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	<title>Big Blog &#187; casamento</title>
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		<title>A DiferenciaÃ§Ã£o Sexual, A Lei E O Desejo</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Sep 2007 16:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ ... />
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<p>&#160;</p>
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<p>O aparecimento das estruturas de parentesco</p>
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<p>No <b>grupo</b> humano, as necessidades de reprodu&#231;&#227;o continuam a ser primordial, mas a organiza&#231;&#038; ... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A&nbsp;diferencia&ccedil;&atilde;o sexual, a lei e o desejo</p>
<p></p>
<p>Dr.Wagner Paulon</p>
<p></p>
<p>1972</p>
<p></p>
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<p>Um dos melhores processos de abordar a sexualidade humana tem lugar a partir de compara&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o possibilitadas pela hist&oacute;ria, pela etnologia, pela sociologia. Na vida social quotidiana, o ser-homem e ser-mulher revelam a sua relatividade, ao mesmo tempo que a profundidade do seu enraizamento pessoal.</p>
<p></p>
<p>Mas acontece que a uma reflex&atilde;o erguida sobre tais premissas se criticar&aacute; o fato de n&atilde;o haver procurado fundamentos suficientemente profundos nos h&uacute;mus carnal, de n&atilde;o haver mergulhado no &quot;mist&eacute;rio da origem&quot;. Mist&eacute;rio: a palavra &eacute; um ref&uacute;gio c&ocirc;modo para a ignor&acirc;ncia e para a pregui&ccedil;a e, sobretudo, para o receio de todos aqueles, que v&ecirc;em na sexualidade, antes de mais, um monstro <span id="more-4329"></span> interior que n&atilde;o devemos despertar. Origem: termo de um retrocesso ilus&oacute;rio, unidade sonhada e perdida derepente num ponto de partida imagin&aacute;rio. A origem n&atilde;o &eacute; uma floresta m&iacute;stica e povoada de arqu&eacute;tipos? &Eacute; a cria&ccedil;&atilde;o, no passado, de uma solu&ccedil;&atilde;o para os conflitos de hoje. Como num eco, a mesma unidade pode ser encontrada num termo tamb&eacute;m fict&iacute;cio. E o Psicanalista, ao investigar a sombra atrav&eacute;s das malhas de uma rede l&oacute;gica, desconfiar&aacute; dessa estagna&ccedil;&atilde;o ilus&oacute;ria das linhas do tempo e n&atilde;o procurar&aacute; sen&atilde;o o homem de hoje.</p>
<p></p>
<p>N&atilde;o existe outro ponto de partida que n&atilde;o seja o aqui e agora. M&aacute;s existem fundamentos para o aqui e agora. Procurar esses fundamentos n&atilde;o &eacute; tentar uma explica&ccedil;&atilde;o do presente a partir do passado, mas compreender o presente a partir das ra&iacute;zes ainda-vis&iacute;veis que mergulham na hist&oacute;ria do homem e da vida.</p>
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<p></p>
<p>A Sexualidade, modo de reprodu&ccedil;&atilde;o</p>
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<p>O termo sexualidade &eacute;, decididamente, demasiado lato. O que &eacute; e o que n&atilde;o &eacute; sexual? A partir de Emp&eacute;docles, e duma forma inexacta, e, poss&iacute;vel falar de amor e de &oacute;dio a prop&oacute;sito da atra&shy;&ccedil;&atilde;o e repulsas das part&iacute;culas elementares; ser&aacute; talvez uma extrapola&ccedil;&atilde;o fr&iacute;vola mas a imer&iacute;cia tem uma inten&ccedil;&atilde;o profunda: erguer, enfim, do &aacute;tomo at&eacute; o homem, uma energ&eacute;tica unificada.</p>
<p></p>
<p>A palavra deveria estar reservada at&eacute; ao momento em que com a evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies, vai adquirir um sentido preciso. A sexualidade manifesta-se a um n&iacute;vel j&aacute; elevado de organiza&ccedil;&atilde;o, com a inaugura&ccedil;&atilde;o de um mecanismo inverso da divis&atilde;o celular. A sexualidade &eacute; um modo de reprodu&ccedil;&atilde;o por meio de uma uni&atilde;o que diferencia. Enquanto a reprodu&ccedil;&atilde;o por cissiparidade &#8211; e a enxertia que lhe sucede &#8211; se efetua pela divis&atilde;o de um indiv&iacute;duo em dois indiv&iacute;duos semelhantes ao primeiro, a sexualidade, pelo contr&aacute;rio, visa a uni&atilde;o de dois gametas diferentes, duas c&eacute;lulas hapl&oacute;ides, num s&oacute; indiv&iacute;duo. A acumula&ccedil;&atilde;o, a transmiss&atilde;o e a troca de genes aumentam a mobilidade volutiva. N&atilde;o &eacute; a divis&atilde;o, mas a uni&shy;&atilde;o, que permite a maior gama de diferencia&ccedil;&otilde;es da esp&eacute;cie; e essa uni&atilde;o sup&otilde;e a aquisi&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as individuais: os gametas s&atilde;o individualizados.</p>
<p></p>
<p>Nesta perspectiva, a sexualidade parece, a primeira vista, orientada para a reprodu&ccedil;&atilde;o; alargando as possibilidades duma evolu&ccedil;&atilde;o cada vez mais complexa.&nbsp; A partir da&iacute;, muitos moralistas falam do sentido &quot;natural&quot; da sexualidade, esquecendo que, &nbsp;na evolu&ccedil;&atilde;o animal, a lei mais natural de todas, a que vai regular o progresso dessa ascens&atilde;o cada vez mais complexa, &eacute; a luta ate a morte. Cometer&iacute;amos o mesmo erro se extrapol&aacute;ssemos para o dom&iacute;nio humano a diferencia&ccedil;&atilde;o na uni&atilde;o. O caminho &eacute; inverso: s&oacute; depois de havermos demonstrado, a n&iacute;vel muito diferentes, que a uni&atilde;o diferencia, &eacute; que podemos aceit&aacute;-la como lei e ordem geral.</p>
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<p>O aparecimento das estruturas de parentesco</p>
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<p>No grupo humano, as necessidades de reprodu&ccedil;&atilde;o continuam a ser primordial, mas a organiza&ccedil;&atilde;o de linhagens, em que os indiv&iacute;duos surgem com a consci&ecirc;ncia de uma pretensa ancestral, vem fornecer-nos novos dados. O problema que, desde muito cedo, parece levantar-se &agrave; esp&eacute;cie humana &eacute; o da filia&ccedil;&atilde;o, primeira cria&ccedil;&atilde;o&nbsp;&nbsp; de uma ordem social.&nbsp; Da&iacute;, uma analogia tamb&eacute;m demasiada f&aacute;cil: o ser-homem e o ser-mulher n&atilde;o seriam mais que a transposi&ccedil;&atilde;o do ser-macho e do ser-f&ecirc;mea ao n&iacute;vel superior da esp&eacute;cie, humana.</p>
