relaÃ§Ã£o com o mercado consumidor se dÃ¡ paralelamente a uma outra. Como o conceito de juventude se tornou, segundo Kehl (s.d., p.89), â€œbem elÃ¡stico: dos 18 aos 40, todos os adultos sÃ£o jovensâ€, esses mesmos adolescentes servem, ainda, de modelos para os adultos que querem retardar o envelhecimento. Estes, nas Ãºltimas dÃ©cadas, passaram a consumir o mesmo vestuÃ¡rio e adereÃ§os daqueles e ainda adotaram idÃªnticos estilos e linguagem. No desejo de continuarem jovens, se comportam como tais e sÃ£o incapazes de exercer o papel de autoridade e impor limites. Tal comportamento dos adultos traz uma lacuna no referencial do mundo adulto, tÃ£oÂ  importante para servir de parÃ¢metro para a vida dos adolescentes. Segundo Caniato e Cesnik (2005),</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Esses (adultos) ao abandonarem seus lugares de autoridade, deixam os jovens com suporte afetivo e identificatÃ³rio frÃ¡geis e, conseqÃ¼entemente, a demarcaÃ§Ã£o de referenciais, parÃ¢metros e limites necessÃ¡rios Ã  construÃ§Ã£o da subjetividade e identidade dos adolescentes Ã© precariamente estabelecida.Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Havendo tal carÃªncia para uma sÃ³lida formaÃ§Ã£o dos adolescentes, como a sociedade adulta poderÃ¡ lhes cobrar valores nÃ£o transmitidos? Pode-se esperar que os futuros adultos, devido ao hiato existente na passagem da sua juventude para a maturidade, demonstrem instabilidade ao se depararem com situaÃ§Ãµes adversas, sendo mais fÃ¡ceis de se exporem aos vÃ­cios e Ã s mÃ¡s companhias, como se constata no trecho a seguir.</p>
<p>â€œO lado ruim de ser jovem Ã© que Ã s vezes por nÃ£o ter uma base familiar muito forte, torna-se uma jovem muito fÃ¡cil de se manipular, uma pessoa que pode fazer maus amigos e entrar no mundo do crime e das drogas(&#8230;) uma base familiar forte e unida Ã© muito importante nos dias de hojeâ€. (G., estudante da 2Âª sÃ©rie / Ens. MÃ©dio, do Col. Est. Kleber P. de Oliveira).</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  VÃª-se a importÃ¢ncia, portanto, de a famÃ­lia, a escola e demais organismos sociais lanÃ§arem aos jovens um olhar diferenciado, ouvindo-os e dando-lhes a oportunidade de atuarem como sujeitos nas diversas instÃ¢ncias da sociedade. Eles formam uma grande parcela da populaÃ§Ã£o do paÃ­s e sÃ£o responsÃ¡veis por pressionar a economia para a criaÃ§Ã£o de novos postos de trabalho. Como nÃ£o logramÂ  da especial atenÃ§Ã£o por parte daqueles grupos citados acima e dos responsÃ¡veis diretosÂ  pelo planejamento nacional, ficam expostos Ã s situaÃ§Ãµes conflitantes e desintegradoras da personalidade e tambÃ©m Ã s mais elevadas taxas de mortalidades por causas externas.Â  Â Um pouco desse assunto serÃ¡ discutido a seguir.</p>
<p><strong>JUVENTUDES E VULNERABILIDADES</strong></p>
<p>Apesar do significativo aumento da populaÃ§Ã£o juvenil brasileira na virada do sÃ©culo, o Brasil nÃ£o se preparou para atender Ã s necessidades bÃ¡sicas desses brasileiros. Faltam-lhes escolas de boa qualidade, seguranÃ§a, emprego e polÃ­ticas pÃºblicas que visem Ã  melhoria da qualidade de vida.</p>
<p>No final do sÃ©culo, a situaÃ§Ã£o Ã© outra: o crescimento da populaÃ§Ã£o juvenil ocorre num momento de mercado recessivo, forte desemprego e incremento dos problemas urbanos, o que torna ainda mais precÃ¡rias as condiÃ§Ãµes de vida da populaÃ§Ã£o em geral. (SEADE, 1998, <em>apud</em> Matheus, 2003)Â </p>
<p>Â  Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Recentemente a OrganizaÃ§Ã£o dos Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgou, em BrasÃ­lia, o â€œMapa da ViolÃªncia 2006 â€“ Os jovens do Brasilâ€ o qual deixa o Brasil ocupando a terceira posiÃ§Ã£o entre os paÃ­ses com as mais altas taxas de assassinatos de jovens no mundo. Segundo o estudo, elaborado em dados oficiais, a taxa de homicÃ­dios de jovens brasileiros, entre 1994 e 2004, cresceu a um ritmo maior de assassinatos entre a populaÃ§Ã£o total. Julio Jacobo Waiselfisz, Coordenador da OEI, durante a apresentaÃ§Ã£o do trabalho afirmou que:Â </p>
<p>Mais de vinte por cento da populaÃ§Ã£o jovem nÃ£o estuda nem trabalha. Isso significa rua, bares, Ã¡lcool, droga, transgressÃ£o de normas. Existe um jeito jovem de viver, mas tambÃ©m um jeito jovem de morrer.Â </p>
<p>Os dados da OrganizaÃ§Ã£o comprovam que tanto os problemas sociais como urbanos expÃµem a juventude a situaÃ§Ãµes de vulnerabilidade. Para Castro e Abramovay (2005, p. 56), na elaboraÃ§Ã£o de polÃ­ticas pÃºblicas relacionadas a juventudes, o conceito de vulnerabilidade deve ser considerado sob vÃ¡rios enfoques: vulnerabilidades &#8211; desigualdades sociais, problemas estruturais e possibilidades; jovens como sujeitos de direitos e atores de desenvolvimento. Acreditam que pensar as juventudes como uma simples fase de transiÃ§Ã£o e ajustamento Ã  idade adulta Ã© um dos principais obstÃ¡culos para a elaboraÃ§Ã£o de polÃ­ticas pÃºblicas voltadas para os jovens. Estes, instigados a falar sobre a situaÃ§Ã£o vivenciada, externam:</p>
<p>â€œSer jovem Ã© vocÃª correr atrÃ¡s do seu futuro sem medo de preconceitos, mesmo sabendo que Ã© uma guerra para conseguir seu primeiro emprego, ser confiante e lutar com todas as forÃ§as para conseguir seus ideaisâ€. (J., estudante da 2Âª sÃ©rie / Ens. MÃ©dio, do Col. Est. Kleber P. de Oliveira)</p>
<p>â€œO jovem quando comeÃ§a suas tentativas fica com medo de ser desvalorizado em seus esforÃ§os e isso acaba gerando atitude de incapacidade.(&#8230;) A pior dificuldade de ser jovem sÃ£o as pressÃµes familiares, a luta pelo primeiro emprego e a aceitaÃ§Ã£o consigo mesma e com os outrosâ€. (S., idem)</p>
<p>As autoras chamam a atenÃ§Ã£o sobre a necessidade da discussÃ£o acerca da importÃ¢ncia de conceber â€œvulnerabilidades positivasâ€ ou o sentido de alerta que muitas vulnerabilidades sugerem, como desencantos, buscas, pedidos de socorro, falta de referÃªncias, projetos coletivos mobilizadores, limites de uma cultura de consumo, individualismo narcÃ­seo.</p>
<p>NecessÃ¡rio se faz tambÃ©m conhecer os jovens segundo suas prÃ³prias apresentaÃ§Ãµes e saber como representam a sociedade para que sejam reconhecidas identidades com perfis socioculturais prÃ³prios, o que, por sua vez, terÃ¡ implicaÃ§Ãµes para as polÃ­ticas pÃºblicas para juventudes. Erroneamente, as polÃ­ticas pÃºblicas consideram os jovens apenas como um segmento de seu amplo pÃºblico-alvo. No Brasil, as polÃ­ticas pÃºblicas voltadas para a juventude se concentram em determinados grupos, na maioria dos casos, os considerados em situaÃ§Ãµes de risco ou envolvidos em conflito comÂ  a lei, sem levar em conta as necessidades, vontades e proposiÃ§Ã£o dos jovens.</p>
<p>Essas constataÃ§Ãµes atestam a necessidade de elaboraÃ§Ã£o de polÃ­ticas pÃºblicas com a participaÃ§Ã£o ativa dos jovens, visto que estes tÃªm capacidade de organizar-se, levantar questÃµes, propor soluÃ§Ãµes e sustentar relaÃ§Ãµes dialÃ³gicas com outros atores sociais no plano de decisÃµes programÃ¡ticas. Os prÃ³prios jovens, em sua maioria, desconhecem a existÃªncia de alguns programas a eles dirigidos elaborados por setores pÃºblicos e privados.</p>
<p>Isso se dÃ¡ porque nÃ£o hÃ¡ a devida divulgaÃ§Ã£o na mÃ­dia. Quando, por exemplo, houve o lanÃ§amento da PolÃ­tica Nacional de Juventude, em marÃ§o de 2005, pelo Governo Federal, a grande mÃ­dia destinou pouco espaÃ§o, segundo uma reportagem da AgÃªncia de NotÃ­cias dos Direitos da InfÃ¢ncia (ANDI). AlÃ©m da ampla informaÃ§Ã£o aos jovens sobre as polÃ­ticas pÃºblicas, Ã© mister o envolvimentoÂ  de toda a sociedade civil no intuito de reverter o quadro caÃ³tico que ora se apresenta envolvendo a juventude brasileira.</p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  A populaÃ§Ã£o jovem do paÃ­s constitui-se em um pÃºblico-alvo de uma sÃ©rie de estratÃ©gias, tÃ­picas de qualquer sociedade capitalista, necessÃ¡rias e/ou intencionais (<em>marketing</em>, mÃ­dia, indÃºstria de consumo e de lazer) voltadas exclusivamente para este grupo. Estando expostos a tantos apelos, fica muito difÃ­cil que os jovens nÃ£o sejam levados a atendÃª-los e, algumas vezes sofrerem por suas conseqÃ¼Ãªncias. NÃ£o Ã© possÃ­vel, muito menos, afastÃ¡-los desta ou daquela estratÃ©gia para que nÃ£o sejam influenciados. O esperado Ã© a uniÃ£o dos grupos sociais que atuam mais diretamente junto Ã  juventude (famÃ­lia, escola, organizaÃ§Ãµes civis e/ou pÃºblicas) para oferecerem condiÃ§Ãµes para os adolescentes se tornarem atores do desenvolvimento, podendo opinar criticamente sobre a construÃ§Ã£o e o destino da sociedade em que vive.</p>
<p>Â </p>
<p>___________________________________________________________________</p>
<p>*Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em PROEJA</p>
<p>** Licenciada em Letras, Especialista em PROEJA, atua no CEFET-BA nessa modalidade</p>
<p>Â Â </p>
<p><strong>REFERÃŠNCIAS</strong></p>
<p>Â </p>
<p>CANIATO, Ã‚ngela e CESNIK, Claudia Cotrim. AdolescÃªncia e resistÃªncia. In: <strong>SimpÃ³sio</strong> <strong>Internacional</strong> <strong>do</strong> <strong>Adolescente</strong>. 2005, SÃ£o Paulo (SP) [online] DisponÃ­vel em:www.scielo.br > acesso em 08/11/2006.</p>
<p>CASTRO, Mary Garcia e ABRAMOVAY, Miriam. Juventudes no Brasil â€“ Vulnerabilidades negativas e positivas, desafiando enfoques de polÃ­ticas pÃºblicas. In: <strong>FamÃ­lia, sociedade e subjetividades</strong> â€“ Uma perspectiva multidisciplinar. PetrÃ³polis, RJ: Vozes, 2005.</p>
<p>FONTENELE, Isleide A. Os caÃ§adores do <em>cool</em>. In: <strong>Lua Nova</strong>. SÃ£o Paulo, n. 63, 2004. DisponÃ­nel em: Â acesso em 08/11/2006.Â </p>
<p>KEHL, Maria Rita. A juventude como sintoma da cultura. In: <strong>Juventude e Sociedade</strong> â€“ Trabalho, educaÃ§Ã£o, cultura e participaÃ§Ã£o. Instituto Cidadania, Ed. FundaÃ§Ã£o Perseu Abramo.</p>
<p>MATHEUS, Tiago Corbisier. O discurso adolescente numa sociedade na virada do sÃ©culo. <strong>Psicol</strong>. <strong>USP</strong>, SÃ£o Paulo, vol. 14, n. 1, 2003. DisponÃ­vel em: <<a href="http://www.scielo.br/">http://www.scielo.br</a> > acesso em 08/11/2006.</p>
<p>OBSERVATÃ“RIO DA IMPRENSA. Grande mÃ­dia dÃ¡ pouco espaÃ§o Ã  polÃ­tica nacional de juventude. DisponÃ­vel em: <a href="http://www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp">http://www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp</a> acesso em 16/11/2006.</p>
<p>REUTERS, AGÃŠNCIA. Brasil Ã© o 3Âº paÃ­s com mais assassinatos de jovens no mundo. DisponÃ­vel em acesso em 16/11/2006.</p>
<p>SAITO, Maria Ignez. AdolescÃªncia, cultura, vulnerabilidade e risco. Editorial disponÃ­vel em< <a href="http://www.pediatriasaopaulo.usp/upload/html">http://www.pediatriasaopaulo.usp/upload/html</a>> Â acesso em 08/11/2006.</p>
<p>Â </p>
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		<title>A PolÃ­tica Da BioÃ©tica E Da Ã‰tica Do PatrimÃ´nio GenÃ©tico,</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Dec 2007 16:47:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ ...  (CNB) de forma urgente e urgentÃ­ssima para atender a uma reuniÃ£o internacional no interesse dos paÃ­ses do <b>grupo</b> G8.<br />

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A saÃ­da nÃ£o estÃ¡ na aprovaÃ§Ã£o deste Projeto-de-Lei 3497 /2004, de autoria dos deputados do PT Ivan Valente e ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p>Carlos A. Cursino Roriz Ã© mestre pela UnB no Centro de Desenvolvimento SustentÃ¡vel (CDS), em PolÃ­tica e GestÃ£o de Desenvolvimento SustentÃ¡vel. Artigo enviado pelo autor ao â€˜JC E-mailâ€™:</p>
<p>Segundo Volnei (JC 2762, 2005), a tentativa de criaÃ§Ã£o do Conselho de BioÃ©tica nos EUA no governo de Jimmy Carter foi fracassada, mas ao meu ver isto era esperado dada a condiÃ§Ã£o polÃ­tica em que se colocam os paÃ­ses integrantes do Grupo G8.</p>
<p>Embora fato confirmado, pode parecer estranho, mas tem sentido, que os EUA, lÃ­der das potÃªncias do G8, nÃ£o tenham se interessado desde aquela Ã©poca pela criaÃ§Ã£o da sua instituiÃ§Ã£o na responsabilidade pela atividade da Ã¡rea da BioÃ©tica.</p>
<p>Existe interesse polÃ­tico das potÃªncias sobre os <span id="more-4369"></span> dados e materiais cientÃ­ficos existentes no Brasil, assim como, existe o desinteresse pela definiÃ§Ã£o das regras do jogo a partir do interesse dos paÃ­ses possuidores de megadiversidade.</p>
<p>A institucionalizaÃ§Ã£o das atividades envolvendo a Ã©tica do patrimÃ´nio genÃ©tico poderÃ¡ impor freio e vir disciplinar as coletas de dados e materiais cientÃ­ficos no Brasil pelos paÃ­ses do Grupo G8 e OP14.</p>
<p>Afinal o que envolve a bioÃ©tica e a Ã‰tica no PatrimÃ´nio GenÃ©tico? Quem possui as maiores reservas de recursos naturais? Quem deveria ser o maior interessado pela definiÃ§Ã£o das regras do jogo?</p>
<p>Vejamos os conceitos, a demanda internacional, as reservas dos recursos naturais e a tentativa de criaÃ§Ã£o de instituiÃ§Ã£o (Projeto de Lei) vinculada Ã  PresidÃªncia da RepÃºblica.</p>
<p>De acordo com Bellino apud (Encyclopedia of Bioethics, 1978), BioÃ©tica literalmente significa â€˜Ã©tica (ethos) da vida (Bio), Ã© o estudo sistemÃ¡tico da conduta humana na Ã¡rea das ciÃªncias da vida e dos cuidados da saÃºde, na medida em que esta conduta Ã© examinada Ã  luz dos valores e princÃ­pios moraisâ€™</p>
<p>De acordo com Roriz (JC E-mail 2755, 2005), patrimÃ´nio genÃ©tico significa o conjunto de organismo vivo (e morto emenda-se aqui) e seu meio ambiente, excetuando os seres humanos. Por forÃ§a de lei o ser humano, â€˜brasileiroâ€™, nÃ£o Ã© considerado patrimÃ´nio genÃ©tico a partir da aprovaÃ§Ã£o da Medida ProvisÃ³ria 2186-16./2001 art. 3Âº.</p>
<p>Pegando-se empestadas palavras de Bellino e juntando ao nosso conceito do parÃ¡grafo anterior, defino a Ã‰tica do PatrimÃ´nio GenÃ©tico Ã  luz da legislaÃ§Ã£o brasileira em 2005, como: o estudo da conduta humana sobre os organismos: vivo e morto, nÃ£o humano e seu meio ambiente, na medida em que esta conduta Ã© examinada Ã  luz dos valores, modo de ser, e princÃ­pios morais vigente.</p>
<p>Ã‰ vigente porque a Ã©tica cujos valores, modo de ser e princÃ­pios sÃ£o mutÃ¡veis, variÃ¡veis e vulnerÃ¡veis, estÃ¡ sujeita a evoluÃ§Ã£o, transformaÃ§Ãµes e interesses.</p>
<p>Faz-se a ressalva de que a populaÃ§Ã£o indÃ­gena, podendo ser considerada uma raÃ§a, Ã© considerada pela constituiÃ§Ã£o brasileira como uma parcela diferenciada da populaÃ§Ã£o, face Ã s suas caracterÃ­sticas culturais, genÃ©ticas, sociais, etc, e sendo assim deveria ser reconhecida como patrimÃ´nio genÃ©tico.</p>
<p>Por forÃ§a do conceito, dada o prefixo â€˜Bioâ€™, a bioÃ©tica nÃ£o contempla os dados e materiais cientÃ­ficos inerte que cobre a superfÃ­cie das Ã¡guas, das florestas, dos cerrados, das matas, uma vez que esse material estando morto (nÃ£o vivo), abrange tÃ£o somente ao conceito do patrimÃ´nio genÃ©tico.</p>
<p>Esse material que tambÃ©m Ã© bÃ¡sico para estudo da nanotecnologia Ã© uma recente Ã¡rea do conhecimento das ciÃªncias, inerente Ã  gestÃ£o da CiÃªncia e Tecnologia. Por isso, deve-se prezar pelo material morto, orgÃ¢nico, inerte, como as folhagens secas da Mata atlÃ¢ntica, Cerrado e da AmazÃ´nia.</p>
<p>A Ã©tica aplicada ao patrimÃ´nio genÃ©tico abrange todos os recursos naturais, alÃ©m de servir de alerta ao comÃ©rcio ilegal no paÃ­s. O patrimÃ´nio GenÃ©tico tem sido equivocadamente denominado de biopirataria nesse comÃ©rcio ilÃ­cito.</p>
<p>Na verdade, na prÃ¡tica, a biopirataria envolve todos os dados e materiais cientÃ­ficos sejam vivo ou morto, mas o seu conceito alcanÃ§a tÃ£o somente o material vivo (Bio).</p>
<p>O termo mais adequado para esta prÃ¡tica ilÃ­cita poderia ser chamado de Genpirataria, desvio ilÃ­cito de dados e materiais genÃ©ticos de organismos, sejam vivo ou morto e seu meio ambiente.</p>
<p>O paÃ­s poderÃ¡ estÃ¡ perdendo milhÃµes de dÃ³lares no comÃ©rcio ilegal da genpirataria para instituiÃ§Ãµes pÃºblicas e privadas estrangeiras por meio da ajuda de brasileiros que coletam esses dados e materiais de Ã¡reas pÃºblicas e privadas.</p>
<p>Existem possibilidades do envio dessas coletas em pacotes para o exterior atravÃ©s de diversos meios de transportes disponÃ­veis no paÃ­s.</p>
<p>Exemplificando, um quilo de material inerte da superfÃ­cie do solo brasileiro enviado sistematicamente para o exterior, para ser analisado por um laboratÃ³rio especializado em nanotecnologia pode significar alto e lucrativo comÃ©rcio e constantes prejuÃ­zos brasileiro.</p>
<p>Sendo assim, ao se confrontar a definiÃ§Ã£o da BioÃ©tica com a Ã‰tica do PatrimÃ´nio GenÃ©tico, a bioÃ©tica tem seu conceito mais limitado ainda que inclua os estudos sobre os Seres Humanos.</p>
<p>Mas esta inclusÃ£o acaba se anulando por existir a ComissÃ£o Nacional de Ã‰tica em Pesquisa (Conep) responsÃ¡vel por este tipo de organismo vivo.</p>
<p>A ComissÃ£o Nacional de Ã‰tica do PatrimÃ´nio GenÃ©tico poderÃ¡ trabalhar de forma semelhante a Conep, e de forma integrada com: o Conselho Nacional de GestÃ£o do PatrimÃ´nio GenÃ©tico, alÃ©m de abranger o Ibama, os postos alfandegÃ¡rios marÃ­timos e aÃ©reos, as instituiÃ§Ãµes de pesquisas e de fomento, e outras, com o objetivo de alimentar um Banco de Dados (B/D) de Ã¢mbito Nacional dos recursos naturais do paÃ­s.</p>
<p>Esse B/D Ã© fundamental para geraÃ§Ã£o de diversos indicadores de gestÃ£o da CiÃªncia e Tecnologia aos quais pouco se dÃ¡ atenÃ§Ã£o.</p>
<p>Os dados e materiais cientÃ­ficos inerentes ao patrimÃ´nio genÃ©tico brasileiro sÃ£o de extrema importÃ¢ncia e valor, e representa alta demanda pelos paÃ­ses integrantes do G8.</p>
<p>PaÃ­ses em estado econÃ´mico atrasado sÃ£o mencionados nas pesquisas como aqueles que mantiveram atÃ© o nosso tempo nÃ­veis de conservaÃ§Ã£o do patrimÃ´nio genÃ©tico em condiÃ§Ãµes mais naturais ou superiores aos paÃ­ses adiantados.</p>
<p>PaÃ­ses OP14, segundo (Roriz, 2003) sÃ£o catorze paÃ­ses que coletaram dados e materiais cientÃ­ficos no Brasil, no perÃ­odo de 1991 a 2001, quase na sua totalidade em parceria com o grupo G8, ou sejam: Holanda, SuÃ©cia, ColÃ´mbia, AustrÃ¡lia, Argentina, SuÃ­Ã§a, BÃ©lgica, China, Venezuela, RomÃªnia, Porto Rico, NigÃ©ria, FinlÃ¢ndia e Dinamarca. O perÃ­odo em referÃªncia diz respeito Ã  data da pesquisa junto aos arquivos do CNPq/MCT.</p>