<p></p>
<p>A filia&ccedil;&atilde;o assenta na realidade fisiol&oacute;gica da sexualidade. Mas a etnologia cedo veio demonstrar que a determina&ccedil;&atilde;o dos genitores macho e f&ecirc;mea &eacute; insuficiente para definir a filia&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Em toda a parte &eacute; necess&aacute;ria uma norma, uma estrutura da sociedade como lei do grupo, realidade, portanto, de&nbsp; ordem cultural, para transformar os v&iacute;nculos de sangue em filia&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma norma, aceita como tal e interiorizada, que define a fam&iacute;lia. A consang&uuml;inidade f&iacute;si&shy;ca &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente, para a exist&ecirc;ncia do parentesco. Entre&nbsp; os sang&uuml;&iacute;neos, opera-se uma escolha; um costume elevado a regra que acaba ser encarado como lei proveniente de uma esp&eacute;cie de natureza social, estabelece os casos em que a consang&uuml;inidade define o parentesco e determina ainda o rigor vari&aacute;vel dos v&iacute;nculos. A mesma regra introduz no parentesco membros que lhe trazem sangue novo. Por si s&oacute;, o v&iacute;nculo do sangue &eacute; incapaz de constituir um grupo familiar humano,</p>
<p></p>
<p>Mas o grupo animal organiza-se em verdadeira sociedade. Criam-se v&iacute;nculos, estabelece-se uma hierarquia, vigorosa e est&aacute;vel as f&ecirc;meas agrupam-se &agrave; volta do macho segundo o seu lugar na hierarquia, social, surgem em alguns casos casais que podem permanecer fieis. Mas haver&aacute; linhagens no sentido que acabamos de referir? O v&iacute;nculo que une o filho aos seus progenitores passar&aacute; a ser de filia&ccedil;&atilde;o? De fato, n&atilde;o existe nenhuma regra que permita uma ordem na confus&atilde;o das consang&uuml;inidades, isto &eacute;, uma ordem que seja suficiente para se fazer a tradi&ccedil;&atilde;o, para valer como norma. N&atilde;o existe perman&ecirc;ncia permanentemente particularizada para se poder falar de v&iacute;nculo parental. E a regula&ccedil;&atilde;o pode ter lugar mediante comportamentos &nbsp;extraordinariamente complexos, sem que as tradi&ccedil;&otilde;es se desen&shy;volvam, antes, mesmo de desabrocharem em estruturas sociais. A tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; flex&iacute;vel, ao passo que n&oacute;s assistimos &agrave; radica&ccedil;&atilde;o de condutas fixas e estereotipadas.&nbsp; Por vezes, o homem consegue tra&ccedil;ar genealogias no grupo animal; mas essas genealogias n&atilde;o s&atilde;o, de forma alguma, &quot;estruturas elementares do parentesco&quot;.</p>
<p></p>
<p>Falar de auto-regula&ccedil;&atilde;o do instinto animal, substitu&iacute;da, no caso do homem, por um dom&iacute;nio volunt&aacute;rio, &eacute; extrapolar indevidamente a partir de verifica&ccedil;&otilde;es muitas limitadas. A evolu&ccedil;&atilde;o da sexualidade levanta os mesmos problemas que a evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies, onde tem o seu lugar e n&iacute;veis pr&oacute;prios, neles surgindo para desempenhar um papel fundamental. No jogo dos grandes n&uacute;meros, verificam-se coincid&ecirc;ncias felizes e estabelece-se um&nbsp; equil&iacute;brio que equivale a uma regula&ccedil;&atilde;o, mas ao n&iacute;vel da esp&eacute;cie. Longe de ocupar a posi&ccedil;&atilde;o de um equil&iacute;brio espec&iacute;fico, o dom&iacute;nio volunt&aacute;rio surge como resultado de uma descontinuidade radical, uma vez que, subindo na escala das esp&eacute;cies, caminhamos para o que nos sentimos tentados a designar como uma completa liberta&ccedil;&atilde;o sexual ao n&iacute;vel dos primatas. Depois das observa&ccedil;&otilde;es a que se dedicou Carpenter em 1942 sobre uma col&ocirc;nia de (observa&ccedil;&otilde;es a que se dedicou Carpenter) quatrocentos e nove macacos rhesus deixados em liberdade na ilha de Santiago, o largo de porto &nbsp;rico, &nbsp;numerosas &nbsp;pesquisas&nbsp;&nbsp; vieram por em relevo a versatilidade do comportamento sexual dos antrop&oacute;ides. Tudo se passa como, se as regras da filia&ccedil;&atilde;o s&oacute; tivessem surgido com o homem, a partir dum grupo animal que, pelo contr&aacute;rio, desembocava na promiscuidade. As regras humanizantes da filia&ccedil;&atilde;o situam-se efetivamente, na linha de uma esp&eacute;cie de liberta&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, que, por&eacute;m, &eacute; de tal ordem que conduz um per&iacute;odo pr&eacute;-social, pr&eacute;-cultural, pr&eacute;-humano de promiscuidade, a uma atividade sexual sem regra no grupo do pr&eacute;-hominianos.</p>
<p></p>
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<p></p>
<p>&Eacute; certo que podemos &nbsp;facilmente constatar o enfraquecimento do v&iacute;nculo parental na fam&iacute;lia das sociedades industrializadas e urbanizadas. Mas essa evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permite qualquer compara&ccedil;&atilde;o precisa com a &quot;monogamia&quot;, tal como essa se manifesta em certas sociedades animais. A fam&iacute;lia &quot;nuclear&quot; est&aacute;, nos nossos dias, reduzida ao casal e filhos menores e &eacute; o resultado de uma lenta evolu&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos de parentesco. O casal animal, pelo contr&aacute;rio, precede este processo, &eacute; anterior ao desenrolar do movimento. Situa-se antes de qualquer regra que permita a filia&ccedil;&atilde;o. Assim, a, perpetuidade animal e assegurada fora de qualquer linhagem, a n&atilde;o ser que o homem imponha de fora essa linhagem atrav&eacute;s de uma sele&ccedil;&atilde;o artificial.</p>
<p></p>
<p>Mas onde descobrir os fundamentos do grupo humano? Ser&aacute; o grupo que a si pr&oacute;prio fornece uma regra para se estruturar?</p>
<p></p>
<p>Ser&aacute; a norma que constitui o grupo como humano? A intera&ccedil;&atilde;o desenrola-se em perfeita reciprocidade, de acordo com o jogo rec&iacute;proco do individual e do social.</p>
<p></p>
<p>Para empregar a linguagem de Claude L&eacute;vi-Strauss, diremos que um universo de regras (o da cultura) sucede o universo das leis (o da natureza). N&atilde;o temos necessidade de reproduzir, a g&ecirc;nese da regra, mas devemos reconhecer que ela n&atilde;o se imp&otilde;e por si, que n&atilde;o pode ser deduzida de uma &quot;lei natural&quot;, &quot;o mundo cultural constitui-se, n&atilde;o fora ou acima, mas no seio da natureza, e o homem &eacute; um agente natural. Nessa qualidade, mais n&atilde;o faz que reorganizar os condicionamentos naturais, mas essa reorganiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, por sua vez, condicionada, e, nesse sentido, mais n&atilde;o pode ser que uma organiza&ccedil;&atilde;o, ou seja, um sistema de regras, no sentido, nomeadamente de o homem n&atilde;o poder iludir esse poder cultural. O sistema &eacute; vivido como necess&aacute;rio, a regra &eacute; sentida como Lei e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8212; origem do etnocentrismo &#8212; a cultura &eacute; suportada como natureza&quot;.</p>
<p></p>
<p>A rela&ccedil;&atilde;o social deixa de ser uma rela&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, ainda que permane&ccedil;a condicionada por esta &uacute;ltima. &Eacute; preciso avaliar o alcance de tal ruptura. Existe a rela&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica entre o filho, humano ou n&atilde;o, e os seus progenitores; a uni&atilde;o que originou o seu nascimento &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica entre os progenitores. Mas a rela&ccedil;&atilde;o social de filia&ccedil;&atilde;o em outra e esse fundamento n&atilde;o, lhe basta. Aqui, tudo decorre de uma norma. E os costumes, erigidos em regras inviol&aacute;veis, eri&ccedil;ados de tabus protetores, desenvolvera-se em modos diversos de filia&ccedil;&atilde;o. Os condicionamentos biol&oacute;gicos apenas nos permitem prever, a primeira vista, dois tipos gerais consoante a import&acirc;ncia a um ou a outro dos progenitores: patrilinear e matrilinear.</p>
<p></p>
<p>As regras das descend&ecirc;ncias s&atilde;o condicionadas pelos bio l&oacute;gicos, mas n&atilde;o nascem espontaneamente do biol&oacute;gico nem s&atilde;o os deuses desenvolvimentos humanos. O social tem outra origem e manifesta-se com o aparecimento de uma estrutura de parentesco. E a gama de estruturas de parentesco que vemos desenvolver-se a partir dos mesmos condicionamentos sexuais e extremamente amplas. Se o biol&oacute;gico n&atilde;o explica as estruturas sociais que condiciona, os v&iacute;nculos sociais, por sua vez, n&atilde;o explicam os sentimentos pessoais que condicionam, quando os esquadram, desenvolvem ou recalcam. Assin, a ternura espalhar&aacute; a sua bruma protetora sobre os inpulsos er&oacute;ticos, sem se dobrar &agrave;s regras do cl&atilde;; o amor poder&aacute; nascer dentro da institui&ccedil;&atilde;o familiar, nas n&atilde;o a partir dela, e muitas, vezes nascer&aacute; contra ela. Pode-se at&eacute; dizer que a institui&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a por proteger a sociedade da erup&ccedil;&atilde;o irracional da paix&atilde;o,</p>
<p></p>
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<p></p>
<p>A curiosa esp&eacute;cie humana institui um jogo de interdepend&ecirc;ncias que amplia a abertura das varia&ccedil;&otilde;es e das mobilidades.</p>
<p></p>
<p>Podemos j&aacute; concluir que ser homem ou ser mulher s&atilde;o modos humanos de existir numa sociedade que n&atilde;o &eacute; regulada pela simples consang&uuml;inidade biol&oacute;gica, impondo, pelo contrario, as suas pr&oacute;prias regras a essa consang&uuml;inidade que a precede e se prote&shy;ge dos sentimentos que a acompanham. Ser macho ou f&ecirc;mea constitui condicionamento da condi&ccedil;&atilde;o de homem ou mulher, nas n&atilde;o a define.</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p></p>
<p>A proibi&ccedil;&atilde;o do incesto</p>
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<p>Eis-nos, pois, remetidos para a descoberta l&ecirc; uma norma fundamental: o m&iacute;nimo de regras que permite a filia&ccedil;&atilde;o. Esta regra m&iacute;nima, condicionadora da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de uma sociedade, transforma-se em lei inabal&aacute;vel a que todo o ser humano, animal social, vai submeter-se. Eis-nos, fundamentalmente, remetido para a oposi&ccedil;&atilde;o entre o desejo e a lei; apari&ccedil;&atilde;o de um limite no &acirc;mago do desejo, que, por isso mesmo &eacute; universal. O limite s&oacute; aparece atrav&eacute;s de supera&ccedil;&atilde;o que universaliza o desejo; tudo &eacute; desej&aacute;vel na pr&oacute;pria medida em que qualquer coisa &eacute; imposs&iacute;vel ou interdita. No dom&iacute;nio sexual, a oposi&ccedil;&atilde;o tomar&aacute; a forma heterossexual, porque a regra visa a filia&ccedil;&atilde;o: nem toda a mulher desej&aacute;vel &eacute; acess&iacute;vel. A proibi&ccedil;&atilde;o fundamental pode, na sua forma mais simples, exprimir-se assim: n&atilde;o nos &eacute; permitida a uni&atilde;o com uma, pessoa qualquer. &nbsp;Algumas f&ecirc;meas est&atilde;o interditas ao macho&#8211;ou alguns machos &agrave; f&ecirc;mea, n&atilde;o porque aquele receie enfrentar um possuidor mais forte nem, como &eacute; evidente, porque o homem conhece uma regulamenta&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica do desejo, mas porque de outra, forma a sociedade deixaria de ter bases, n&atilde;o existiria mais e o humano desapareceria com ela. As proibi&ccedil;&otilde;es respeitam, em primeiro lugar, a uni&atilde;o do macho com a m&atilde;e ou da jovem com o pai (porque &eacute; ela a primeira a opor-se ao estabelecimento de uma filia&ccedil;&atilde;o, de um la&ccedil;o parental, com uma import&acirc;ncia que se assentuar&aacute; mais ou menos, num sentido ou noutro, consoante as modalidades de descend&ecirc;ncia forem patrilineares ou matrilineares.</p>