<p>O valor dos recursos naturais encontrados em territÃ³rio brasileiro Ã© ressaltado por Picarelli e Aranha (2001), que apontaram a distribuiÃ§Ã£o da biodiversidade no planeta dizendo que 70% da diversidade biolÃ³gica se encontram em 12 paÃ­ses de megadiversidade ou sejam: Brasil, ColÃ´mbia, Equador, MÃ©xico, Peru, China, Ãndia, IndonÃ©sia, MalÃ¡sia, Madagascar, Zaire e Ãustria.</p>
<p>Sendo assim, constata-se que entre os 12 paÃ­ses que detÃ©m 70% da megadiversidade do mundo nenhum deles integra o Grupo G8, o que possibilita dizer que as reservas dos recursos naturais se concentram em paÃ­ses subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como Ã© o caso do Brasil.</p>
<p>PaÃ­ses em estado economicamente atrasado deveriam ser os maiores interessados na institucionalizaÃ§Ã£o da Ã©tica nas atividades do patrimÃ´nio genÃ©tico.</p>
<p>Os 12 paÃ­ses de megadiversidade sÃ£o aqueles que deveriam liderar a 33o. Conferencia Universal de BioÃ©tica, assessorados pelos integrantes do G8, na votaÃ§Ã£o prevista para o final deste ano de 2005.</p>
<p>Se os paÃ­ses integrantes do G8 sÃ£o os maiores interessados na coleta de dados e materiais cientÃ­ficos no paÃ­s, a sugerida ComissÃ£o Nacional de Ã‰tica do PatrimÃ´nio GenÃ©tico terÃ¡ a missÃ£o de estreitar laÃ§os de cooperaÃ§Ã£o internacional com benefÃ­cios mÃºtuos, e nÃ£o se situar em posiÃ§Ã£o exclusiva de submissÃ£o a cÃ³digo universal de Ã©tica que nÃ£o venha gerar retornos compensativos para o Brasil.</p>
<p>O caminho nÃ£o estÃ¡, simplesmente, na criaÃ§Ã£o da ComissÃ£o Nacional de BioÃ©tica (CNB) de forma urgente e urgentÃ­ssima para atender a uma reuniÃ£o internacional no interesse dos paÃ­ses do grupo G8.</p>
<p>A saÃ­da nÃ£o estÃ¡ na aprovaÃ§Ã£o deste Projeto-de-Lei 3497 /2004, de autoria dos deputados do PT Ivan Valente e Maninha. JÃ¡ existe Decreto aprovado sobre a BioÃ©tica.</p>
<p>Desde 23 de outubro de 2002 foi criada no Ã¢mbito do MinistÃ©rio da SaÃºde uma comissÃ£o denominada ComissÃ£o Nacional de BioÃ©tica em SaÃºde (CTBioÃ©tica), atravÃ©s do Decreto 4436.</p>
<p>De acordo com a consultoria jurÃ­dica da MinistÃ©rio da CiÃªncia e Tecnologia, consulta realizada por email, endereÃ§o eletrÃ´nico WEBCONJUR@mct.gov.br , o Decreto 4436/2002 estÃ¡ vigente e de conformidade com a LegislaÃ§Ã£o do Senado Federal.</p>
<p>Ao se comparar as atribuiÃ§Ãµes da comissÃ£o CTBioÃ©tica aprovada no governo de Fernando Henrique â€“ Decreto 4436/2002 , com a comissÃ£o CNB â€“ Projeto 3497/2004, no governo Lula, constata-se que ambas comissÃµes possuem termos, palavras e atribuiÃ§Ãµes quase idÃªnticas, levando a crer que a CNB foi elaborada sob inspiraÃ§Ã£o da ComissÃ£o Nacional de BioÃ©tica existente desde outubro de 2002.</p>
<p>A CNB do Projeto-de-Lei 3497/2004 apresenta atribuiÃ§Ãµes assim resumidas: 1. Acompanhar questÃµes Ã©ticas nas Ã¡reas do conhecimento da saÃºde e biologia; 2. Elaborar estudos e relatÃ³rios dos objetivos e resultados das pesquisas para assessorar os trÃªs poderes;</p>
<p>3. Emitir recomendaÃ§Ãµes sobre temas submetidos; 4.promover fÃ³runs; 5. ColaboraÃ§Ã£o internacional em questÃµes de bioÃ©tica; 6. Fazer prospecÃ§Ãµes de questÃµes Ã©ticas; 7. envidar esforÃ§os para facilitar compreensÃ£o das questÃµes Ã©ticas pela sociedade.</p>
<p>A CNBioÃ©tica em SaÃºde, criada pelo Decreto 4436/2002, apresenta atribuiÃ§Ãµes quase idÃªnticas ( compare), senÃ£o vejamos: 1. Acompanhar as questÃµes da bioÃ©tica;</p>
<p>2.Elaborar e estudos e pareceres para assessorar o Ministro da SaÃºde; 3. Emitir recomendaÃ§Ãµes sobre temas; 4.propor fÃ³runs; 5. Acompanhar questÃµes de bioÃ©tica no cenÃ¡rio nacional e internacional; 6. Elaborar regimento interno.</p>
<p>O que mais diferencia entre ambas, nÃ£o citada acima, Ã© que o Projeto-de-Lei 3487/2004 compÃµe a comissÃ£o atravÃ©s de indicaÃ§Ã£o de instituiÃ§Ãµes de elevado conceito tÃ©cnico e cujos nomes serÃ£o nomeados pelo Presidente da RepÃºblica.</p>
<p>Outro ponto Ã© que o Projeto-deâ€“Lei se predispÃµe a colaborar internacionalmente com as questÃµes Ã©ticas, enquanto que a ComissÃ£o jÃ¡ criada se predispÃµe a acompanhar essas mesmas questÃµes.</p>
<p>Ã‰ comum neste paÃ­s, criar instituiÃ§Ãµes ao invÃ©s de aproveitar a estrutura existente. Ou criar instituiÃ§Ãµes pÃºblicas cujas prerrogativas se chocam com outras instituiÃ§Ãµes vinculadas em outros ministÃ©rios.</p>
<p>Ã‰ comum criar soluÃ§Ãµes sobre esses choques de responsabilidades atravÃ©s de colegiado, comissÃµes, grupo executivo, grupo de trabalhos, etc, na esperanÃ§a de resolver os impasses polÃ­ticos entre entrelaÃ§amento de competÃªncias.</p>
<p>Em fim, a criaÃ§Ã£o da BioÃ©tica (CNB) pelo Projeto de Lei 3497/2004 irÃ¡ entrelaÃ§ar suas funÃ§Ãµes com a ComissÃ£o Nacional de Ã‰tica em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de SaÃºde (CNS), com a CTBioÃ©tica em SaÃºde do MinistÃ©rio da SaÃºde, e com o CNPq do MinistÃ©rio da CiÃªncia e Tecnologia (MCT) que fomenta, financia e aprecia projetos desta subÃ¡rea do conhecimento das ciÃªncias.</p>
<p>Portanto, a criaÃ§Ã£o da ComissÃ£o Nacional de Ã‰tica do PatrimÃ´nio GenÃ©tico (CONEPg), alcanÃ§a maior abrangÃªncia sobre os recursos naturais do territÃ³rio brasileiro, ou sejam: sobre os organismos vivo e morto e seu meio ambiente.</p>
<p>Ademais, o paÃ­s terÃ¡ melhor Ãªxito se a CONEPg for criada ao invÃ©s daquela, por se situar mais prÃ³xima da comunidade cientÃ­fica (comitÃªs, consultores ad hoc, pesquisadores, instituiÃ§Ãµes de pesquisa, etc) junto a um Ã³rgÃ£o de fomento, tal como CNPq/MCT.</p>
<p>Artigo publicado no Jornal da CiÃªncia JC e-mail 2774, de 24 de Maio de 2005.</p>
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		<title>EducaÃ§Ã£o E EducaÃ§Ã£o Escolar</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Dec 2007 05:48:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ ...  humanas; essa aÃ§Ã£o cotidiana e informal refere-se Ã  troca de experiÃªncia e Ã  manutenÃ§Ã£o de valores da sociedade ou de um <b>grupo</b> dentro da sociedade. A educaÃ§Ã£o informal, pode ser identificada como aqueles processo e aÃ§Ãµes que ocorrem no  ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>EducaÃ§Ã£o e EducaÃ§Ã£o escolar</strong></p>
<p>Neri de Paula Carneiro â€“ Mestre em EducaÃ§Ã£o</p>
<p>FilÃ³sofo, TeÃ³logo, Historiador</p>
<p>Leia mais:Â <a href="http://www.webartigos.com/" target="_blank">http://www.webartigos.com/</a>; <a href="http://www.brasilescola.com.br">www.brasilescola.com.br</a></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p>Muitas vezes nos deparamos com a indagaÃ§Ã£o: o que Ã© educaÃ§Ã£o? EducaÃ§Ã£o Ã© a mesma coisa que sistema escolar? AntesÂ responder Ã  pergunta, vamos fazer uma breve caracterizaÃ§Ã£o e, com isso podemos melhor entender o alcance daquilo que se entende quando falamos em educaÃ§Ã£o, sobre sistema educacional ou sistema escolar.</p>
<p>Â </p>
<p><strong>EducaÃ§Ã£o</strong></p>
<p>Podemos dizer que nÃ£o encontramos um sentido unÃ­voco para esse termo. EducaÃ§Ã£o Ã© algo tÃ£o abrangente quanto as relaÃ§Ãµes humanas. Podemos confirmar isso a partir da afirmaÃ§Ã£o de C. R. BrandÃ£o (1985) que, nas primeiras linhas de â€œ<em>o que Ã© educaÃ§Ã£o</em>â€, afirma:</p>
<p>â€œNinguÃ©m escapa da educaÃ§Ã£o. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de <span id="more-4372"></span> um modo ou de muitos todos nÃ³s envolvemos pedaÃ§os da vida com ela: para <em>aprender</em>, para <em>ensinar</em>, para aprender-e-ensinar. Para <em>saber</em>, para <em>fazer</em>, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educaÃ§Ã£o.â€ (BRANDÃƒO, 1985, p. 7. grifos nossos)</p>
<p>Partindo dessa afirmaÃ§Ã£o jÃ¡ constatamos que educaÃ§Ã£o ultrapassa o ambiente escolar, pois ela ocorre â€œem casa, na rua, na igreja ou na escolaâ€. AlÃ©m disso, â€œtodos nÃ³s envolvemos pedaÃ§os da vida com elaâ€. Por que nÃ£o escapamos, e por que todos nÃ³s temos â€œpedaÃ§os de vidaâ€ envolvidos nela? Porque estamos todos os instantes realizando atos de aprendizagem e de ensino; pela educaÃ§Ã£o desenvolvemos nossa capacidade e potencialidades para o â€œsaberâ€ e para o â€œfazerâ€. Em tudo isso se manifesta uma de suas caracterÃ­sticas que Ã© o <strong>processo</strong>. EducaÃ§Ã£o nÃ£o Ã© um ponto de chegada, mas um processo. Nesse processo estÃ¡ presente a dinamicidade das aÃ§Ãµes e relaÃ§Ãµes entre as pessoas e grupos o que faz desse processo um mecanismo que pode produzir transformaÃ§Ãµes sociais, mas que, em geral, reforÃ§a e mantÃ©m a sociedade estratificada, como veremos a seguir.</p>
<p>Podemos dizer, portanto que em todas as dimensÃµes da vida existem processos educacionais, como afirma Luckesi:</p>
<p>â€œA educaÃ§Ã£o Ã© um tÃ­pico â€˜que-fazerâ€™ humano, ou seja, um tipo de atividade que se caracteriza fundamentalmente por uma preocupaÃ§Ã£o, por uma <em>finalidade a ser atingida</em>. A educaÃ§Ã£o dentro de uma sociedade <em>nÃ£o se manifesta como um fim</em> em si mesmo, mas sim como um <em>instrumento</em> de manutenÃ§Ã£o ou transformaÃ§Ã£o social.â€ (LUCKESI, 2001, p. 30).</p>