<p></p>
<p>&Eacute; neste sentido, o mais geral poss&iacute;vel, que se pode ver na proibi&ccedil;&atilde;o do incesto o sinal da passagem ao humano. Esta interdi&ccedil;&atilde;o serve de fundamento ao v&iacute;nculo parental, marca a passagem, do grupo animal ao grupo humano ou, se preferir, a passagem da natureza a cultura.</p>
<p></p>
<p>A partir do momento que existe o humano, o desejo &eacute; r&eacute;freado. E esta limita&ccedil;&atilde;o resulta duma interdi&ccedil;&atilde;o que, por sua vez, deriva, n&atilde;o de uma impot&ecirc;ncia concreta, mas duma regra do grupo que &eacute; interiorizada a ponto de se fazer dela uma lei. Este poder social que refreia o desejo leva ao recalcamento. E a ordem, n&atilde;o pode ser invertida: sendo condi&ccedil;&atilde;o do recalcamento, a proibi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser resultado dele. Dai, h&aacute; que tirar algumas conseq&uuml;&ecirc;ncias psico-sociol&oacute;gicas. Se a uni&atilde;o com a m&atilde;e &eacute; proibida, isso n&atilde;o e conseq&uuml;&ecirc;ncia de uma lei biol&oacute;gica que, nesse caso, suspenderia o desejo sexual. Tamb&eacute;m n&atilde;o resulta de uma sublima&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica: essa sublima&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e o recalcamento, que por sua vez pressup&otilde;e a limita&ccedil;&atilde;o de desejo. O papel essencial &eacute; desempenhado pela proibi&ccedil;&atilde;o, uma proibi&ccedil;&atilde;o que, no grupo humano, vale como lei porque faz valer esse grupo como humano. Tamb&eacute;m no v&iacute;nculo irm&atilde;o-irm&atilde; a sexualidade &eacute; obrigatoriamente superada, n&atilde;o porque a vida em comum, embotando o desejo sexual, basta para o explicar, mas em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia da regra, elevada &agrave; categoria de lei. A norma que estrutura o grupo familiar obriga &agrave; sublima&ccedil;&atilde;o do desejo, ao mesmo tempo que d&aacute; origem ao recalcamento.</p>
<p></p>
<p>
</p>
<p></p>
<p>Estas observa&ccedil;&otilde;es encaminham-nos para una conseq&uuml;&ecirc;ncia capital no que respeita &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es do ser-homem e do ser-mulher com o ser-macho e o ser-f&ecirc;mea. A passagem da animalidade &agrave; humanidade n&atilde;o pode ser individualizada, n&atilde;o pode haver passagem de um animal a um homem; a passagem efetua-se da esfera animal para a esfera humana, da humanidade &agrave; animalidade, ou, como diz Hegel, da vida ao esp&iacute;rito.</p>
<p></p>
<p>Como lei, do grupo, a proibi&ccedil;&atilde;o vai tamb&eacute;m, obrigar; os grupos a unirem-se. A proibi&ccedil;&atilde;o do incesto n&atilde;o tem sentido apenas dentro de uma linhagem; individualizando (individualizada), a linha de parentesco extingue-se. &Eacute; preciso que a mesma proibi&ccedil;&atilde;o s&eacute; imponha a outro grupo onde surjam, tamb&eacute;m, v&iacute;nculos de parentesco. &Eacute; ent&atilde;o que a interdi&ccedil;&atilde;o desvenda o seu sentido: n&atilde;o se trata de uma limita&ccedil;&atilde;o de permuta sexual; &eacute;, pelo contr&aacute;rio, a lei que vai obrigar a alargar o campo da permuta, &agrave; escolha da esposa fora do grupo familiar. Ao elevar-se &agrave; categoria de lei, a regra muda de sinal, passa a ser lei de reciprocidade na permuta. A repress&atilde;o do desejo vai permitir aos indiv&iacute;duos que lentamente descubram, ao longo da hist&oacute;ria, que a limita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passa de apar&ecirc;ncia e conduz, afinal, ao desabrochar da d&aacute;diva.</p>
<p></p>
<p>Porque fundamental esta oposi&ccedil;&atilde;o entre a lei e o desejo excede o campo sexual, no qual a vimos aplicada, e repercute-se nas zonas mais n&iacute;tidas da consci&ecirc;ncia; os seus ecos ressoam a to dos os n&iacute;veis do grande concerto humano. &quot;&Eacute; t&atilde;o necess&aacute;rio que o pensamento se baseie num impulso vital e numa esp&eacute;cie de avidez-espiritual, qu&atilde;o indispens&aacute;vel &eacute; em n&oacute;s que esse movimento de express&atilde;o seja, pelo menos parcialmente, detido, avaliado, for&ccedil;ado-a desdobrar-se em rea&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas e ativas&quot;. Desejo, refreado!</p>
<p></p>
<p>O desejo &eacute; humanizado pela lei que o limita. &Eacute; gra&ccedil;as, a essa limita&ccedil;&atilde;o que a rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e a natureza deixa de ser imediata. A rela&ccedil;&atilde;o homem-natureza resultar&aacute; de uma a&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; mediatizada pelo trabalho.&nbsp; O desejo animal destr&oacute;i o seu&nbsp; objeto, o desejo humano &eacute; desejo refreado. No homem, a satisfa&ccedil;&atilde;o da necessidade e evanescencia do objeto s&atilde;o assim retardadas. O desejo animal &eacute; destruidor, mas o animal continua prisioneiro da rela&ccedil;&atilde;o desejo-objeto, da coisicidade. Retardamento e limita&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de natureza formativa e o homem nega realmente o objeto sem o de ir; a sua nega&ccedil;&atilde;o consiste em transformar o objeto para a si o submeter.</p>
<p></p>
<p>Uma an&aacute;lise mais geral do desejo conduz-no ao mundo humano do trabalho. O desejo sexual n&atilde;o &eacute; regulado de maneira diferente; e a sexualidade &eacute; assim introduzida no mundo humano, n&atilde;o diretamente atrav&eacute;s da sublima&ccedil;&atilde;o, mas, mais uma vez, pela passagem dileta de t&ocirc;da a animalidade a toda humanidade.</p>
<p></p>
<p>O fundamento assim reconhecido n&atilde;o &eacute; de forma alguma transpon&iacute;vel em g&ecirc;nese, o que nos arrastaria indefinidamente para o passado, em busca de uma origem inating&iacute;vel. Mais que de origem, trata-se de um fundamento perpetuamente presente. Tal como a transi&ccedil;&atilde;o, a oposi&ccedil;&atilde;o do desejo &agrave;&nbsp; lei manifesta a diferen&ccedil;a entre a vida e o esp&iacute;rito, entre duas esferas diferentes, entre natureza e a cultura, a sua inser&ccedil;&atilde;o -num mundo de comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; sempre referida a um desejo refreado. Mas, mais do que a interdi&ccedil;&atilde;o sexual, o exemplo dado por Maurice Blondel recorda o trabalho alienado do escravo, trabalho executado, j&aacute; n&atilde;o satisfa&ccedil;&atilde;o dos seus desejos ou necessidades, mas em obedi&ecirc;ncia &agrave; lei do mais forte, &agrave; lei do senhor. Na dial&eacute;tica complexa que est&aacute; na origem deste ser-relacional que define o humano, a sexualidade desempenha em absoluto o papel de catalisador, antes de ela&nbsp;&nbsp;pr&oacute;pria, se tornar sinal e linguagem. &Ecirc; em virtude de o homem ser um animal pol&iacute;tico que a sexualidade se torna sinal de austeridade radical, mas a rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, em si mesma, a origem da rela&ccedil;&atilde;o inter-pessoal. E se a sexualidade de hoje a mais elevada manifesta&ccedil;&atilde;o da inter-personalidade na intimidade conjugal, n&atilde;o o &eacute; como origem mas como linguagem, foi lentamente que, no decorrer da lenta hist&oacute;ria das culturas, a sexualidade p&ocirc;de-se tornar humana. A tentativa de descrever uma g&ecirc;nese, harmoniosa e cont&iacute;nua da sexualidade animal at&eacute; &agrave; sexualidade humana acha-se voltada ao fracasso, dada a parcialidade do seu ponto de vista; igualmente falacioso ser&aacute; o moralismo biol&oacute;gico que pretenda encontrar para a regra social ou para a regra moral uma base definitivamente celular ou gen&eacute;tica. O esp&iacute;rito n&atilde;o &eacute; um osso, nem a organiza&ccedil;&atilde;o celular que lhe acondiciona o aparecimento. Resta que &eacute; bem a oposi&ccedil;&atilde;o entre o desejo e a lei que faz passar a sexualidade do seu papel na reprodu&ccedil;&atilde;o animal para a esfera humana, onde o homem e a mulher j&aacute; n&atilde;o podem descobrir-se como macho ou f&ecirc;mea sen&atilde;o atrav&eacute;s de uma cultura e de estruturas sociais, a partir de uma organiza&ccedil;&atilde;o particular.</p>
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<p>Relatividade apaziguadora na qual &eacute; preciso insistir, de tal maneira &eacute; grande a tenta&ccedil;&atilde;o que leva certos esp&iacute;ritos a procurarem a explica&ccedil;&atilde;o do presente numa re-cria&ccedil;&atilde;o do passado, ou numa ilus&oacute;ria representa&ccedil;&atilde;o das origens. A imagem do andr&oacute;gino &eacute; um bom exemplo desta forma de solucionar os conflitos de hoje pela sua repress&atilde;o pura e simples num passado m&iacute;tico. E da mesma maneira que a oposi&ccedil;&atilde;o dos sexos aparece imaginariamente resultar de uma divis&atilde;o, o ideal ser&aacute; a fus&atilde;o e n&atilde;o a comunh&atilde;o um s&oacute; e n&atilde;o dois numa s&oacute; carne. A ci&ecirc;ncia e a filosofia comprovam a exist&ecirc;ncia dos mitos, mas o mito n&atilde;o cont&eacute;m mais que uma necessidade de ordena&ccedil;&atilde;o, e de unifica&ccedil;&atilde;o. Enquanto revelador de uma sabedoria j&aacute; totalit&aacute;ria &agrave; nascen&ccedil;a, o mito deixa de ser portador de sentido; a hist&oacute;ria permite compreender os mitos, mas a rec&iacute;proca n&atilde;o &eacute; verdadeira.</p>
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<p>N&atilde;o pensemos, por&eacute;m, que, no final de contas, acabamos com os ecos que se repercutem no nosso presente, de descrever uma g&ecirc;nese, embora parcial, e que, descrevendo-a, lhe descobrimos uma explica&ccedil;&atilde;o. Passamos de uma esfera animal onde n&atilde;o existia a interdi&ccedil;&atilde;o, que, para simplificar, chamamos proibi&ccedil;&atilde;o do incesto (ainda que o incesto nem seja sempre for&ccedil;osamente interditada), para uma esfera humana onde o desejo, de por si universal, &eacute; limitado pela lei. Mas a oposi&ccedil;&atilde;o do desejo e da lei n&atilde;o explica, de forma alguma, uma transi&ccedil;&atilde;o de que &eacute; resultado. Uma fenomenologia mais completa deveria ainda indagar como &eacute; que o desejo se tornou universal e como &eacute; que esse desejo universalizado se v&ecirc; impor um limite interior, ainda que intranspon&iacute;vel ou pelo menos, de tal ordem que a sua transgress&atilde;o implica necessariamente uma ruptura da ordem total do mundo. Mas como nasceu a lei? O que se nos apresenta &eacute; uma descontinuidade, cuja import&acirc;ncia mais uma vez &eacute; preciso acentuar, pois h&aacute; ainda muitos bi&oacute;logos que se julgam autorizados a vulgarizar a id&eacute;ia de que o homem prov&eacute;m, do macho e a mulher da f&ecirc;mea, como a galinha do ovo chegando a ponto de procurar descobrir fundamentos biol&oacute;gicos para as leis morais, nesta harmonia imagin&aacute;ria.</p>
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<p>Os indiv&iacute;duos que n&atilde;o eram sen&atilde;o machos ou f&ecirc;meas descobrem-se homem e mulher, numa sociedade cuja regulamenta&ccedil;&atilde;o cultural se transforma em lei social. A luta at&eacute; &agrave; morte, lei &ldquo;natural&rdquo; das esp&eacute;cies, &eacute; limitada pela obriga&ccedil;&atilde;o de trocas, racionaliza&ccedil;&atilde;o dessa, luta at&eacute; a morte. Hegel mostrou que esta transi&ccedil;&atilde;o sup&otilde;e um v&iacute;nculo relacionai, conhecimento e reconhecimento, uma dial&eacute;tica senhor-escravo t&atilde;o fundamental como a dial&eacute;tica homem-mulher. A rela&ccedil;&atilde;o do senhor com o escravo &eacute;, em si mesma,uma limita&ccedil;&atilde;o da luta at&eacute; a morte&nbsp; e tamb&eacute;m do desejo, na medida em que este &eacute;, no fundo, nega&ccedil;&atilde;o: limite interior a agressividade do desejo. Sem descrever de novo as etapas l&oacute;gicas de tal transi&ccedil;&atilde;o, basta constatar que na dial&eacute;tica senhor-escravo, assim como na dial&eacute;tica homem-mulher, n&atilde;o se &eacute; homem enquanto, indiv&iacute;duo mas enquanto rela&ccedil;&atilde;o. O homem n&atilde;o &eacute; homem sen&atilde;o enquanto conhecido e reconhecido, tanto na oposi&ccedil;&atilde;o como na conjun&ccedil;&atilde;o.</p>