<p>A afirmaÃ§Ã£o do autor implica dizer que o processo educacional exige que olhemos para as <strong>aÃ§Ãµes humanas, </strong>as quais se explicam na relaÃ§Ã£o com sua finalidade. As aÃ§Ãµes humanas se caracterizam por serem â€œinstrumentosâ€ para a â€œmanutenÃ§Ã£o ou transformaÃ§Ã£o socialâ€. Isso implica dizer que a educaÃ§Ã£o Ã© um dos elementos que ajudam a constituir e moldar a sociedade. Para a sociedade ser do jeito que Ã© â€“ ou que estÃ¡ â€“ ocorreram aÃ§Ãµes e processos educativos: a sociedade se educou para isso. â€œA educaÃ§Ã£o participa do processo de produÃ§Ã£o de crenÃ§as e idÃ©ias, de qualificaÃ§Ãµes e especialidades que envolvem as trocas de sÃ­mbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades. Ã‰ esta a sua forÃ§aâ€ (BRANDÃƒO, 1985, p. 11).</p>
<p>Algo semelhante afirma Gadotti (1984), a partir de uma afirmaÃ§Ã£o gramsciniana, que â€œCada classe tem os seus intelectuais, o seus ideÃ³logos, os seus educadores, cujas tarefas, na sociedade, distinguem-se apenas por grau e por maior ou menor incidÃªncia do trabalho intelectual na sua prÃ¡tica profissionalâ€ (GADOTTI, 1984, p.75). E sÃ£o esses que recriam, constantmente, a ideologia de sua classe ou da classe que representam.</p>
<p>Isso nos leva Ã  afirmaÃ§Ã£o Freireana: â€œninguÃ©m educa ninguÃ©m, ninguÃ©m se educa sozinho. As pessoas se educam em comunidadeâ€, (GADOTTI, 1984; BRANDÃƒO, 1985) poderÃ­amos dizer que as aÃ§Ãµes educacionais ocorrem em processo, implicando dizer que estamos trabalhando com algo <strong>dinÃ¢mico</strong> o qual se renova constantemente, pois as aÃ§Ãµes processuais implicam em recriaÃ§Ãµes constantes. No processo educacional, paradoxalmente, pretende-se preservar valores, mas, ao mesmo tempo, pretende-se recriar ou criar novos valores. Sendo que, por vezes, os valores da classe dominante sÃ£o recriados para manter inalteradas as relaÃ§Ãµes de dominaÃ§Ã£o (GUARESCHI, 1989).</p>
<p>Partindo disso podemos dizer que estagnaÃ§Ã£o Ã© negaÃ§Ã£o da educaÃ§Ã£o. Entretanto a sociedade humana, apesar de se caracterizar pela constÃ¢ncia do progresso, concretamente Ã© avessa Ã s novidades. Por mais que se beneficie com a evoluÃ§Ã£o, com o progresso, com o desenvolvimento, sempre que se defronta com situaÃ§Ãµes que demandam a â€œdesinstalaÃ§Ã£oâ€ para instalaÃ§Ã£o de novidades o ser humano cria resistÃªncias. O novo incomoda&#8230; e, sendo assim, o processo educacional Ã© um processo incÃ´modo&#8230; embora visto como necessÃ¡rio.</p>
<p>O processo educacional tambÃ©m pode ser caracterizado pela <strong>formalidade </strong>e pela <strong>informalidade</strong>. Informalmente o processo educacional ocorre no <strong>cotidiano</strong> das pessoas e nas relaÃ§Ãµes humanas; essa aÃ§Ã£o cotidiana e informal refere-se Ã  troca de experiÃªncia e Ã  manutenÃ§Ã£o de valores da sociedade ou de um grupo dentro da sociedade. A educaÃ§Ã£o informal, pode ser identificada como aqueles processo e aÃ§Ãµes que ocorrem no cotidiano e nas inter-relaÃ§Ãµes das pessoas e grupos; Ã© prenhe da ideologia ou dos valores do senso comum; dos valores preservados pela sociedade em que se insere. As relaÃ§Ãµes cotidianas ocorrem de maneira informal e nelas se manifestam aÃ§Ãµes educacionais, muitas vezes nÃ£o intencionadas, mas sempre carregadas dos valores.</p>
<p>Por sua vez o processo formal ou a educaÃ§Ã£o formal, que recebe essa caracterizaÃ§Ã£o justamente por ser algo planejado, ocorre, principalmente, a partir de dentro da instituiÃ§Ã£o escolar. A escola acaba sendo um espaÃ§o privilegiado para esse processo, principalmente porque na escola nÃ£o hÃ¡ espaÃ§o para a informalidade. Nesse ambiente o processo Ã© planejado justamente para resultar os interesses e os valores da sociedade em que estÃ¡ inserido. A educaÃ§Ã£o formal, escolar, reflete sempre a sociedade dominante e, por esse motivo a escola Ã© uma instituiÃ§Ã£o reprodutora, pois representa a classe que a organiza e mantÃ©m.</p>
<p>Uma vez que a instituiÃ§Ã£o escolar Ã© um espaÃ§o em que ocorre o processo formal de educaÃ§Ã£o, podemos dizer que esse ambiente e processo â€“ formal-escolar â€“ manifesta e produz divisÃ£o social. Divide-se a sociedade entre os que estudaram e os que nÃ£o estudaram; entre os que alcanÃ§aram ascensÃ£o sÃ³cio-econÃ´mica, a partir do processo educacional e os que nÃ£o alcanÃ§aram melhorias significativas em sua qualidade de vida ou, por vezes, nem entram no processo escolar.</p>
<p>Em contrapartida e numa perspectiva dialÃ©tica, alguns teÃ³ricos vÃªm, no processo educacional um instrumento de libertaÃ§Ã£o (educaÃ§Ã£o crÃ­tica, educaÃ§Ã£o libertadora&#8230;), na medida em oferece perspectivas de transformaÃ§Ã£o social (LIBÃ‚NEO, 1990; LUCKESI 1993; GADOTTI, 1984). Dentro desta perspectiva â€œa educaÃ§Ã£o Ã© ai compreendida como um dos instrumentos de apoio na organizaÃ§Ã£o e na luta do proletariado contra a burguesiaâ€ (AZEVEDO, 2004, p. 40). Evidentemente que nÃ£o se pensa que a educaÃ§Ã£o seja, sozinha, capaz de produzir todas as transformaÃ§Ãµes de que os trabalhadores precisam, mas pode ser um dos caminhos para isso.Â  â€œSe ideais sÃ£o necessÃ¡rios para dar vida Ã  nossa prÃ¡tica, eles sÃ£o insuficientes para gerar mudanÃ§asâ€ (GADOTTI, 1984, p. 77).</p>
<p>Apesar disso, parece que uma das principais caracterÃ­sticas do processo educacional, Ã© o fato de ser um instrumento que produz e mantÃ©m a dominaÃ§Ã£o. Neste caso a educaÃ§Ã£o Ã© vista como um aparelho reprodutor das mazelas sociais. Essa perspectiva foi proposta, principalmente, a partir das anÃ¡lises de L. Althusser, ao comentar os aparelhos de reproduÃ§Ã£o da sociedade, mostrando que o processo educacional Ã© reprodutivista (LIBÃ‚NEO, 1990; LUCKESI 1993) uma vez que ele Ã© criado â€œpelo grupo dominante para reproduzir seus interesses, sua ideologiaâ€ (GUARESCHI, 1989, p. 69).</p>
<p>Em razÃ£o disso somos levados a crer que o processo educacional â€“ formal ou nÃ£o formal â€“ nÃ£o tem poder transformador, mas, pelo contrÃ¡rio, Ã© reprodutor. Isso porque quando falamos em educaÃ§Ã£o falamos em valores e os valores preservados e ensinados, sÃ£o os da classe dominante. JÃ¡ que os interesses da sociedade sÃ£o definidos pela classe dominante, os valores ensinados serÃ£o os seus valores. Podemos dizer, portanto, que ao surgir uma classe dominante nasce, tambÃ©m, a necessidade de instituiÃ§Ãµes que a mantenham. Entre essas instituiÃ§Ãµes estÃ¡ a escola que, ao mesmo tempo reproduz os valores hegemÃ´nicos e instrui quadros para a manutenÃ§Ã£o do aparato estrutural dessa sociedade.</p>
<p>â€œNÃ£o Ã© necessÃ¡rio dizer que a <em>educaÃ§Ã£o imposta pelos nobres</em> se encarrega de difundir e reforÃ§ar esse privilÃ©gio. Uma vez constituÃ­das as classes sociais, <em>passa a ser um dogma pedagÃ³gico a sua conservaÃ§Ã£o</em>, e quanto mais a educaÃ§Ã£o conserva o <em>status quo</em>, mais ela Ã© julgada adequada. JÃ¡ nem tudo o que a educaÃ§Ã£o inculca nos educandos tem por finalidade o bem comum, a nÃ£o ser quando esse â€˜bem comumâ€™ pode ser uma premissa necessÃ¡ria para manter e reforÃ§ar as classes dominantes. Para estas, a riqueza e o saber; para as outras, o trabalho e a ignorÃ¢ncia.â€ (PONCE, 2001, p. 28, grifos nossos)</p>
<p><strong>Â </strong></p>
<p><strong>As Escolas</strong></p>
<p>Assim sendo, se perguntÃ¡ssemos quando, como e por que surgem as escolas, terÃ­amos, como resposta a afirmaÃ§Ã£o de que a escola nasce com o nascimentos da divisÃ£o da sociedade em classes. As sociedades prÃ©-classistas nÃ£o tinham necessidade da escola, porque seus valores eram mantidos pela tradiÃ§Ã£o, informal, e atendia aos interesses de todo o grupo. A escola nasceu quando a sociedade se estratificou. E, quanto mais complexa a sociedade, mas especializada deve ser a escola.</p>
<p>Em sÃ­ntese, podemos reafirmar que, historicamente, nem sempre existiu isso que chamamos de instituiÃ§Ã£o escolar. Essa, como outras, Ã© uma instituiÃ§Ã£o que apareceu na histÃ³ria da humanidade, a partir do momento em que se fez necessÃ¡rio formar um grupo especÃ­fico para cuidar da manutenÃ§Ã£o de um modelo especÃ­fico de sociedade. Podemos dizer que o desenvolvimento das sociedades estratificadas e a presenÃ§a de um aparato estatal exigiu a formaÃ§Ã£o de quadros para a manutenÃ§Ã£o do poder. Dessa forma os integrantes da classe dominante criaram mecanismos para oferecer mais do que os conhecimentos mÃ­ticos aos seus filhos. Era necessÃ¡rio dominar conhecimentos especÃ­ficos para a manutenÃ§Ã£o da mÃ¡quina do Estado. E, evidentemente, para esse novo modelo jÃ¡ se fazia necessÃ¡ria uma formalizaÃ§Ã£o do processo educacional, daÃ­ a necessidade da escola e o aparecimento de pessoas que dominassem os conhecimentos e os soubessem transmitir. E ao que tudo indica esse modelo nasceu a partir dos sacerdotes que, quase sempre, foram os guardiÃµes dos saberes.</p>
<p>Embora esteja se referindo especificamente ao mundo mesopotÃ¢mico, as palavras de Giles se aplicam, tambÃ©m a outras sociedades:</p>
<p>â€œÃ€ casta sacerdotal deve-se o primeiro sistema de ensino formal, <em>motivado pela necessidade</em> de formar o sacerdote escriba, guardiÃ£o da ordem religiosa e encarregado da administraÃ§Ã£o da sociedade, membro da classe dos baluartes do absolutismo polÃ­tico e da ordem sÃ³cio-econÃ´micaâ€ (GILES, 1987, p. 7, grifo nosso).</p>