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<p>Escrevendo noutras perspectivas, L&eacute;vi-Stauss demonstrou que o humano s&oacute; se revela a um triplo n&iacute;vel de permuta: permuta de bens, mas como um desafio na d&aacute;diva, &quot;presta&ccedil;&atilde;o total de car&aacute;ter agn&oacute;stico&quot;, para usar a express&atilde;o de Marcel Mauss; permuta de mulheres, com as suas normas particulares, tanto dentre como fora do cl&atilde;; permutas de experi&ecirc;ncias, finalmente, por meio de linguagem. Em caso algum encontramos a oposi&ccedil;&atilde;o artificial do indiv&iacute;duo a sociedade; o grupo interioriza as suas normas, as suas regras transformam-se em &ldquo;substancias &eacute;tica&rdquo; e a efic&aacute;cia de uma lei &eacute; muita mais terr&iacute;vel quando a sua transgress&atilde;o abala o microcosmo constitu&iacute;do por todo o horizonte do cora&ccedil;&atilde;o e do pensamento. &Eacute; com estas leis que a sociedade se defende, n&atilde;o s&oacute; contra a liberdade de permuta sexual, que amea&ccedil;aria a vida e coes&atilde;o do grupo, mas tamb&eacute;m contra uma econ&ocirc;mica n&atilde;o encerrada no sistema de presta&ccedil;&otilde;es totais. Nem a pr&oacute;pria permuta verbal deixou de ser limitada por r&iacute;gidas leis de segrega&ccedil;&atilde;o sexual, ao momento em que a sociedade inventou estruturas s&oacute;lidas capazes de assegurar, por vias diferentes dos v&iacute;nculos de parentesco, uma coer&ecirc;ncia igualmente s&oacute;lida.</p>
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<p>Ser-homem e ser-mulher</p>
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<p>Ser-homem ou ser-mulher n&atilde;o consiste apenas em ser macho ou f&ecirc;mea da esp&eacute;cie humana; consiste tamb&eacute;m em se descobrir como pessoa numa cultura, uma vez que a sexualidade l&aacute; n&atilde;o se revela ao homem e &agrave; mulher sen&atilde;o atrav&eacute;s da oposi&ccedil;&atilde;o (social) entre a lei e o desejo. A &ldquo;natureza&rdquo; biol&oacute;gica, por mais presente que esteja com toda a sua for&ccedil;a, surge como um passado, passado por que a esfera biol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; mais que um condicionamento da esfera humana, passado porque o humano n&atilde;o &eacute; uma rosa que desabrocha lentamente na extremidade do caule animal, mas um mundo que surge dum outro mundo. As gera&ccedil;&otilde;es evolutivas do mundo animal n&atilde;o s&atilde;o mais que imagens e s&oacute; um pattern estat&iacute;stico nos d&aacute; um seu equivalente. A continuidade &eacute;, sem duvida, total na medida em que &eacute; poss&iacute;vel encontrar um par&acirc;metro no embrenhado da evolu&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m a ruptura d&aacute;-se ao n&iacute;vel de duas totalidades espec&iacute;ficas e, na esfera humana, a natureza, f&iacute;sica e biol&oacute;gica, n&atilde;o &eacute; mais que um dado, uma obra a se realizar, a fim de a conhecer, dominar, organizar e transformar.</p>
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<p>&Eacute; tempo de tirarmos daqui algumas conseq&uuml;&ecirc;ncias. </p>
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<p>O macho e a f&ecirc;mea definem-se por caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas individualizadas, por um lado, e por outro, comportamentos espec&iacute;ficos. Para l&aacute; dos condicionamentos da gera&ccedil;&atilde;o, masculinidade e feminilidade devem definir-se por v&iacute;nculos sociais? Alguns afirmam que devem definir-se tamb&eacute;m por meios de v&iacute;nculos sociais, como se esses v&iacute;nculos sociais fossem exteriores ao biol&oacute;gico e a ele acrescessem, quando o sistema de parentesco &eacute; uma reorganiza&ccedil;&atilde;o dos condicionamentos naturais e o sistema de reorganiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; imposto por esses condicionamentos; a &uacute;nica necessidade &eacute; a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de uma reorganiza&ccedil;&atilde;o. H&aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o de duas esferas, sem que uma possa determinar a outra de uma vez para sempre, o vinculo n&atilde;o &eacute; casual; &eacute; para se achar uma perman&ecirc;ncia na diferencia&ccedil;&atilde;o sexual ao n&iacute;vel do homem e da mulher, &eacute; preciso recuar at&eacute; &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o do incesto, a menos que confundamos o humano com os condicionamentos biol&oacute;gicos. O homem &eacute; um macho, mas o fato de se macho n&atilde;o tem um sentido j&aacute; constitu&iacute;do, que se manifeste na masculinidade; a mulher &eacute; una f&ecirc;mea, mas ser f&ecirc;mea n&atilde;o &eacute; um sentido definitivo, transposto em feminidade. Na base da sexualidade de humana, encontramos a oposi&ccedil;&atilde;o desejo-lei. Mudamos de esfera quando as semelhan&ccedil;as entre as condutas complexas dos homens e as dos animais continuam a ser evidentes. A descontinuidade prossegue na esfera, humana, como discord&acirc;ncia entre os v&iacute;nculos de sangue, os v&iacute;nculos de parentesco e os v&iacute;nculos afetivos, cuja-trama se mistura sem se confundir. No entanto, o problema fundamental &eacute; o da descend&ecirc;ncia, tal como para a esp&eacute;cie animal era o da reprodu&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o o do amor e nem o da diretamente o da uni&atilde;o do macho com a f&ecirc;mea.</p>
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<p>Numa perspectiva de pura continuidade passar&iacute;amos de um instinto auto-regulado da esp&eacute;cie, no animal, para, um instinto dominado pela vontade, no homem. No animal, a regra basear-se-ia num comportamento instintivo harmonioso que visasse o bem da esp&eacute;cie, ao passo que a vontade do homem visaria o bem comum da pessoa e da sociedade &#8211; isto sem mesmo indagarmos se existe verdadeiramente um instinto exterior aos comportamentos.</p>