<p>Em sÃ­ntese podemos observar que cada sociedade moldou seu processo educacional de acordo com suas necessidades. Esse processo nÃ£o nasceu com a funÃ§Ã£o de preparar horizontes, e abrir perspectivas, na linha de frente de todos os processos de desenvolvimento humano, mas ao contrÃ¡rio, desenvolveu-se como suporte e manutenÃ§Ã£o dos valores da sociedade em que se manifesta. Isso justifica a afirmaÃ§Ã£o de que cada sociedade desenvolveu o seu modelo educacional para que fosse eficaz dentro desse modelo. O que exclui as possibilidades de modernizaÃ§Ã£o e rebeliÃ£o, pois nasce como mecanismo reforÃ§ador.</p>
<p>â€œpara ser eficaz toda educaÃ§Ã£o imposta pelas classes proprietÃ¡rias deve cumprir as trÃªs finalidades essenciais seguintes: 1Âº destruir os vestÃ­gios de qualquer tradiÃ§Ã£o inimiga, 2Âº consolidar a ampliar a sua prÃ³pria situaÃ§Ã£o de classe dominante, e 3Âº prevenir uma possÃ­vel rebeliÃ£o das classes dominadasâ€ (PONCE 2001, p. 36.</p>
<p>Essa perspectiva pode ser corroborada pelas palavras de C. R. BrandÃ£o, dizendo que â€œnÃ£o hÃ¡ uma forma Ãºnica nem um Ãºnico modelo de educaÃ§Ã£o; a escola nÃ£o Ã© o Ãºnico lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar nÃ£o Ã© sua Ãºnica prÃ¡tica e o professor profissional nÃ£o Ã© seu Ãºnico praticanteâ€ (BRANDÃƒO, 1985, p. 9). Esse processo Ã© amplo e varia de acordo com as necessidades do grupo dominante.</p>
<p>Nesse ponto podemos acrescentar que, embora sendo um processo, educaÃ§Ã£o nÃ£o pode ser confundida com sistema escolar, nem com a instituiÃ§Ã£o escolar. A escola Ã© apenas um dos espaÃ§os â€“ ou instituiÃ§Ã£o â€“ em que acontece uma parte do processo educativo. Outros espaÃ§os podem ser mencionados como: famÃ­lia, local de trabalho, cÃ­rculo de amizades, veÃ­culos de comunicaÃ§Ã£o de massa. Ou seja, o processo educativo ultrapassa a escola, embora a escola seja um espaÃ§o privilegiado onde ela acontece.</p>
<p>Isso precisa ficar claro para nÃ£o cairmos na absolutizaÃ§Ã£o da escola, como espaÃ§o ou processo educacional. Em todos os processos a educaÃ§Ã£o Ã© um meio â€“ ou canal- pelo qual se veiculam os valores da classe dominante. Pode atÃ© ser, em alguns momentos ou em algumas circunstÃ¢ncias, usado para a rebeliÃ£o, para a proposiÃ§Ã£o de novidades, mas sÃ³ serÃ¡ u processo educacional rebelde atÃ© sua institucionalizaÃ§Ã£o, pois a partir do momento em que o novo se instala, passa a buscar meios e mecanismos para a sua auto-preservaÃ§Ã£o. Passa a ser mecanismo de manutenÃ§Ã£o de uma situaÃ§Ã£o&#8230;</p>
<p>Â </p>
<p>ReferÃªncias</p>
<p>AZEVEDO, Janete M. Lins de. <strong>A EducaÃ§Ã£o como PolÃ­tica PÃºblica.</strong> 3 ed. Campinas: Autores Associados, 2004</p>
<p>BRANDÃƒO, C. Rodrigues. <strong>O que Ã© educaÃ§Ã£o</strong>. SÃ£o Paulo: Abril Cultura; Brasiliense, 1985</p>
<p>GADOTTI, Moacir. <strong>HistÃ³ria das IdÃ©ias pedagÃ³gicas.</strong> 8 ed. SÃ£o Paulo: Ãtica, 2001</p>
<p>GADOTTI, Moacir, <strong>EducaÃ§Ã£o e poder: </strong>introduÃ§Ã£o Ã  pedagogia do conflito. 5 ed. SÃ£o Paulo: Cortez-Autores Associados. 1984</p>
<p>GILES, T. Ransom. <strong>HistÃ³ria da EducaÃ§Ã£o</strong>. SÃ£o Paulo: E.P.U. 1987</p>
<p>GUARESCHI, Pedrinho A. <strong>Sociologia CrÃ­tica</strong>: alternativas de mudanÃ§as. 19 ed. Porto Alegre: Mundo Jovem. 1989</p>
<p>LIBÃ‚NEO, JosÃ© C. <strong>DemocratizaÃ§Ã£o da Escola PÃºblica</strong>:<strong> </strong>a pedagogia crÃ­tico-social dos conteÃºdos. 9 ed. SÃ£o Paulo: Loyola, 1990</p>
<p>LUCKESI, Cipriano C. <strong>Filosofia da EducaÃ§Ã£o</strong>. SÃ£o Paulo: Cortez, 2001</p>
<p>PONCE, AnÃ­bal, <strong>EducaÃ§Ã£o e Luta de Classes</strong>. 18 ed. SÃ£o Paulo: Cortez, 2001.</p>
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		<title>A FormaÃ§Ã£o Do CarÃ¡ter De Grupo E A ConcepÃ§Ã£o De Poder Do Policial, Parte II</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2007 13:01:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciÃªncia]]></category>
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		<description><![CDATA[ ... , conforme o sociÃ³logo Mohamed Cherkaoui, a) hiperconformismo das atitudes das pessoas face Ã s normas de comportamento do <b>grupo</b> de acolhimento e b) ao isolamento social que exprime as tensÃµes contraditÃ³rias entre os valores da classe de origem e  ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>AÂ formaÃ§Ã£o do carÃ¡ter de grupo e a concepÃ§Ã£o de poder do policial, Parte II do ensaioÂ &#8221;a cronologia do banditismo policial&#8221;Â </strong></p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  ApÃ³s introjectar em seu Ã¢mago o mais profundo sentimento de subserviÃªncia a ideais que nÃ£o sabe bem ao certo o que realmente vem a ser, o policial passa a reconhecer no superior hierÃ¡rquico (e mesmo nos pares mais antigos) caracterÃ­sticas que deseja possuir, traÃ§os que deseja sinceramente inserir em sua personalidade profissional. Isto se dÃ¡ em resposta a mobilidade sofrida de uma condiÃ§Ã£o profissional vivida para outra oposta, pregada atÃ© por alguns de seus educadores como drasticamente distinta da experimentada na formaÃ§Ã£o, este reconhecimento parte da firme convicÃ§Ã£o do neÃ³fito em observar a sua necessidade de adquirir caracteres que o <span id="more-4320"></span> socializem em seu novo grupo, que o permitam pertencer a um corpo forte e uno, ainda que desconhecido. Parte desse processo dÃ¡-se na formaÃ§Ã£o, todavia, a maior parte dessa construÃ§Ã£o acontece na vivencia cotidiana prÃ¡tica, durante a atividade policial.</p>
<p>Â </p>
<p>No perÃ­odo de formaÃ§Ã£o do policial nÃ£o hÃ¡ ligaÃ§Ã£o suficiente do idealizado nos manuais a exemplos empÃ­ricos-observacionais, pois, mesmo durante os estÃ¡gios o policial Ã© inserido num universo Ã  parte, num macro-sistema distinto do ideÃ¡rio criado no ambiente acadÃªmico e, em muitos casos atÃ© em condiÃ§Ãµes diferenciadas da realidade, assim, passa a entender erroneamente que o processo pelo qual passa, ou passou, nÃ£o Ã© ou era, senÃ£o fragmentos desconexos do pensamento daqueles que nÃ£o conheciam ou nÃ£o conhecem a atividade em sua prÃ¡tica diÃ¡ria. Esse processo educacional empregado nÃ£o estÃ¡ errado, o que estÃ¡ cabalmente falido Ã© o modelo empÃ­rico do dia-a-dia, completamente distinto do processo empregado. Todo esse fenÃ´meno Ã© efeito do que temos em sociologia como <em>socializaÃ§Ã£o-ressocializaÃ§Ã£o</em> do policial, um fenÃ´meno deveras intrigante, pois, submete-nos cientificamente a crenÃ§a de que apÃ³s a formaÃ§Ã£o inicial hÃ¡ para este profissional uma â€œmobilidade sÃ³cio-profissionalâ€, iÃ§ando-o de uma condiÃ§Ã£o Ã  outra dentro do mesmo universo institucional, sujeitando-o, via de regra, a uma nova postura a ser â€œconquistadaâ€, em suma, impondo-lhe o dever de transformar-se aos moldes de seus novos congÃªneres, adaptando-se tÃ£o somente a uma identidade retrÃ³grada e jÃ¡ conhecida, outrora tÃ£o combatida em seu ambiente acadÃªmico, em muitos casos atÃ© por esse mesmo policial.</p>
<p>Â </p>
<p>Esta <em>ressocializaÃ§Ã£o</em> nÃ£o Ã© uma verdade imperativa, temos tÃ£o somente que a referida teoria promove uma explicaÃ§Ã£o, atÃ© entÃ£o, definitiva em relaÃ§Ã£o ao que se observa na realidade prÃ¡tica cotidiana, ou seja, policiais afastados de seus pilares existenciais cultivados na formaÃ§Ã£o (&#8230;.)</p>
<p>Â </p>
<p>As teorias que procuram explicar essa aceitaÃ§Ã£o brusca de um modelo em detrimento de outro, ademais, em muitos casos tais modelos serem diametralmente opostos, sÃ£o contundentes no sentido de oferecer-nos duas linhas de raciocino, conforme o sociÃ³logo Mohamed Cherkaoui, a) hiperconformismo das atitudes das pessoas face Ã s normas de comportamento do grupo de acolhimento e b) ao isolamento social que exprime as tensÃµes contraditÃ³rias entre os valores da classe de origem e os valores da classe de acolhimento; explicitemo-nos em relaÃ§Ã£o ao caso estudado:</p>
<p>Â </p>
<p>A primeira linha teÃ³rica nos informa que, para o policial esse â€œhiperconformismoâ€ nÃ£o seria nada alÃ©m do que uma â€œhiper-permissividadeâ€ ao meio posto, pois, apÃ³s o choque com o meio apossado o indivÃ­duo terÃ¡ como prioridade inicial abeberar-se da fonte que lhe darÃ¡ um novo <em>status</em>, uma fonte que lhe farÃ¡ subsumir a velha condiÃ§Ã£o experimentada, condiÃ§Ã£o em que esteve na situaÃ§Ã£o de <em>oprimido</em>, relegado a condiÃ§Ãµes â€œculturais-institucionaisâ€ de mediocridade, de ultraje, como a inteligÃªncia que tÃªm-se nas instituiÃ§Ãµes militares dos termos â€œalunoâ€,â€œbichoâ€ sempre associado a tarefas simbÃ³licas a sua condiÃ§Ã£o de profissional e atÃ© mesmo de homem, de cidadÃ£o. Muito embora, saiba este profissional que o ideal nÃ£o Ã© abandonar a totalidade dos frutos de seu processo de formaÃ§Ã£o, que bem sabe, lhe ensinaram, no que tange a atividade profissional, o moral e o legal, temos dentro desse quadro de hiperconformismo, que o policial se conforma a realidade encontrada na prÃ¡tica, divergindo da atividade teorizada, assim passa a se comportar conforme sua nova classe, numa espÃ©cie de gratidÃ£o a â€œhospitalidade generosaâ€ (Cherkaoui, 1995).</p>
<p>Â </p>
<p>JÃ¡ no isolamento social hÃ¡ uma ruptura, uma desagregaÃ§Ã£o com o meio de origem e uma <strong>nÃ£o</strong> integraÃ§Ã£o no grupo de acolhimento, para este policial, hÃ¡ um descrÃ©dito da verdade que filtrou em seu famigerado processo de formaÃ§Ã£o, que diferentemente do policial sujeito ao hiperconformismo conseguiu levar atÃ© a prÃ¡tica, tal descrÃ©dito da verdade, porÃ©m, nÃ£o o habilita a se inserir no novo ambiente social dado a preservaÃ§Ã£o de sua crenÃ§a, embora mÃ­nima. Para este grupo hÃ¡ um conseqÃ¼ente penoso que Ã© a completa retraÃ§Ã£o profissional, a perda da motivaÃ§Ã£o enquanto elemento introspectivo do policial, de sorte que, tal circunstÃ¢ncia psico-social abre campo a atitudes extremistas como a indisciplina ou atÃ© mesmo a violÃªncia, acobertadas por uma moralidade torta e por uma revolta reprimida.</p>
<p>NÃ£o obstante, os modelos de Cherkaoui serem de constituiÃ§Ã£o teÃ³rica eminentemente pura, em sociologia nos cabe a defesa da interpretaÃ§Ã£o analÃ³gica, tarefa muita mais grata e oportuna, em que pese Ã s agruras da anÃ¡lise temos o Norte-Americano Thompson em 1971, ter delineado matematicamente atravÃ©s de matrizes o comportamento nas urnas de eleitores em funÃ§Ã£o da mobilidade sofrida, correlacionando ascendentes e descendentes. Nossa tarefa, entretanto, Ã© mais singela.</p>
<p>Â </p>
<p>A prova ao primeiro caso Ã© o policial que se desprende sensivelmente do seu universo pretÃ©rito, de sorte que, qualquer miliciano experiente reconhece neste que apÃ³s ser â€œsoltoâ€ das amarras do rigor passa deliberadamente quando em â€œliberdadeâ€ a se portar de maneira radicalmente diversa, nÃ£o sÃ£o raros os exemplos de policiais que se associam ideologicamente ao velho modelo quase que instantaneamente ao encontro com essa â€œliberdadeâ€, esta â€œassociaÃ§Ã£oâ€ Ã© o resultado do desprendimento teÃ³rico sugestionado por Cherkaoui, de sorte que, esta <em>ressocializaÃ§Ã£o</em> opera-se profundamente no policial Ã  ponto de, em casos extremos, tambÃ©m nÃ£o raros, pensar e agir o policial de acordo com um modelo que nÃ£o aprendera na escola. Os policiais nÃ£o repetem, tampouco aprendem em suas escolas de formaÃ§Ã£o o modelo violento, truculento e corrupto tÃ£o vasto nas ruas, eles os compram quando saem das escolas ao preÃ§o de uma estereotipaÃ§Ã£o medÃ­ocre do poder e da forÃ§a tÃ£o cultuado no seio da tropa.</p>
<p>Â </p>
<p>Para o segundo modelo hÃ¡ tambÃ©m uma <em>ressocializaÃ§Ã£o</em>, mas, esta opera-se de maneira forÃ§ada, de forma lenta e gradual. Para o policial que nÃ£o aceita Ã  princÃ­pio uma realidade tÃ£o oposta a cativada anteriormente existe um afastamento do convÃ­vio participativo, passa este policial a ser <em>mais um</em> no cumprimento estrito de sua missÃ£o, num pensamento malgrado de cumprir suas atribuiÃ§Ãµes sem qualquer propÃ³sito de eficiÃªncia ou aprimoramento na atividade, para este hÃ¡ uma genuÃ­na decepÃ§Ã£o com a realidade encontrada nas ruas, tal decepÃ§Ã£o nÃ£o ocorre porque sua concepÃ§Ã£o fora construÃ­da de forma ingÃªnua, fora construÃ­da calcada no sonho de com suas mÃ£os a fazÃª-la mudar proficientemente, ao menos em seu Ã¢mbito, o que ocorre Ã© que na atividade policial militar nÃ£o hÃ¡ aÃ§Ã£o una, singular, toda aÃ§Ã£o demanda pluralidade de gÃªneros hierÃ¡rquicos e pluralidade de entendimentos (o que nÃ£o deveria existir), logo, qualquer mudanÃ§a decorre da uniÃ£o entre homens de ideais comuns, portanto, qualquer tentativa de mudanÃ§a deve nascer de uma comunhÃ£o de vontades.</p>
<p>Â </p>
<p>VÃª-se claramente que o encontro desastroso do neÃ³fito policial com Ã s ruas Ã© uma constataÃ§Ã£o de que o dever de casa fora deixado de lado, muitos, graÃ§as a uma romantizada visÃ£o da atividade construÃ­da sobre a Ã©gide do poder irrestrito se vendem a uma ideologia falida, outros tantos como na visÃ£o de Cherkaoui se conformam e se inserem propagando o velho modelo e outros sobreviventes comeÃ§am a ser tragados dia-a-dia pela nefasta teia que engodou os demais.</p>
<p>Â </p>
<p>Nenhum policial neÃ³fito sai Ã s ruas matando, torturando ou roubando; em princÃ­pio, claro. HÃ¡ casos sim, de bandidos prontos jÃ¡ no primeiro contato com a â€œruaâ€, porÃ©m, casos <strong>nÃ£o</strong> tÃ£o vastos como os que se vÃªem, seguindo a cartilha que a seguir exporemos.Â </p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Â A<em> permissividade</em> que existe por parte dos que sÃ£o tragados pela atividade policial espÃºria tÃ£o disseminada nas ruas nÃ£o nasce do dia para noite, tampouco tem um prazo especÃ­fico para eclodir ou tomar forma â€” Ela acontece sim, deixemos isso claro, reafirmando a teoria pujante de Cherkaoui sobre RessocializaÃ§Ã£o discutida anteriormente. Esta adequaÃ§Ã£o Ã  estrutura dominante (velho modelo) ocorre respeitando diversos caracteres geradores. Dimensionando didaticamente a questÃ£o, poderÃ­amos dizer que ocorre um desencadeamento natural causa-efeito englobando alguns fatores a serem discutidos linhas abaixo. O que vem a baila por ora Ã© o <strong><em>processo em que se dÃ¡ o desencadeamento dos caracteres causa-efeito</em></strong> resultante na dita <em>ressocializaÃ§Ã£o</em>, momento onde jÃ¡ temos, inexoravelmente, o policial refÃ©m do velho modelo de polÃ­cia.</p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  O primeiro contato do policial com a prÃ¡tica ilegal Ã© o encontro com a violÃªncia. Esse contato acontece bruscamente, paradoxalmente ao seu processo explicativo que requer alguns entendimentos e elucidaÃ§Ãµes prÃ©vias, como: a) <strong><em>o poder na Ã³tica do policial</em></strong>, b) <strong><em>o exercÃ­cio do poder</em></strong> e c) <strong><em>uso da forÃ§a como meio de imposiÃ§Ã£o do poder</em></strong>; para compreendermos essas trÃªs questÃµes precisamos destrinchÃ¡-las no Ã¢mago de suas concepÃ§Ãµes sociolÃ³gicas, antes, porÃ©m, de explicarmos a Ã³tica do policial (visÃ£o) expliquemos o estrabismo ocasionador da Ã³tica distorcida.</p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Em sociologia entende-se que o surgimento da sociedade prescinde de alguns requisitos sem os quais a â€œcom-vivÃªnciaâ€ (vida em <strong>com</strong>unhÃ£o) entre os homens se torna impraticÃ¡vel, de sorte que, tais requisitos sÃ£o os sustentÃ¡culos da sociedade, princÃ­pios aceitos pela pluralidade como estacas demarcadoras do certo e errado. Rousseau, o grande sociÃ³logo suÃ­Ã§o, baseou-se em uma dessas estacas para encampar o pensamento de algumas de suas obras, erigindo a propriedade como fundamento <em>mater</em> da injustiÃ§a social ou mais especificamente como o motivo gerador da desigualdade entre os homens, vÃª-se uma relaÃ§Ã£o â€œcausa-efeitoâ€ singular no curso da histÃ³ria das ciÃªncias sociais em que um pensador dinamizou uma problemÃ¡tica Ã  partir da gÃªnese da questÃ£o, concluÃ­da por Rousseau como <em>sendo a propriedade a forÃ§a motriz da desigualdade entre os homens</em>. Para boa parte dos cientistas sociais uma sociedade depende para existir basicamente de normas, regras, cÃ³digos Ã©ticos-morais e leis que unifiquem o limite do exercÃ­cio da atividade dos homens, buscando-se assim a dita â€œcom-vivÃªnciaâ€ harmoniosa, tais regulamentos a curto, mÃ©dio ou longo prazo desencadeiam (nÃ£o por si sÃ³, mas pela complexa teia de interaÃ§Ã£o homem-norma-economia-polÃ­tica) diversos fenÃ´menos como a misÃ©ria, a violÃªncia bem como a prÃ³pria desigualdade em sentido <em>latu </em>(desigualdade de bens, de capital, de moral, de valores etc.) tÃ£o pormenorizada por Rousseau.</p>
<p>Â </p>
<p>Dado a essa desigualdade desencadeadora de fenÃ´menos sociais Ã© que temos Ã  margem da aceitaÃ§Ã£o plurilateral do poder constituÃ­do movimentos, podemos assim dizer, teÃ³ricos (tambÃ©m chamados de utÃ³picos) que informam uma vida desapegada a qualquer regra de convivÃªncia, uma vida sem qualquer convenÃ§Ã£o social, sem limites de expressÃ£o da vontade humana, ou seja, uma vida eminentemente presa, Ãºnica Ã© exclusivamente, Ã  obediÃªncia a natureza livre do homem, para tais movimentos fora dado o nome de <em>anarquismo</em> que no curso da histÃ³ria teve concepÃ§Ãµes ideolÃ³gicas diversas, originando-se na GrÃ©cia de V a VI AC com os CÃ­nicos e os EstÃ³icos, posteriormente frutificou-se no Cristianismo e seus grandes teÃ³ricos (Santo Agostinho) e chegou ao apogeu ganhando formas diversas desde o extremismo (Bakunin) ao meio termo, (Proudhon) do radicalismo (Stirner) ao consenso partidÃ¡rio (Marx).