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<p>&Ecirc; a linhagem que, desde logo, importa. Mas toda e qualquer transposi&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo animal para o indiv&iacute;duo humano &eacute; muito pouco significativa. N&atilde;o existe instinto maternal na f&ecirc;&shy;mea animal; h&aacute;, sim, um comportamento complexo integrado num vasto sistema social que visa o bem da esp&eacute;cie e nela a&nbsp; f&ecirc;mea tem o seu papel a desempenhar. Mas, quando o observador intervem para confundir os dados fundamentais do sistema, o comportamento &eacute; alterado. O sistema de parentesco humano &eacute; semelhante, mas assenta num dado espec&iacute;fico: a oposi&ccedil;&atilde;o desejo-lei e as suas repercuss&otilde;es a todos os n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o social. Se considerarmos o exemplo da maternidade, ficamos surpreendidos quando a vemos ainda apresentada como um instinto, que se manifesta em voca&ccedil;&atilde;o individual. O erro est&aacute; quer em considerar a f&ecirc;mea animal abstra&iacute;do da sociedade animal, quer em encarar a mulher fora do contexto da sociedade humana. Mas acabar&iacute;amos por cair no mesmo simplismo se compar&aacute;ssemos as sociedades animal e humana para extrairmos da compara&ccedil;&atilde;o diretivas ou normais.</p>
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<p>A sexualidade n&atilde;o visa, imediatamente, o encontro inter-pessoal do homem e da mulher, mas o grupo e a sua, perman&ecirc;ncia. A tomada de consci&ecirc;ncia, de outro como o homem desabrochar&aacute; sem d&uacute;vida, plenamente no amor rec&iacute;proco do homem e da mulher, mas as rela&ccedil;&otilde;es inter-humanas n&atilde;o se situam imediatamente ao n&iacute;vel duma sublima&ccedil;&atilde;o da sexualidade. O homem n&atilde;o se faz homem ao tomar consci&ecirc;ncia da alteridade radical que a sexualidade implica; pelo contr&aacute;rio, &eacute; a lenta historia das rela&ccedil;&otilde;es humanas, e a complexidade crescente dos v&iacute;nculos respectivos que o fazem tomar consci&ecirc;ncia do novo sentido que a sexualidade pode adquirir. S&oacute; tardiamente a sexualidade se transformar&aacute; num tranq&uuml;ilo encontro interpessoal, n&atilde;o sem ter de triunfar de inexor&aacute;veis tabus e de&nbsp; superar institui&ccedil;&otilde;es que faziam fundamentalmente do casamento um encontro de fam&iacute;lias. S&oacute; ent&atilde;o o erotismo, em lugar de ser um acesso do desejo exasperado pelos limites impostos pela lei, pode tamb&eacute;m tornar-se linguagem de amor</p>
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<p>&Eacute; a este n&iacute;vel de investiga&ccedil;&atilde;o que &eacute; preciso chegar para se saber como &eacute; que a sexualidade se fez lentamente linguagem &Eacute; certo que, nas civiliza&ccedil;&otilde;es primitivas, a mulher era encarada como produtora de sinais e objetos de troca, antes de ser encarada como produtora de sinais e objetos de desejo. &Eacute; preciso que o amor exceda as fronteiras da permuta sexual e se situe tamb&eacute;m no dom&iacute;nio da permuta econ&ocirc;mica e verbal. Mas ser&atilde;o necess&aacute;rios mil&ecirc;nios para que o erotismo concebido como significa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica dada ao ato fisiol&oacute;gico para o transpor para um n&iacute;vel daquele em que se realiza&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&#8212;-se transforme em linguagem de amor. Dizer que o erotismo desemboca hoje na linguagem n&atilde;o &eacute; romantismo, sonho ou tagarelice amorosa, nem esquecimento das puls&otilde;es sexuais que est&atilde;o na origem do encontro das pessoas na sua qualidade de homem e de mulher; sendo o homem um animal pol&iacute;tico, corresponde a afirmar que a sexualidade &eacute; uma dimens&atilde;o da sociedade humana e em toda a sua evolu&ccedil;&atilde;o, dimens&atilde;o de uma totalidade por forma tal que em nenhum dom&iacute;nio &eacute; poss&iacute;vel esquecer o sexual. &nbsp;A uni&atilde;o realiza-se numa sociedade determinada e, realizando-se, obedece ou viola as leis, mas o amor n&atilde;o &eacute; um epifen&ocirc;meno dessa uni&atilde;o, nem uma aura que o prepare ou prolongue. Como toda a linguagem, o amor aprende-se, forma-se e aperfei&ccedil;oa, criando uma historia e uma cultura. Mas a passagem da sexualidade &agrave; linguagem e t&atilde;o recente que n&atilde;o ultrapassamos ainda a fase do seu balbuciar. A sexualidade s&oacute; se pode expandir como linguagem numa sociedade que tenha inventado estruturas bastante fortes para lhe permitir defender-se da paix&atilde;o e at&eacute; da fam&iacute;lia; isso sup&otilde;e uma igualdade efetiva os n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o. 0 amor conjugal, tal como ele hoje pode surgir ao n&iacute;vel da permuta verbal e da permuta econ&ocirc;mica, desponta sobre s&eacute;culos de hist&oacute;ria e de evolu&ccedil;&atilde;o cultural.</p>
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<p>O amor enra&iacute;za numa vida social em que o homem se torna mais homem e que n&atilde;o resultou da rela&ccedil;&atilde;o sexual. Mas esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; muitas vezes mal compreendida como se fiz&eacute;ssemos do amor uma rela&ccedil;&atilde;o transcendente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o sexual &#8211; quando o que pretendemos dizer &eacute; que a rela&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o basta para explic&aacute;-lo. Os esquemas explicativos &agrave; maneira causal s&atilde;o insuficientes a menos que se fa&ccedil;a do homem uma coisa, viva e sens&iacute;vel embora. N&atilde;o &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o sexual que explica o amor nem, inversamente, o amor que explica a rela&ccedil;&atilde;o sexual e o sentido assim conferido, verdadeiramente novo, n&atilde;o tem antecedentes, mas apenas condicionamentos m&uacute;ltiplos, aproxima&ccedil;&otilde;es sexuais, no sentido biol&oacute;gico do termo.</p>