</p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Essa negaÃ§Ã£o do poder, em parte, explica sua mÃ¡ utilizaÃ§Ã£o, pois, temos ao longo das mais diversas experiÃªncias sociais conhecidas nÃ£o o uso do poder, mas seu abuso, constituindo na maioria dos casos uma relaÃ§Ã£o de exploraÃ§Ã£o-dominaÃ§Ã£o de homens sobre homens, o que, via de regra, nÃ£o deveria ocorrer. Entender esse ponto em ciÃªncias sociais Ã© lanÃ§ar mÃ£o de um leque de teorias que buscam dentre outras coisas explicar de forma fundamentada as inÃºmeras matizes do termo <em>poder</em>, daÃ­ buscarmos tÃ£o somente o entendimento que subsidie ao leitor compreender porque o policial encara o poder como uma ferramenta de dominaÃ§Ã£o e exploraÃ§Ã£o de seu prÃ³ximo e nÃ£o como um dever adquirido, uma responsabilidade a ser desfrutada. Por isso, quando se fala em <em>anarquismo</em> tÃªm-se a primeira impressÃ£o de â€œcontra-sistemaâ€ de â€œante-sistemaâ€, sendo o <em>anarquismo</em> (TeÃ³rico cientÃ­fico) nessa pesquisa mostrado apenas como uma manobra intelectual e polÃ­tica em resposta a alienaÃ§Ã£o do poder, a alienaÃ§Ã£o do capital e da propriedade.Â </p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  A noÃ§Ã£o de Estado carrega a idÃ©ia de soberania (Dallari), e nÃ£o hÃ¡ como fugir disso, e nÃ£o sÃ£o raras as ocasiÃµes em que ouvimos as locuÃ§Ãµes â€œEstado Soberanoâ€ ou a â€œsoberania do Estadoâ€ trazendo em seu bojo essa conotaÃ§Ã£o, daÃ­ compreender que Ã queles que dessa estrutura sÃ£o partes viventes dispÃµe para o exercÃ­cio de suas atividades de determinado poder de mando nÃ£o Ã© nenhuma novidade, entretanto, o poder que informa a legitimidade do â€œmandoâ€ Ã© que torna o estudo mais aprofundado, dado que, para determinados Agentes do Estado esse poder representa bem mais que um respaldo sobre determinada aÃ§Ã£o, mas, um respaldo para a repressÃ£o, para a coerÃ§Ã£o, para a restriÃ§Ã£o em muitos casos absoluta de Direitos das pessoas em geral (Meirelles). Com efeito, Ã© possÃ­vel dizer que o poder que informa a atividade policial Ã© absorvido e cultivado como um poder deveras mistificado, um poder com fisionomia tirÃ¢nica o que conseqÃ¼entemente ao mal formado policial denota em muitos casos no modelo que veste sua aspiraÃ§Ã£o mais despÃ³tica. Mas o que hÃ¡ de errado com o poder de polÃ­cia? Tecnicamente nÃ£o hÃ¡ nada de errado com ele, sua compleiÃ§Ã£o jurÃ­dica atual o transformou num razoÃ¡vel e aquilatado poder do Estado frente aos interesses particulares em beneficio do interesse pÃºblico, dessa forma nÃ£o hÃ¡ que se olvidar de sua feiÃ§Ã£o tÃ©cnico-jurÃ­dica, em que pese ocorrer um sÃ©rio problema na nomenclatura jÃ¡ debatido por alguns publicistas (Celso Antonio Bandeira de Mello).</p>
<p>Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  O que vem ao caso para o policial em sua noÃ§Ã£o de poder nÃ£o Ã© nem nunca foi a magnitude ou a compleiÃ§Ã£o jurÃ­dica do poder de polÃ­cia, de sorte que, rarÃ­ssimos policiais poderiam, sem titubear, dizer quais sÃ£o os atributos do poder de polÃ­cia ou dizer ao menos o que Ã© ou para que serve o dito <em>poder</em> de maneira tÃ©cnica ou ao menos convincente; â€” NÃ£o, definitivamente nÃ£o Ã© esse o problema. O problema que cabe ressaltar faz referÃªncia ao binÃ´mio tÃ£o cultuado pelo capitalismo: <strong><em>ExploraÃ§Ã£o-dominaÃ§Ã£o</em></strong>, esse Ã© o cerne da questÃ£o, pois, a busca do oprimido em sair dessa condiÃ§Ã£o o transforma, inexoravelmente, num novo opressor em maior ou menor grau (Paulo Freire), independente da sua vontade, pois, essa Ã© a lÃ³gica do capitalismo.</p>
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<p>Â Agora o que podemos discutir sÃ£o as formas de como o poder Ã© interpretado ou, os meios pelos quais sÃ£o absorvidos pelo policial, pois, vejamos: um policial armado nÃ£o estÃ¡ para o cidadÃ£o numa relaÃ§Ã£o direta de imposiÃ§Ã£o de autoridade e sim para defendÃª-lo caso algo ou alguÃ©m obste a execuÃ§Ã£o de seus direitos; nÃ£o hÃ¡ poder mas sim dever; continuemos: um policial nÃ£o determina que o seu veÃ­culo pare porque tem poder para isso, mas sim porque alguÃ©m num carro semelhante ao abordado poderÃ¡ impedir que o cidadÃ£o continue a trafegar sem problemas; <em>hÃ¡ uma relaÃ§Ã£o de servidÃ£o (servir) do policial para com a sociedade</em>, para com as pessoas que em Ãºltimo caso com a prÃ³pria vida <strong>deverÃ¡</strong> defender. O policial em tese tem ciÃªncia desses conceitos, entretanto, o seu contato na realidade prÃ¡tica o faz enxergar um poder demasiadamente limitado a demonstraÃ§Ã£o abusiva da forÃ§a e da coerÃ§Ã£o, como explicaremos a seguir.</p>
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<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  O ambiente da caserna policial reflete as tradiÃ§Ãµes adquiridas pela tropa ao longo da histÃ³ria. Mitos sÃ£o construÃ­dos e, verdadeiras lendas nascem e sÃ£o repassadas aos novos policiais perfazendo um ciclo que cultiva e promove valores simbÃ³licos dentro da corporaÃ§Ã£o que acabam por constituir no curso da histÃ³ria a cultura do grupo. O SociÃ³logo R. Linton pesquisou a fundo em seu livro <em>The study of man</em> a estreita relaÃ§Ã£o existente entre a personalidade de um indivÃ­duo e a cultura do meio ao qual pertence:</p>
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<p>A cultura na medida em que representa algo mais do que uma abstraÃ§Ã£o construÃ­da, sÃ³ existe no espÃ­rito dos indivÃ­duos que formam uma sociedade. <strong>As caracterÃ­sticas que possui advÃªm-lhe das personalidades desses indivÃ­duos e da interaÃ§Ã£o dessas personalidades</strong>. Inversamente, <strong>a personalidade de cada indivÃ­duo Ã© elaborada e funciona em permanente associaÃ§Ã£o com a cultura da sociedade. </strong>(1968, p.491) [grifo nosso]</p>
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<p>Â Ademais que as teorias por si sÃ³ fundamentam a realidade observacional, infelizmente nas polÃ­cias os â€œherÃ³isâ€ (personalidades que geram cultura, segundo Linton) geralmente sÃ£o aqueles que mais mataram em combate (ou nÃ£o, o que Ã© pior), sÃ£o aqueles que mais promoveram em sua respectiva esfera de aÃ§Ã£o, mais temor! Devido a imposiÃ§Ã£o da crueldade e do medo. SÃ£o honrados os policiais que abatiam pardais disparando canhÃµes, eufemismo do que seria executar a <em>sangue frio</em> criminosos capturados e rendidos, no interregno dessa constataÃ§Ã£o Ã© bom lembrar que bons exemplos tambÃ©m sÃ£o cultuados, entretanto, na grande maioria nÃ£o com a mesma magia simbolÃ³gica. Esse raciocÃ­nio levarÃ¡ a uma pergunta cuja resposta Ã© inconteste, qual polÃ­cia nÃ£o tem um â€œassassino fardadoâ€ cuja lenda Ã© motivo de orgulho dado sua representatividade social e institucional?</p>
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<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Logo, o <strong>poder na Ã³tica do policial</strong> Ã© cultivado na exegese da brutalidade, da truculÃªncia e do temor. Ocorre uma encarnaÃ§Ã£o pelo policial desse modelo cativado, como no protÃ³tipo do SociÃ³logo Wittgenstein, que em seu livro <em>InvestigaÃ§Ãµes FilosÃ³ficas</em> nos informa com o exemplo das peÃ§as de xadrez que sÃ£o <em>â€œinvestidas de poder aos olhos do jogador que as enxerga como uma encarnaÃ§Ã£o viva das regras do jogoâ€</em>, assim o Ã© o policial, <em>uma encarnaÃ§Ã£o viva dos â€œmitosâ€ que absorve em seu Ã­ntimo como estereÃ³tipos ideais, pois, pela tropa sÃ£o cultuados</em>. O valor realmente adquirido Ã© aquele que determina em primeiro momento uma aÃ§Ã£o rude e agressiva num plano inicial ao criminoso e com o passar do tempo o critÃ©rio torna-se elÃ¡stico chegando atÃ© mesmo ao prÃ³prio cidadÃ£o.</p>
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<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Dessa forma, nÃ£o Ã© difÃ­cil esperar outra maneira de <strong>exercÃ­cio do poder</strong> senÃ£o o ilegal, o desprovido de tÃ©cnica e proporcionalidade, assim diante de qualquer cena de aÃ§Ã£o o policial tem em sua mente somente o espectro da imposiÃ§Ã£o de autoridade, da afirmaÃ§Ã£o da supremacia que supostamente possui em detrimento do cidadÃ£o. ConsentÃ¢neo ao uso ilegal do poder temos o meio empregado para efetivÃ¡-lo que Ã© a violÃªncia, o imoderado <strong>uso da forÃ§a</strong>.Â Â Â </p>
<p>Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  O <strong>crime</strong> a que nos referimos no titulo do tÃ³pico nÃ£o Ã© propriamente o emprego da violÃªncia, embora, tÃ£o somente a violÃªncia jÃ¡ se constitua em ultraje legal, porÃ©m, o que pretendemos mostrar Ã© a incursÃ£o completa (e o processo) do policial na teia do crime, compondo alÃ©m da violÃªncia, a corrupÃ§Ã£o, a condescendÃªncia e a prevaricaÃ§Ã£o bem como toda sorte de cooptaÃ§Ã£o que o leva dentre outras coisas a traficar, a matar, a roubar etc. Sendo assim, o ponto defendido Ã© de que o <strong>policial passa a ser ressocializado de acordo com o velho modelo de polÃ­cia Ã  partir do momento em que se torna violento ou minimamente truculento em sua rotina de trabalho</strong>, pois, em que pese uma seqÃ¼Ãªncia de tapas no rosto ou uma pressÃ£o psicolÃ³gica em determinado grau, configurarem o mesmo crime (tortura), na visÃ£o do policial uma coisa Ã© a tortura outra coisa Ã© um tapa no rosto.Â Â Â  Â Â Â Â Â Â  Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â </p>
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<p>Â Bibliografia e obras consultadas</p>
<p>Adorno, SÃ©rgio. 1988<strong>. Os aprendizes do poder: o bacharelismo liberal na polÃ­tica brasileira</strong>. Rio de Janeiro, Paz e Terra.</p>
<p>ChauÃ­, Marilena. <strong>Cultura e democracia</strong>. 4Âº Ed. Revista e ampliada. SÃ£o Paulo, Ed. Cortez.</p>
<p>Faoro, Raimundo. <strong>Os donos do poder: formaÃ§Ã£o do patronato polÃ­tico brasileiro</strong>. Vol I, 10Âºed. SÃ£o Paulo Ed. Globo.</p>
<p>Freire, Paulo. <strong>EducaÃ§Ã£o e mudanÃ§a</strong>. 2Âºed. 1979. Ed. Paz e Terra.</p>
<p>__________ <strong>Pedagogia do Oprimido</strong>. 14Âºed. 2001. Ed. Paz e Terra.</p>
<p>Freyre, Gilberto. <strong>Casa Grande e Senzala</strong>. 49Âº Ed. 2005. Ed. Global.</p>
<p>Marx, Karl. <strong>Manuscritos econÃ´micos e filosÃ³ficos</strong>. 1Âºed 1864. in Fhromm, Erich. Rio de janeiro, 1964. Zahar editores.</p>
<p>Muniz, Jacqueline. <strong>Ser policial Ã©, sobretudo uma razÃ£o de ser</strong>. Rio de Janeiro 1999. Tese de doutorado a IUPERJ.</p>
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		<title>O Homem, Que Realidade Ã‰ Essa?</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Nov 2006 19:26:11 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O homem, que realidade Ã© essa?</strong></p>
<p>As pessoas vivem em grupos. Essa constataÃ§Ã£o nÃ£o representa a realidade total da evoluÃ§Ã£o do ser humano nem da sociedade humana; tambÃ©m nÃ£o esgota as caracterÃ­sticas do ser humano, hoje visto e entendido como ser de relaÃ§Ãµes. Outras questÃµes precisam ser respondidas: as pessoas sempre viveram e sempre quiseram viver em <em>grupo</em>? O que moveu os indivÃ­duos a se agruparem?</p>
<p>Parece que nÃ£o Ã© errado dizer que nem sempre os seres humanos viveram em grupo, formando o que chamamos de <em>sociedade</em>. TambÃ©m nÃ£o erramos quando afirmamos que o ser humano estÃ¡, constantemente, <em>insatisfeito</em>. Â E se estÃ¡ insatisfeito Ã© porque possui <em>necessidades</em>. Essa parece ser a principal e, talvez, primeira explicaÃ§Ã£o para a organizaÃ§Ã£o das sociedades humanas. <span id="more-4333"></span> A satisfaÃ§Ã£o das necessidades.</p>
<p>Sendo assim podemos dizer que as pessoas gostam de estar sozinhas, mas vivem em grupos. Gostam de estar sozinhas porque a <em>solidÃ£o permite liberdades</em> que nÃ£o Ã© possÃ­vel no grupo. Mas necessitam do grupo porque nem tudo de que precisam conseguem isoladamente. A associaÃ§Ã£o ocorre, portanto, nÃ£o porque o ser humano Ã©, essencialmente, <em>gregÃ¡rio</em>, mas Ã© <em>segregacionista, Ã© sectÃ©rio,</em> e se agrupa por necessidade de sobrevivÃªncia. O grupo, portanto, nasce dos <em>interesses pessoais</em> e das necessidades dos indivÃ­duos.</p>
<p>O que Ã©, entÃ£o, o ser humano?</p>
<p>Sabemos, inicialmente, que o ser humano Ã© um <em>animal</em> que ganhou a classificaÃ§Ã£o de <em>racional</em>. AristÃ³teles lhe afirmou mais uma caracterÃ­stica: Ã© <em>polÃ­tico</em>, de onde a caracterÃ­stica da sociabilidade. Racional porque consegue <em>abstrair e aprender</em> com as experiÃªncias. E, mais do que aprender, consegue <em>reproduzir</em> e ampliar as aplicaÃ§Ãµes das experiÃªncias adquiridas. Isso porque aprendeu a raciocinar. Ã‰, alÃ©m disso, polÃ­tico porque vive, sobrevive e explora as relaÃ§Ãµes sociais. Embora, como dissemos antes, goste do isolamento, prefere viver em grupo. O grupo, portanto, nÃ£o Ã© essencial, mas opÃ§Ã£o: para satisfazer suas necessidades, para satisfazer seus <em>desejos</em>, para superar seus <em>medos</em>, para superar suas <em>fraquezas</em>.</p>
<p>Nisso podem ser observadas mais algumas das caracterÃ­sticas desse ser, chamado homem. Diferentemente dos demais animais, o humano Ã© <em>frÃ¡gil</em>, desprovido de garras ou pele resistente aos ataques dos predadores e intempÃ©ries. Essa fragilidade produziu e ajudou no desenvolvimento de outra caracterÃ­stica: o <em>medo</em>. Como mecanismo de superaÃ§Ã£o dos medos os humanos desenvolvem mecanismos para conviver ou para superar adversidades da natureza. Um desses mecanismos Ã© a <em>vida grupal</em>. Os humanos, portanto vivem em grupo, entre outros motivos, porque assim se protegem mutuamente. Tanto para enfrentar a natureza como para atingir objetivos comuns. O grupo passa ser um mecanismo de defesa. Os humanos aproveitam-se de suas fraquezas para produzir forÃ§as. A forÃ§a do grupo nasce de uma caracterÃ­stica muito marcante do ser humano: a capacidade de <em>tirar benefÃ­cio dos demais membros do grupo</em>, o que indica outra caracterÃ­stica do humano: o <em>egocentrismo</em>, sendo que o grupo aparece como refÃºgio, fortaleza e espaÃ§o de onde o indivÃ­duo <em>tira proveito</em> e benefÃ­cios. As relaÃ§Ãµes grupais nÃ£o estÃ£o para o grupo, mas para os indivÃ­duos do grupo. Trata-se, portanto, de uma relaÃ§Ã£o interesseira.</p>
<p>Dessa forma Ã© que devemos entender a caracterÃ­stica humana da sociabilidade. A sociabilidade, ou a capacidade de o ser humano viver, sobreviver e existir em coletividade parece ser o que mais bem o caracteriza. Entretanto aqui precisamos fazer uma ressalva. NÃ£o nos parece que os humanos sejam, essencialmente, seres sociais, mas se fazem sociais a partir de suas necessidades e para superar seus medos.</p>
<p>Dizendo de outra forma, o ser humano Ã© um ser sectÃ¡rio e tende a se isolar e a viver isolado. Socializa-se porque se percebe <em>impotente</em> diante da natureza, mais forte que ele. E, por ter medo de nÃ£o sobreviver procura ajuda dos seus semelhantes. Assim se faz sociÃ¡vel numa atitude tipicamente egocÃªntrica, medrosa e aproveitadora. Para fugir de seus medos e disfarÃ§ar sua fraqueza <em>aproveita</em>-<em>se</em> da fraqueza dos seus semelhantes. Assim sendo os indivÃ­duos usam a sociedade como caminho, preparaÃ§Ã£o, para o isolamento, depois de se aproveitar das fraquezas dos outros seres, como ele, fracos e medrosos.</p>
<p>AlÃ©m disso, o ser humano se percebe no mundo e se vÃª completamente diferente das demais realidades existentes. Em todas as correntes de filosofia encontramos a mesma afirmaÃ§Ã£o: o ser humano Ã© <em>pensante</em>. Ã‰ ele quem <em>dÃ¡ sentido</em> a existÃªncia dos existentes. DÃ¡ sentido porque pensa, porque se socializa e porque <em>manipula</em> os elementos da realidade, gerando <em>cultura</em>. AlÃ©m disso, e sem entrar no mÃ©rito da discussÃ£o religiosa, pode-se dizer que o ser humano <em>transcende</em> Ã  realidade humana.</p>
<p>Pensar nÃ£o Ã© sÃ³ o que se pode entender etimologicamente, com a palavra, dizendo que ser humano Ã© capaz de <em>pesar, avaliar</em>. Esse pensar refere-se tambÃ©m Ã  capacidade humana de <em>fazer escolhas</em>. O ser humano Ã© aquele que avalia, escolhe, e faz isso a partir de um processo reflexivo que exige uma postura <em>introspectiva</em>. Esta por sua vez deriva da capacidade de <em>abstraÃ§Ã£o</em>. Na verdade quando se diz que o ser humano Ã© capaz de pensar pretende-se afirmar que ele Ã© capaz de falar sobre as realidades com as quais nÃ£o estÃ¡ em contato imediato. Ele pode representÃ¡-las, mentalmente e nisso se dÃ¡ um processo de reflexÃ£o, pois se trata de â€œvoltar a verâ€ o que nÃ£o estÃ¡ presente.</p>
<p>Essas caracterÃ­sticas (pensamento, abstraÃ§Ã£o, manipulaÃ§Ã£o&#8230;) permitem, que o ser humano produza o que chamamos de <em>progresso humano</em> (outro nome da cultura). O progresso Ã© resultante da vida social, da superaÃ§Ã£o dos medos e dos desafios. O progresso humano pode ser visto como resultado da capacidade humana de <em>resolver problemas</em> (capacidade reflexiva-pensante) e de se associar a outros humanos para fortalecer suas fraquezas diante das realidades mais fortes e que demandam inteligÃªncia (ler o interior das realidades) e aÃ§Ã£o conjunta. Progredir implica em superar as limitaÃ§Ãµes humanas e naturais em benefÃ­cio do grupo e, conseqÃ¼entemente, em benefÃ­cio dos indivÃ­duos. O progresso ganha sentido, como toda aÃ§Ã£o humana, nÃ£o em si mesmo, mas pelo benefÃ­cio que produz.</p>
<p>DaÃ­ o sentido da produÃ§Ã£o humana. O ser humano manipula o mundo e gera cultura. Ou seja, diferentemente de outras criaturas, a humana se <em>autoproduz</em> reproduzindo o meio que o circunda. <em>Recria o mundo</em> natural que o circunda e recria o jÃ¡ criado, dando-lhe novo significado. Sua insatisfaÃ§Ã£o o leva a <em>re-significar</em> as realidades mesmo as que jÃ¡ possuem significado; recria a utilizaÃ§Ã£o e a utilidade das realidades mesmo as que jÃ¡ tÃªm significado e utilidade consagrada.</p>
<p>GraÃ§as a essa capacidade re-criadora o ser humano pode produzir o mundo e reproduzir o que existe.Â  Com isso dinamiza nÃ£o sÃ³ sua existÃªncia como as realidades que o circundam e seus concidadÃ£os. Nesse processo cria ou re-cria a cultura uma das marcas mais tipicamente humanas, pois, principalmente por essa capacidade de recriar a cultura, o ser humano se diferencia dos demais existentes.</p>
<p><p>Neri de Paula Carneiro â€“ Mestre em EducaÃ§Ã£o</p>
<p>FilÃ³sofo, TeÃ³logo, Historiador</p>
<p>Leia mais: <a href="http://www.brailescola.com.br">www.brasilescola.com.br</a>; <a href="http://www.webartigos.com/" target="_blank">http://www.webartigos.com/</a>;</p>
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