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<p>Masculinidade e feminilidade s&atilde;o pseudo-conceitos que s&oacute; podem encontrar defini&ccedil;&otilde;es movedi&ccedil;as numa sociedade determinada. Enquanto as sociedades se afiguravam fixas, enquanto os legisladores julgavam legislar para a eternidade (e os convencionais ainda persuadidos disso), foi poss&iacute;vel encarar a masculinidade e a feminidade como categoria defin&iacute;veis com um conte&uacute;do s&oacute;lido e permanente, sob uma superf&iacute;cie movedi&ccedil;a folcl&oacute;rica. Hoje a sociedade evolui de forma demasiadamente r&aacute;pida e a relatividade do passado &eacute; demasiado conhecido para podermos ceder as essas tranq&uuml;ilizantes ilus&otilde;es de estabilidade.</p>
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<p>Masculinidade e feminidade n&atilde;o s&atilde;o caracter&iacute;sticas in dividuais, de ordem biol&oacute;gica ou psicol&oacute;gica. O papel que desempenham &eacute; vari&aacute;vel. &Eacute; em v&atilde;o que o receio da hist&oacute;ria procura um ref&uacute;gio no positivismo psicol&oacute;gico ou num biologismo que n&atilde;o faria mais do que renovar a simplicidade do vitalismo. A forma&ccedil;&atilde;o de estruturas de parentesco impede-nos de confundir os condicionamentos com os fundamentos do humano,</p>
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<p>Mas n&atilde;o estamos por isso autorizados, como julgava Simone de Beauvoir, a ver na categoria do feminino &#8211; a &uacute;nica em quest&atilde;o, em virtude da tradicional inferioridade feminina&#8212;uma pura cria&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria social. Isso levar-nos-ia a uma pura neutralidade sexual ao n&iacute;vel da pessoa, onde o valor do corpo sexuado proviria apenas das for&ccedil;as das imagens sociais. Mas o fato de n&atilde;o serem fundamento da esfera humana n&atilde;o impede os condicionamentos biol&oacute;gicos de lhe imporem limita&ccedil;&otilde;es. O que acon&shy;tece &eacute; que essas limita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser fixadas de uma&nbsp; vez para sempre ao n&iacute;vel do indiv&iacute;duo. </p>
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<p>Somos levados a tornar como&nbsp; objeto de an&aacute;lise a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o, a pessoa enquanto rela&ccedil;&atilde;o. A rela&ccedil;&atilde;o sexual aparece, a partir da&iacute;, como fundamental e constitui liga&ccedil;&atilde;o com uma por&ccedil;&atilde;o de outras rela&ccedil;&otilde;es que fazem do homem um animal social, o sexo interfere em tudo, na medida em que n&atilde;o existe uma malha da vasta rede social em que o n&atilde;o encontremos implicado. A sexualidade humana n&atilde;o &eacute; origem simples nem &uacute;nica atmosfera; &eacute; uma dial&eacute;tica fundamental, que interfere com outras dial&eacute;ticas fundamentais.</p>
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<p>Ligada &agrave; hist&oacute;ria, a sexualidade passa a ser, para n&oacute;s, simultaneamente, linguagem e obra a realizar. A hist&oacute;ria, uma vez descoberta e entregue ao homem, n&atilde;o mais ser&aacute; abandonada. Muitos pensam que, uma vez passada a crise, surgir&atilde;o outras normas, outros papeis a desempenhar, outras imagens em que ser&aacute; poss&iacute;vel objetivar de novo o masculino e o feminino; uma vez reencontrada, por algum, tempo, a estabilidade, a compara&ccedil;&atilde;o, torna-se-&aacute; de novo poss&iacute;vel e poderemos efetuar ent&atilde;o a decanta&ccedil;&atilde;o do que resta do passado e daquilo que foi rejeitado, modificado, acrescentado.&nbsp; Trata-se, por&eacute;m, duma esperan&ccedil;a v&atilde;, pois isso seria abandonar a hist&oacute;ria. Durante muito tempo, o pr&oacute;prio dom&iacute;nio pol&iacute;tico pareceu fundado em leis naturais, e a sociedade pode ser encarada como uma grande fam&iacute;lia tradicional, vivida ainda como &ldquo;natural&rdquo;. S&oacute; muito recentemente nos desembara&ccedil;amos das leis naturais da economia e come&ccedil;amos a considerar normal a interven&ccedil;&atilde;o do homem no mercado. Pol&iacute;tica e economia passaram a ser obras humanas. Por sua vez, e em &uacute;ltimo lugar, a sexualidade passa tamb&eacute;m a ser linguagem e obra humana, obra a realizar, delicada, dif&iacute;cil e apaixonante. Cabe-nos&nbsp; a n&oacute;s, a n&oacute;s apenas, dar-lhe um sentido. Mas n&atilde;o ao acaso. A sexualidade n&atilde;o est&aacute; mais sujeita a qualquer dos caprichos da nossa fantasia do que a economia ou a pol&iacute;tica, mas est&aacute; entregue nas nossas m&atilde;os. A masculinidade e a feminidade ser&atilde;o, de hoje em diante, aquilo que o homem e a mulher fizerem delas. N&atilde;o sem limites (uma vez mais) ou condicionamentos; a supress&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o entre o desejo e a lei seria, o fim do humano. J&aacute; n&atilde;o por adapta&ccedil;&atilde;o do modo feminino de existir ao modo masculino,&nbsp; tido por mais eficaz ou mais capaz de expans&atilde;o, o que seria una forma de acabar, de vez, com o problema e com a oposi&ccedil;&atilde;o. Trata-se-&aacute;, pelo contr&aacute;rio, de uma m&uacute;tua diferencia&ccedil;&atilde;o totalmente sujeita a desenvolver-se, mas de uma diferencia&ccedil;&atilde;o ativa ao n&iacute;&shy;vel da rela&ccedil;&atilde;o interpessoal.</p>
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<p>&ldquo;Se a dualidade dos sexos n&atilde;o podem ser reduzida a um fen&ocirc;meno da natureza, e tamb&eacute;m n&atilde;o resulta apenas da historia&shy; das civiliza&ccedil;&otilde;es. Uma verdadeira antropologia s&oacute; pode desvendar a natureza no &acirc;mbito duma sociedade concreta, onde a cultura s&oacute; se torna hunana suscitando novos riscos de desnaturar o homem e a mulher&rdquo;. Seria ing&ecirc;nuo pretender congelar a rela&ccedil;&atilde;o homem-mulher, tal como a rela&ccedil;&atilde;o natureza-cultura. T&atilde;o ing&ecirc;nuo seria tamb&eacute;m pretender restringir a diferencia&ccedil;&atilde;o sexual como pretender reduzir a uma s&oacute; natureza e cultura.</p>
<p></p>
<p><strong>&nbsp;</strong></p>
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